Mamona atóxica pode alavancar agricultura do semiárido brasileiro

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Foto: Saulo Coelho/Embrapa

A mamona (Ricinus communis L.) é uma planta oleaginosa com uma ampla gama de aplicações para a agricultura e agroindústria. Por suas características, é capaz de produzir bem em condições de clima extremas, como o semiárido brasileiro. Entretanto, é portadora de uma substância chamada ricina, tão venenosa que é tratada como arma biológica em países como os Estados Unidos, onde o seu cultivo é proibido. 

A boa notícia é que a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Embrapa localizada em Brasília, DF, conseguiu desenvolver variedades de mamona atóxicas, sem a presença da ricina. A novidade pode alavancar a agricultura do semiárido nordestino e até mesmo abrir a possibilidade de exportação da mamona para novos mercados.

A presença da ricina prejudica o potencial altamente nutritivo da mamona, fazendo com que hoje seja muito utilizada na fabricação de adubo. Segundo o pesquisador Francisco Aragão, a pesquisa objetiva usos mais nobres para essa planta, como, por exemplo, na fabricação de torta para alimentação animal.

“Trata-se de uma opção de baixo custo que, aliada à adaptação da mamona a climas extremamente secos, poderia alavancar a produção agropecuária do semiárido brasileiro”, destaca.

Para se ter uma ideia do teor de veneno da ricina, ela é considerada arma biológica em países como os Estados Unidos, onde seu cultivo é proibido. Por isso, as variedades atóxicas desenvolvidas pela Embrapa vêm despertando interesse de vários países. Além dos EUA, China, Índia e outros já procuraram a Empresa de olho no bom potencial que apresenta para diversos segmentos, da indústria, como alimentação, química, têxtil, plástico e borracha, papéis, perfumaria, cosméticos, farmácia, eletroeletrônicos e telecomunicações, tintas e adesivos, e lubrificantes, entre outros.

Pesquisa é pioneira no mundo

Essa é a primeira vez no mundo que cientistas conseguem transformar geneticamente a mamona para eliminação da ricina. A técnica utilizada por Aragão e sua equipe foi a de silenciamento gênico, que permite “desligar” genes específicos.

Proteínas das sementes foram usadas em experimentos com ratos em uma quantidade de 15 a 230 vezes os valores da dose letal mediana (DL50), suficiente para matar metade da população dos animais pesquisados, e todo o grupo sobreviveu sem sequelas. “Uma vez incorporado, esse resultado promoverá grandes impactos econômicos na cadeia produtiva da mamona e da produção animal, com inserção estratégica e competitiva na bioeconomia”, acredita Aragão.

Por ser um produto geneticamente modificado, as variedades de mamona terão que passar pelas análises de biossegurança exigidas pela legislação brasileira. O prazo estimado para que cheguem ao setor produtivo é de cerca de cinco anos.

A mamona

Essa planta é a única fonte comercial de ácido ricinoléico, aquele que apresenta o maior índice de viscosidade e estabilidade entre os óleos vegetais. Por isso, seu emprego é valorizado na indústria automobilística, em sistemas de freios, e até na indústria aeroespacial, que o utiliza em forma de fluidos de aeronaves e foguetes.

O óleo de rícino, também conhecido como óleo de mamona, e seus derivados são utilizados na indústria química, farmacêutica, cosmética e de lubrificantes de alta qualidade. As sementes, depois de industrializadas, dão origem ao óleo e à torta de mamona, que é o resíduo da extração do óleo, e consiste no mais tradicional e importante subproduto dessa cadeia produtiva.

A produção no mundo

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), os principais países produtores de mamona são a Índia (74%), China (13%), o Brasil (6,1%) e Moçambique (2,5%). Os maiores consumidores são China, Estados Unidos, França, Alemanha e Japão.

A produção brasileira na safra 2017/2018 teve um incremento de 23,7% em relação à safra anterior, atingindo cerca de 16,2 mil toneladas em uma área de pouco menos de 34 mil hectares. A principal região produtora é o Nordeste, sendo que a Bahia responde por mais de metade da produção.

Da redação, com Embrapa

AGROEMDIA

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