RS: Ministério Público quer suspender inseticida relacionada à morte de abelhas

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Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

O Ministério Público do RS quer suspender a venda e o uso do inseticida Fipronil, na versão foliar, em todo o estado. O pedido foi feito ao governo gaúcho pelo promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, Alexandre Saltz. O inseticida é apontado como uma das causas da morte de 400 milhões de abelhas de 200 colmeias, no início deste ano, no Rio Grande do Sul.

“Determino que sejam oficiadas à Presidência da Fepam, ao Senhor Secretário Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura e ao Senhor Secretário Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural para que, com a brevidade que o caso impõe, avaliem a possibilidade de restrição do uso do Fipronil, na modalidade foliar, no Estado do Rio Grande do Sul, através da suspensão provisória do registro do produto no Cadastro Estadual de Registro de Agrotóxicos”, diz Saltz, em seu despacho.

Análises feitas pelo laboratório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em 43 amostras indicaram a presença de agrotóxicos em 38 delas. Dessas, 35% tinha resíduos de Fipronil.  O Ministério Público Estadual já tem um inquérito instaurado para investigar o caso.

Segundo o site do Correio do Povo, Saltz aponta que, em audiência realizada no dia 17 de junho, as empresas produtoras do inseticida foram instadas a manifestarem-se sobre a suspensão voluntária da comercialização da modalidade foliar do produto, como faz a BASF, detentora da patente do inseticida de 2003 a 2008. Apenas uma anuiu à proposta.

“O fato é significativo porque, mesmo que outras tantas não concordassem com a proposição ancoradas apenas na questão de que o princípio ativo possui registro, duas das maiores produtoras reconhecem, especificamente pela mortandade de abelhas, os danos que a versão foliar do Fipronil representa. Assim, parece não haver dúvida de que o produto, na versão foliar, notadamente pelo mau uso, é uma causa importante da mortandade de abelhas no estado”.

O fipronil, informa o Correio do Povo, é usado para o controle do tamanduá-da-soja, mas sua aplicação nas abelhas resultou na morte dos insetos, influenciando na queda de produção de mel no primeiro trimestre. Em grandes quantidades, ele é considerado “moderadamente tóxico” para os humanos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e está estritamente proibido nos animais destinados ao consumo humano.

Em 2017, França e Reino Unido foram atingidos por uma crise, após a chegada a esses países de ovos contaminados provenientes da Holanda, onde milhões de galinhas foram sacrificadas.

 

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