Sudeste Asiático, o próximo destino do agro brasileiro

andre pessoa
Foto: Famato/Divulgação

Para quem tem dúvida sobre a importância da China para o agronegócio brasileiro, as projeções do economista André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, indicam que o cenário não deve mudar nos próximos 30 anos. E, antes que a saturação desse mercado ocorra, os produtores rurais brasileiros terão um novo player relevante para atender: o Sudeste Asiático.

A análise foi feita durante palestra no seminário “A Multidisciplinaridade do Agronegócio e os Reflexos no Sistema Judicial”, promovido em parceria pela Famato, Senar-MT e Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos Multidisciplinares do Agronegócio (Ibejma).

Especialista em cenários e tendências do agronegócio, Pessoa apresentou dados sobre a agropecuária brasileira para uma plateia formada por produtores rurais, advogados e magistrados, durante o evento, realizado nesta semana em Cuiabá.

A população no Sudeste Asiático está crescendo. Dados da Agroconsult indicam que até 2020 o número de habitantes da região aumentará em 170 milhões. Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) deve se expandir em 5,6% ao ano nos próximos dois anos, superando o índice chinês.

“O restante da Ásia substituirá, com algum ganho, o mercado chinês daqui a algum tempo. Ou seja: a responsabilidade geopolítica do agronegócio brasileiro de garantir segurança alimentar para o mundo não apenas continua como tende a aumentar”, enfatizou Pessoa.

Os números reforçam a importância estratégica do agronegócio brasileiro. “A cada R$ 1 milhão investido no agronegócio, há a geração de 78 empregos, R$ 275 mil em arrecadação de impostos e R$ 555 mil em salários”, destacou o economista.

Não à toa, desconsiderando o setor agropecuário, indústria e comércio levam a balança comercial ao déficit. E a tendência é de que essa importância continue. “O Brasil é o país onde mais a produtividade agrícola cresceu no mundo, mesmo se comparado com os países na vanguarda tecnológica”, assinalou Pessoa.

Agroindustralização

O próximo passo nesse cenário seria a agroindustrialização. “Um ótimo exemplo é a cadeia do etanol. Temos matéria-prima em quantidade suficiente para atendermos uma demanda cada vez mais crescente. Em dez anos, 89% da frota operará com etanol de milho, o que nos dá uma condição ímpar. Somos o único país do mundo que pode escolher como quer abastecer”, ponderou Ricardo Tomczyk, presidente do Ibejma e da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

Tomczyk e Pessoa concordam na defesa de uma nova política tributária para incentivar esse novo passo. Segurança jurídica, por exemplo, é condição fundamental. “Contratos no agro cobrem um período longo, de pelo menos dois anos. Mudar a regra, seja qual for, no meio do caminho é extremamente prejudicial para essa importante atividade produtiva”, sinalizou o diretor da Agroconsult.

A quarta edição do seminário “A Multidisciplinaridade do Agronegócio e os Reflexos no Sistema Judicial” também  contou com a parceria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) e das entidades Aprosoja, Ampa, Acrimat, Acismat e Aprosmat, além da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso (OAB-MT) e da Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT).

AGROEMDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: agroemdia@gmail.com - (61) 992446832

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