Morre no RS, aos 60 anos, o jornalista Luís Milman

Morreu neste domingo (30), em Porto Alegre, aos 60 anos, vitima de infarto, o jornalista, professor e escritor Luís Milman. Um dos mais talentosos repórteres de sua geração, Milman era um obstinado por grandes apurações jornalísticas relacionadas a denúncias sobre injustiças sociais e desrespeito aos direitos humanos, além de malfeitos e corrupção no poder público, notadamente nas corporações policiais, no Ministério Público e no Judiciário.
Luís Milman foi repórter da Folha da Manhã – jornal que marcou época na imprensa gaúcha –, Zero Hora e contribuiu para publicações como Veja, IstoÉ, O Estado de S.Paulo, Correio Braziliense e revista Shalom. Em Zero Hora, fez parte da editoria de polícia na década de 1980. Sob o comando do jornalista Wanderley Soares, a editoria de polícia de ZH mudou a cobertura do setor, abrindo espaço para denúncias de torturas e corrupção e narrativas mais humanizados, confrontando sempre a versão policial e abandonando a linguagem policialesca dos boletins de ocorrência.
Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1989) e doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998), Milman foi professor da PUC-RS, coordenador do curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e professor de Jornalismo e Filosofia na Ufrgs.
O jornalista, que já estava aposentado, também participou do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul e foi ativista da luta antissemitismo.
Milman será sepultado na quarta-feira (3). Isto porque, segundo as leis judaicas, os membros da comunidade não podem ser sepultados em dias festivos, o que é o caso do momento.
O velório e o sepultamento ocorrerão no cemitério do Centro Israelita, na Rua Vicente da Fontoura, em Porto Alegre.
Ele deixa mulher, também jornalista, e dois filhos.

