Brasil descobre genes que tornam carne bovina mais gostosa e saudável

Luiz Coutinho, da Esalq - credito divulgacao
Luiz Lehmann Coutinho, da Esalq/USP, pesquisa genômica do projeto  – Divulgação

Da redação, com ABDC*

O Brasil conseguiu uma conquista científica notável na pecuária. O país é o primeiro do mundo a identificar, para qualquer raça de bovino, os genes que controlam características como sabor da carne, suculência, maciez e acúmulo de gorduras saudáveis (insaturadas) e gorduras nocivas à saúde (insaturadas). O resultado do trabalho, coordenado pelos pesquisares Luiz Lehmann Coutinho, da Esalq/USP, e Luciana Regitano, da Embrapa Pecuária Sudeste, permitirá produzir uma carne mais saborosa e saudável, com menor teor de gordura nociva à saúde, o que poderá impulsionar ainda mais a participação brasileiro no mercado internacional do produto.

A pesquisa, iniciada há cerca de oito anos na ESALQ e na Embrapa Pecuária Sudeste, buscou identificar os genes que regulam todas as características da carne de gado Nelore, que compõe a maior parte do rebanho de corte nacional. Entre os quesitos de qualidade, a maciez, a quantidade e o tipo de gordura intramuscular influenciam o sabor, a suculência da carne e seu valor nutricional.

Em um trabalho que acaba de ser publicado no periódico científico BMC Genomics (https://doi.org/10.1186/s12864-018-4871-y), os pesquisadores identificaram centenas de genes responsáveis pelo sabor, maciez e qualidade da carne de bovino.

“Em termos mundiais, nossa pesquisa é a primeira que consegue identificar os genes que regulam a qualidade, o sabor, a quantidade e o tipo de gordura na carne em bovinos. Não há outros grupos – no Brasil ou no exterior – com resultados similares. A pesquisa foi feita com gado Nelore. Até o momento, não existe nenhum estudo semelhante para quaisquer outras raças bovinas,” afirma o geneticista Luiz Lehmann Coutinho, coordenador do Centro de Genômica da Esalq.

A pesquisa busca acelerar o melhoramento genético do gado Nelore para a produção de carne de melhor qualidade. Como consequência, espera-se que os resultados do trabalho possam, em médio prazo, resultar na elevação dos lucros dos pecuaristas brasileiros.

“Nosso objetivo final é, daqui a cerca de três anos, oferecer aos pecuaristas brasileiros a oportunidade de melhorar seus rebanhos e lucros, com vistas à produção de carne que seja mais macia e gostosa ao paladar do consumidor e também muito mais saudável,” afirma Coutinho.

“No que diz respeito ao consumidor final, que aprecia carne, o objetivo da pesquisa é tornar um corte nobre como contrafilé, por exemplo, mais gostoso, suculento e saudável,” diz Coutinho.

O trabalho de seleção de 30 de touros e 2 mil vacas da raça Nelore com as características desejadas para a pesquisa, e que geraram os 800 novilhos dos quais foram coletadas as amostras de carne e sangue para a investigação genética, ficou sob a responsabilidade da pesquisadora Luciana Correia de Almeida Regitano, da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). Ela também é docente do programa de Pós-graduação em Genética Evolutiva e Biologia Molecular da Universidade Federal de São Carlos (UFScar).

Toda pesquisa genômica do projeto ficou sob a responsabilidade de Luiz Lehmann Coutinho, do Centro de Genômica da ESALQ.

*Agência Brasileira de Divulgação Científica

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