Congresso da Aviação do Brasil aponta rumos do mercado aeroagrícola

 

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Foto: Castor Becker Júnior/Sindag/Divulgação

O lançamento do Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag), a assinatura da primeira parceria no país – e provavelmente no mundo – entre uma empresa de aviação agrícola e uma fornecedora de drones e palestras sobre temas polêmicos, com enfoque maior em gestão, marcaram a edição deste ano do Congresso da Aviação do Brasil, realizado em Maringá (PR).

De 7 a 9 deste mês, o evento recebeu um público diversificado, formado por pilotos, empresários, estudantes de engenharia e aeronáutica, produtores rurais e moradores do município e da região. A governadora do Paraná, Cida Borghetti, visitou os estandes do evento na quinta-feira (9).

Se o próprio nome do antigo Congresso Sindag já havia sido trocado para mostrar a amplitude que vinha se delineando em torno do evento, o acerto foi confirmado na edição paranaense. Além do recorde de 89 expositores na mostra de tecnologias e equipamentos, essa também foi a primeira em que o congresso teve um número tão grande de palestras (35) nos auditórios junto à feira. Sem falar dos encontros com operadores, políticos, pesquisadores e autoridades nas três salas de reuniões montadas no local.

O sucesso foi tanto que o Sindag acabou adiando para setembro o anúncio do local do próximo Congresso, que, inicialmente, seria feito na última terça, na abertura oficial da edição de Maringá. A medida foi para o sindicato ter mais tempo para avaliar a estrutura e logística em cada cidade, cogitando espaços maiores, maior capacidade de fornecedores de serviços, capacidade hoteleira e outros aspectos. Isso para garantir o sucesso da próxima edição, diante das expectativas já aumentadas para o Congresso de 2019.

Homenagens

Conforme a regra que começou a vigorar na edição do ano passado, ocorrida em Canela/RS, o congresso deste ano fechou com o Jantar da Aviação Agrícola e a entrega das medalhas Mérito Aviação Agrícola. Foram duas homenagens póstumas: para o norte-americano Leland Snow, projetista pioneiro da aviação agrícola e fundador da Air Tractor, e para o engenheiro agrônomo brasileiro Yasuzo Ozeki, que teve sua vida profissional ligada à aviação agrícola, tendo sido considerado uma das mais importantes autoridades do setor no Brasil.

O jantar também teve homenagens às empresas aeroagrícolas que realizaram durante o ano atividades junto a comunidades e estudantes, divulgando a importância da aviação agrícola nas cidades e nos estados. O ponto alto de um reconhecimento manifestado durante todo o congresso: as empresas receberam das mãos do presidente Júlio Kämpf os banners sobre suas ações que haviam sido confeccionados pelo Sindag e expostos no pavilhão do evento, nos três dias de movimentação.

“Fechamos com chave de ouro a programação em Maringá. Além das reuniões e debates que definiram rumos no trabalho do Sindag e do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) com políticos, autoridades e pesquisas, ganhamos um novo horizonte de atuação a partir de agora. O Ibravag, que já chega com iniciativas como o projeto 360 graus e a revista Aviação Agrícola, passou a representar um novo estágio nas relações da aviação agrícola com a sociedade”, festejou em seu discurso de encerramento o presidente do Sindag – que também preside o novo Instituto. “Enfim, temos um panorama mais denso e amplo de trabalho daqui para frente, para toda a cadeia aeroagrícola e graças ao esforço de cada um”, ressaltou Júlio Kämpf.

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Foto: Castor Becker Júnior/Sindag/Divulgação

Foco em gestão

Se por um lado o formato do Congresso da Aviação Agrícola veio de um pano de fundo com adensamento de parcerias e pluralidade nas discussões, sua própria programação direcionou foco na qualificação dos empresários, planejamento estratégico e diversificação do mercado aeroagrícola. O que ficou claro, por exemplo, nas palestras de professores da Fundação Getúlio Vargas e do Sebrae, batendo na tecla da qualificação não só das operações, mas da gestão das empresas agrícolas. Reforçado ainda pelo anúncio, pelo Sindag, da próxima edição da Academia de Líderes da Aviação Agrícola, em abril do ano que vem, em Goiás.

No viés mercadológico, o destaque ficou por conta da confirmação da tendência de que, no Brasil, as aeronaves não-tripuladas deverão se multiplicar ainda mais nos campos, como ferramenta de apoio para os próprios operadores de aviões e helicópteros. A confirmação veio da assinatura, durante o congresso, da primeira parceria no Brasil (e talvez no mundo) entre uma empresa aeroagricola e uma fabricante de drones. A SkyAgri (uma spin-off da SkyDrones, que por sua vez é sócia do Sindag) firmou uma parceria com a Terra Aviação Agrícola (de Cachoeira do Sul/RS) para fornecimento de equipamentos e tecnologias em aparelhos remotos.

Será uma espécie de franquia, onde os drones deverão operar em complemento às operações com aviões (em arremates em pontos ambientalmente sensíveis ou com obstáculos para aeronaves). Além disso, a Terra utilizará os equipamentos SkyAgri para começar a atender propriedades menores e ainda incluirá em seu escopo de missões os serviços de levantamento de dados por imagens. Além dos equipamentos e treinamento da equipe, a aeroagrícola contará ainda com assistência técnica para os aparelhos não-tripulados.

