Bioplásticos: um mercado para o agronegócio

Waldir L. Roque*

As sacolas e os sacos plásticos são muito utilizados para o transporte de compras realizadas nos supermercados e por muitas outras lojas. É uma cadeia enorme de negócios, no mundo inteiro, que distribui sacolas e sacos plásticos todos os dias. Depois desse uso, a sua segunda utilidade é servir como recipientes para pôr lixo, em sua grande maioria para lixo orgânico, sendo pouco usados para lixo reciclável, especialmente nos países com baixa formação em educação ambiental e nos mais pobres.

A estimativa é de que mais de 1 trilhão de sacolas plásticas são consumidas no mundo por ano e, por se tratar de um produto com base no etileno, que é produzido a partir da nafta, um derivado do petróleo, a decomposição destas sacolas na natureza pode levar mais de 50 anos. Como são necessários 8,5 barris de nafta para produzir 160.000 sacolas plásticas, isso significa que são usados mais de 17 mil barris de nafta por dia apenas para a produção de sacolas plásticas.

O plástico, em geral, permitiu a criação de inúmeras formas de recipientes e embalagens presentes no mundo moderno, mas o volume descartado deste material cresceu de forma exponencial, levando ao limite da poluição ambiental, o que deixou o mundo literalmente sufocado por garrafas, invólucros e sacolas plásticas, causando interferência direta nos seres vivos. Segundo estimativa da Ellen MacArthur Foundation, em 2050 haverá mais plásticos no mar do que peixes, e o pior é que tais materiais passaram a fazer parte da cadeia alimentar dos animais marinhos levando-os à morte.

Cerca de 8 milhões de toneladas de materiais plásticos chegam aos oceanos por ano, o equivalente a um caminhão de lixo, por minuto, pondo plásticos nos oceanos. Os dados mostram que apenas cerca de 14% das embalagens plásticas são recicladas no mundo e que, em sua maioria, foram utilizadas apenas uma única vez. Isso representa um custo financeiro muito alto que está sendo jogado fora, estimado em torno de 80-100 bilhões de dólares anualmente.

Várias iniciativas têm sido propostas para mitigar os problemas gerados pelos plásticos derivados de petróleo. Ações para reciclagem de embalagens plásticas por meio de educação ambiental ou para diminuir a sua distribuição pelos supermercados por força de leis têm sido adotadas, mas representa muito pouco diante do universo de poluição produzido diariamente.

Alternativas mais tecnológicas são as propostas de produção de “plásticos verdes”, ou seja, bioplásticos, cuja degradação é inferior a um ano e que não causam danos às plantas ou quando são ingeridos por seres vivos. Tais propostas são ambiental e economicamente interessantes, pois permitem passar o plástico de uma economia linear para uma economia circular.

Diante da grande demanda por produtos e embalagens plásticas, e em decorrência da corrida por combustíveis alternativos renováveis, especialmente para a indústria automobilística, os grandes produtores de derivados de petróleo aumentaram a oferta de matéria-prima para a indústria do plástico, o que causa uma expectativa de mais oferta de plástico no mercado.

Por outro lado, a estimativa de crescimento para os bioplásticos, com origem na cana-de-açúcar, madeira e milho é de 50% para os próximos 5 anos, de acordo com a European Bioplastics Association, com a participação de empresas globais como a Cargill, Mitsubishi Chemical e BASF, esta última para prover a demanda de bioplásticos da Coca-Cola e Lego. A Lego, empresa que produz cerca de 60 milhões de blocos e peças plásticas como brinquedos de encaixe para crianças, anunciou que já em 2018 deverá disponibilizar alguns produtos feitos com bioplástico a partir de etanol de cana-de-açúcar do Brasil.

Atualmente a produção de bioplásticos é de apenas 1% da demanda mundial por plásticos, sendo os grandes players a Braskem no Brasil, a NatureWorks nos Estados Unidos e a Novamont na Itália. Há um grande mercado para a expansão dos bioplásticos.

Recentemente uma nova alternativa para a produção de bioplásticos tem como base a mandioca. A empresa Avani Eco, de Bali na Indonésia, está produzindo um material que tem propriedades semelhantes ao plástico mas que é completamente biodegradável e compostável. Em outras palavras, o bioplástico com origem na mandioca é degradável em água e pode ser consumido por animais sem causar qualquer dano à saúde, além disso, quando posto na terra serve para compostagem atuando como fertilizante natural para as plantas.

Diante deste contexto, o agronegócio brasileiro pode desempenhar um papel muito importante neste mercado, uma vez que é capaz de produzir, em larga escala, cana-de-açúcar, milho, madeira de floresta plantada e mandioca, que são as principais culturas provedoras de matéria-prima sustentável para a produção em massa de bioplásticos.

*Professor Titular UFPB

 

 

 

 

 

 

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