Presidente da Aprosoja cobra de europeus legislação ambiental rígida

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Antônio Galvan: Europa tem que mostrar o que faz pela preservação ambiental – Aprosoja

Sempre prontos a exercer o papel de guardiões da preservação do meio ambiente do planeta, promovendo verdadeiras cruzadas além de suas fronteiras, os europeus viraram vidraça por alguns minutos nesta semana. Em reunião no Parlamento Europeu, em Bruxelas (Bélgica), o presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), Antônio Galvan, cobrou dos representantes do bloco que adotem uma política conservacionista tão rigorosa quanto à do Brasil.

No encontro, na terça-feira (20), Galvan também apresentou números que mostram o compromisso do agronegócio do Brasil com a sustentabilidade. A legislação ambiental brasileira, sublinhou o dirigente da entidade, é a mais restritiva do mundo, mas “se vende” uma ideia totalmente errada sobre a agricultura nacional. Para ele, o bloco europeu usa a questão ambiental para tentar ampliar as restrições econômicas.

“A gente sempre diz que o exemplo parte de casa. Então, gostaríamos, de quem tanto nos cobra, que nos mostrasse o que realmente está sendo feito com essa preocupação. Percebemos por imagens de satélite, quando se faz um comparativo com as regiões produtoras do Brasil, especialmente de Mato Grosso, que a proteção de nossas águas está sendo feita praticamente em sua maioria, mas notamos que isso não está acontecendo nos países europeus. E, até o momento, a gente não viu nenhum programa para que isso seja feito”, ressaltou Galvan.

O presidente da Aprosoja acrescentou: “Quando se fala que a água é o bem mais precioso [do planeta], nós concordamos. Mas, quando a gente percebe que nada, ou pouco, está sendo feito por quem tanto nos cobra, isso nos deixa mais preocupados. Então, quero deixar este recado: estamos fazendo a nossa parte como produtor rural e como brasileiro. E gostaríamos, se é que realmente a preocupação é ambiental, que seja implantada em todo o mundo uma legislação, no mínimo, parecida com a brasileira, se não for igual.”

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Aprosoja apresentou a ONGs europeias dados sobre cultivo de grão no Brasil – Aprosoja

Desmatamento e compensação

Em sua exposição, da qual participaram os deputados Paolo de Castro e Ricardo Serrão Santos e técnicos do Parlamento Europeu, Galvan disse acreditar que o Brasil talvez seja o país que tenha a maior produção “responsável e sustentável” do mundo, colhendo acima de 230 milhões de toneladas de grãos em “uma pequena parcela de seu território”, equivalente a pouco mais de 60 milhões de hectares. “Menos 8% do território brasileiro é plantado com grãos.” Ele assinalou que esse percentual é inferior a 11% em Mato Grosso.

Galvan também citou o Soja Plus, programa lançado há sete anos pela Aprosoja para atender a demanda do mercado por produtos sustentáveis. Por meio da inciativa, os produtores são capacitados para a melhoria da gestão das propriedades, buscando o aperfeiçoamento gradativo e contínuo dos aspectos ambientais, sociais e econômicos. “A todo momento, ouvíamos acusações de que estamos destruindo isso e aquilo, mas quem conhece Mato Grosso e o Brasil sabe que nada disso é verdade.”

O presidente da Aprosoja comentou ainda a proposta de desmatamento zero, defendida por grupos europeus. “Acho que podemos falar sobre um programa de desmatamento evitado, com compensação financeira ao produtor.” Galvan observou que hoje o agricultor brasileiro, devido à “legislação mais rígida do mundo”, já tem parcela expressiva das reservas legais do país em suas propriedades, arcando com os custos de preservação.

Antes da reunião no Parlamento Europeu, o dirigente da Aprosoja já havia falado para representantes de ONGs europeias. No encontro, também em Bruxelas, Galvan cobrou igualmente que a Europa protegesse seus rios e rechaçou o combate sistemático das ONGs do bloco ao agro brasileiro. Enfatizou que é preciso respeitar a legislação e a soberania do Brasil. Além disso, lembrou, o colonialismo já acabou.

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