A programação também destacou a comunicação com a sociedade, assinalada pelo questionamento mais incisivo sobre os mitos que giram em torno da aviação agrícola – muitas vezes usados propositadamente contra o setor, seja em campanhas de cunho político-ideológico até projetos de lei para proibir ou restringir a atividade. Aí se destacaram as palestras do sociólogo e jornalista Lorenzo Carrasco, que abordou o tema Ambientalismo: novo colonialismo, e do professor Claud Goellner, da Universidade de Passo Fundo/RS, sobre Uso de produtos fitossanitários: problemas e desafios. No caso dos “desafios” do título da palestra, com foco principalmente nos estereótipos contra a produção rural. Ponto ainda para a apresentação do economista e consultor Elvino de Carvalho Mendonça, sobre os (desastrosos) impactos que teria a economia do País sem a aviação agrícola.

Estreia do Ibravag

Uma nova instituição, com capacidade de receber como associados não só empresários aeroagrícolas e pilotos, mas também produtores rurais, pesquisadores e outros profissionais do setor, além de entusiastas – pessoas físicas ou jurídicas, que queiram atuar em defesa ou pelo desenvolvimento da aviação agrícola brasileira. Essa é a cara do Instituto Brasileira da Aviação Agrícola (Ibravag), criado em maio e apresentado oficialmente durante o congresso em Maringá. Além disso, caberá ao Ibravag também ações de cunho educacional e cultural, bem como facilitar o intercâmbio com outras entidades do setor produtivo.

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Foto: Castor Becker Júnior/Sindag/Divulgação

Suas duas primeiras ações chegaram junto com o Instituto no evento na cidade paranaense: a revista Aviação Agrícola e o projeto Aviação Agrícola 360o. No caso da publicação, trata-se de um novo canal com matérias sobre mercado, personagens, entrevista e pesquisa (inclusive com artigo técnico). A revista do Ibravag será trimestral, com distribuição gratuita e disponível também no formato eletrônico (virtual paper). Já o Aviação agrícola 360o é uma ferramenta para apresentar de maneira envolvente a aviação agrícola à sociedade.

Trata-se de um trabalho realizado em parceria com a Smart Composer VR, com filmagens feitas na Terra Aviação Agrícola, em Cacheira do Sul/RS. A apresentação, em óculos de realidade virtual, coloca a pessoa dentro de uma operação aeroagrícola – desde a reunião de planejamento até o cockpit de um Cessna AgTruck durante uma pulverização aérea. “São ferramentas que marcam a linha de trabalho do Ibravag, com informações de qualidade e ferramentas inovadoras para divulgar o setor aeroagrícola”, explica o presidente do Sindag e dirigente do Instituto, Júlio Kämpf.

A missão, estratégias e os primeiros trabalhos do Ibravag foram apresentados diretamente aos empresários, fornecedores e entidades parceiras do setor aeroagrícola. E recebeu ainda no Congresso sua primeira resposta positiva de apoio, da norte-americana Air Tractor. A fabricante tem no Brasil seu segundo maior mercado do continente (atrás apenas dos EUA) e seu presidente, Jim Hirsch, anunciou pessoalmente o apoio, durante reunião em Maringá. “Estamos muito felizes com a oportunidade de sermos a primeira empresa a apoiar o Instituto”, comentou, logo depois da conversa com a diretoria da entidade.

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Foto: Castor Becker Júnior/Sindag/Divulgação

Parceiros

O Congresso da Aviação Agrícola teve homenagens também em sua abertura, na terça-feira (dia 7). O evento contou, entre as autoridades, com o vice-prefeito de Maringá, Edson Scabora; a presidente da Sociedade Rural de Maringá (parceira do Sindag no evento), Maria Iraclésia de Araújo; o presidente da Associação Maringaense de Engenheiros Agrônomos (que representou também a Federação Paranaense da categoria), Nilson Cardoso, e os presidentes dos Sindicatos Nacionais dos Aeronautas (SNA), Ondino Cavalheiro Dutra, e dos Aeroviários (Sinaero), Walter Félix. Além de secretários municipais e representantes de outras entidades parceiras.

Após as falas das autoridades, o presidente do sindicato aeroagrícola, Júlio Kämpf, entregou certificados de agradecimento aos patrocinadores do Congresso nas categorias Ouro (Embraer e Pratt & Whitney Canadá) e Silver (Air Tractor e Syngenta). Também foram homenageados o ex-presidente do Sindag e atual prefeito de Poxoréu/MT, Nelson Paim, além do vereador de Americana/SP Thiago Martins e o deputado estadual goianense Lissauer Vieira, do PSB (que foi representado pelo empresário Ruy Alberto Textor).

Outros parceiros que receberam agradecimentos foram a revista AgAir Update (que tem estado presente em todos os congressos do Sindag e divulga ações de entidade), o Convention Visitors & Bureau Maringá, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e as universidades Unopar e Unicesumar – que tiveram estudantes visitando e trabalhando como voluntários no evento.

Da redação, com Sindag

 

 

 

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