Câmara: Greenpeace assume ter deixado mala com alarme em comissão; FPA repudia ato

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Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

A organização não governamental (ONG) Greenpeace assumiu ter deixado uma mala que disparou alarme de moto na comissão especial que analisa o projeto de lei dos agrotóxicos (PL 6299/02), nessa quarta-feira (20). A sessão foi interrompida por suspeita de que o objeto fosse uma bomba caseira. Em nota, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) repudiou o ato e cobra medidas civis e criminais contra a ONG por ter causado “terrorismo psicológico” durante a reunião.

Por meio de comunicado, o Greenpeace afirmou que protesto teve como objetivo “chamar a atenção para os riscos da aprovação do projeto, que libera ainda mais agrotóxicos no Brasil”. Segundo a ONG, o Greenpeace realiza, em todo o mundo, atividades pacíficas para defender o meio ambiente.

“O alarme estava inserido em uma pasta e não representava risco algum para a segurança dos presentes. Qualquer outra interpretação é uma tentativa mal-intencionada de desviar a atenção da real ameaça em questão: a liberação de mais veneno na comida dos brasileiros”, diz a nota.

Procurado pela Agência Brasil, o Greenpeace não informou como entrou nas dependências da Câmara dos Deputados com a mala. O protocolo padrão da casa é que todos os visitantes sejam identificados ao ingressar nas dependências da Câmara e seus pertences são revistados em aparelhos de raio-X.

Em nota, a Câmara dos Deputados informou que foi aberta uma ocorrência policial para verificar o responsável por ter deixado a mala no local. Ao encontrar o objeto, a Polícia Legislativa da Casa acionou o Esquadrão Antibomba da Polícia Militar do DF. Ainda segundo a nota, “no interior da pasta encontrava-se uma simulação grotesca de artefato explosivo”.

Identificação de envolvidos

Em sua nota, a FPA relata que, segundo a Polícia Legislativa, “ouvida no momento em que a mala foi encontrada, faltou apenas a carga explosiva. O artefato sonoro com simulacro de bomba continha bateria e ligações elétricas para disparo a distância e foi encontrado por um dos assessores presente no local, que notou comportamento estranho de um homem com barba e que vestia terno azul”.

A Frente Parlamentar da Agropecuária enfatiza ainda que “rechaça qualquer incentivo a práticas terroristas e criminosas contra a democracia e os Poderes da República Federativa do Brasil.” Além de pedir providências civis e criminais contra o Greenpeace, a FPA cobra a identificação dos servidores da Câmara envolvidos com a entrada da mala sem passar pelo raio-X.

A FPA também quer identificação do parlamentar que “interferiu na segurança da Polícia Legislativa e permitiu a entrada do portador da mala na Comissão Especial.” Naquele momento, assinala a nota, o acesso estava restrito a servidores da Casa e a profissionais credenciados.

Por fim, a FPA pede “providência da Presidência da República, por meio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para controle de atividades terroristas no Brasil”.

PL dos agrotóxicos

O PL 6299/02 tem provocado intensos debates na Câmara dos Deputados. A medida é alvo de uma queda de braço entre produtores rurais, ambientalistas e órgãos do governo, como, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), que se posicionaram contra a proposta.

Da redação, com Agência Brasil

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