Feplana: Fornecedores querem preço justo para cana; custos estão elevados

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Alexandre Andrade, presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil – Divulgação

Com os custos de produção elevados, a Federação do Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) defende a atualização das cotações de produto, com a fixação de um preço justo. A entidade também pede agilidade na implementação da venda direta de etanol aos postos de combustíveis. A Feplana busca ainda o fortalecimento do cooperativismo no setor, a revisão de normas regulamentadoras (NRs) de segurança de trabalho e a inserção dos fornecedores de cana no Renovabio.

Esses temas foram tratados pela Feplana durante reunião na Câmara Federal, na quinta-feira (30). O encontro serviu para a entidade reforçar a importância do apoio parlamentar à cadeia produtiva, especialmente nas questões que dependem de iniciativa do legislativo. O setor reúne 70 mil fornecedores de cana e emprega cerca de 200 mil trabalhadores só no Nordeste.

O presidente da Feplana, Alexandre Andrade Lima, ressaltou que é preciso rever o preço do produto para dar fôlego ao setor. “Hoje, o custo de produção está maior que a remuneração. As cotações do açúcar estão deficitárias e o que está salvando um pouco é etanol”.

Isso, assinalou, precisa ser resolvido pelo Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar (Consecana). “A gente precisa que o conselho seja dinâmico e que realmente mostre o preço justo da cana de açúcar. Infelizmente, o conselho exige unanimidade. Se a indústria não quiser, a coisa não evolui. O ideal era ter um árbitro dentro do conselho.’’

A Feplana considera importante ainda autorizar logo a venda direta de etanol aos postos de combustíveis – a proposta tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro. A medida, de acordo com a entidade, contribuirá para impulsionar economia nordestina. “As distribuidoras continuarão fazendo seu importante papel na distribuição de etanol, diesel e gasolina’’, disse Alexandre Lima.

Renovabio e cooperativismo

Outra preocupação do setor é quanto a sua participação no Renovabio, – política criada pelo governo federal para reforçar o papel dos biocombustíveis na matriz energética do país e contribuir para redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.

“Temos que saber como os fornecedores serão inseridos neste grande programa que sempre apoiamos. Somos responsáveis por 36% da matéria-prima da cana que serve para fazer etanol. Então, o fornecedor precisa estar nesse contexto”, sublinhou Alexandre Lima.

No encontro com parlamentares, que contou com a presença de representantes de outros elos da cadeia produtiva, o presidente da Feplana apontou a necessidade de criar um programa de incentivo ao cooperativismo no setor de cana, com a reativação de usinas.

“Em Pernambuco, por exemplo, duas usinas que foram reativas criaram oito mil empregos – quatro mil em cada uma. A ministra Tereza Cristina [Agricultura] apoia a ideia.’’

Alexandre Lima enfatizou, na reunião, que é preciso rever algumas normas regulamentadoras (NRs) de segurança de trabalho, que estariam prejudicando o setor. “Elas trazem um peso enorme à cadeia produtiva, principalmente nas regiões com grande intensidade de emprego de mão-de-obra. Além disso, alguns fiscais interpretam as NRs de forma política, sem isenção.’’

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