Abrapa abrirá escritório na China para ampliar exportações de algodão

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) deve instalar um escritório de representação na China, por meio de parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), apoiada pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e das Relações Exteriores, a fim de intensificar a relação com aquele mercado, hoje o principal destino do produto nacional.
A abertura do escritório de representação no país asiático, que deve ocorrer em alguns meses, é uma das ações previstas na estratégia que a Abrapa e a Apex estão desenhando para se aproximar ainda mais daquele mercado, que hoje compra cerca de 25% da pluma vendida pelo Brasil ao exterior.
O lançamento da estratégia de promoção do algodão brasileiro naquele mercado foi um dos assuntos tratados, nesta semana, em Brasília, com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, pelos vice-presidentes da Abrapa Júlio Cézar Busato e Alexandre Schenkel, que também presidem, respectivamente, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).
Durante a reunião com Wanming, da qual também participou o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, os dois dirigentes da entidade enfatizaram que o Brasil alcançou na safra 2018/2019 a posição de segundo maior exportador mundial de algodão, além de ser o quarto produtor global. Mais que escala, ressaltaram, o país pode assegurar qualidade e confiabilidade na commodity, com a garantia cumprimento dos contratos.
Busato e Schenkel também falaram sobre a expansão do cultivo de algodão no Brasil, que tem novo recorde de produção estimado em 2,8 milhões de toneladas de pluma e exportações projetadas em 1,6 milhão de toneladas. “Uma trajetória de incorporação de tecnologia e de profissionalismo que ainda está em curso”, destacou Busato.
“Dobramos a produção de algodão nas últimas três safras e acreditamos que, dentro de cinco a oito anos, iremos ultrapassar os Estados Unidos em fornecimento do produto”, acrescentou Busato. Atualmente, os EUA embarcam 3,8 milhões de toneladas, e o Brasil, com embarques de cerca de 1,6 milhão de t na safra 2018/2019, passou a ocupar a posição que era da Índia, até então segundo maior exportador da pluma.
A China é uma grande consumidora do algodão brasileiro. Hoje, em torno de 25% da pluma exportada vai para aquele país – Alexandre Schenke, vice-presidente da Abrapa
Diante desses resultados, o Brasil vai reforçar o relacionamento com a Ásia – destino de 97,5% dos embarques da pluma nacional –, especialmente com a China. Além do escritório no país asiática, a estratégia em elaboração pela Abrapa e Apex prevê visitas e missões de intercâmbio entre produtores brasileiros e industriais asiáticos.
Oportunidade
Embora produza mais que o dobro de algodão que o Brasil, em torno de 6 milhões de toneladas de pluma, a China é um grande importador. De acordo com dados do International Cotton Advisory Committee (ICAC), o país consome cerca de 9 milhões de toneladas em seu parque têxtil.
“A China é uma grande consumidora do algodão brasileiro. Hoje, em torno de 25% da pluma exportada vai para aquele país. Somos fornecedores confiáveis e queremos crescer ainda mais no mercado chinês, mantendo esta parceria de qualidade e comprometimento”, pontuou Schenkel.
Para Júlio Busato, a investida brasileira no mercado chinês deve mostrar o que é o país, hoje, de fato, no setor de cotonicultura. “A história da nova cotonicultura nacional tem menos de 30 anos e ainda paira sobre ela os ecos de um período em que não tínhamos qualidade e não honrávamos os nossos contratos. Hoje isso mudou, graças ao trabalho dos produtores, representados pela Abrapa.”

