“Quem demarca terra indígena sou eu”, diz Bolsonaro

“Quem demarca terra indígena sou eu, não é ministro. Quem manda sou eu. Eu sou o presidente e assumo ônus e bônus”, enfatizou o presidente Jair Bolsonaro, pouco depois de participar da Marcha para Deus, nesta quinta-feira (20), em São Paulo.
Na quarta-feira (19), Bolsonaro editou uma nova medida provisória que deixa a demarcação de terras indígenas sob a gestão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O presidente também criticou o Ibama por atrapalhar quem quer produzir. “Multados [os índios] em 120 milhões de reais pelo Ibama no ano passado porque estavam plantando. Vamos anular essa multa. Não tem mais o Ibama multando os outros por aí, atrapalhando quem quer produzir.”
O governo já havia estabelecido que reforma agrária, regularização fundiária de áreas rurais, Amazônia Legal, terras indígenas e terras quilombolas são áreas de competência da pasta da Agricultura.
No entanto, a questão da demarcação só foi formalizada na medida publicada nesta quarta.
Bolsonaro disse ainda que quer integrar o índio à sociedade: “Uma região maior do que o sudeste já não é suficiente para eles? Nós queremos manter os índios presos em suas reservas como se fossem homens pré-históricos? Eles querem nossa tecnologia, querem dentista, querem médico, internet, carro, as maravilhas que nós temos em casa. Ou querem tratar os índios como algo que não é ser humano?”
No seu primeiro dia de governo, Bolsonaro editou uma MP para mudar a estrutura dos ministérios e aproveitou para tirar a demarcação de terras indígenas da Fundação Nacional do Índio e levar para a Agricultura, mas o Congresso havia derrubado essa mudança, deixando a tarefa com a Funai.

