Europa acirra polêmica sobre queimadas na Amazônia por interesses comerciais, diz FPA

deputado alceu moreira pablo valadares
Deputado Alceu Moreira, presidente da FPA – Pablo Valdares/Câmara

Da redação/AGROemDIA

Por trás das fortes cobranças europeias ao Brasil em decorrência das queimadas e desmatamentos na Amazônia, não há apenas preocupações ambientais. Há também outro combustível impulsionando a reação de alguns países da Europa: os interesses comerciais relacionados ao agronegócio global, avalia o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS). Isso, enfatiza, não exime o Brasil de fazer a sua parte para reverter a situação.

Um dos maiores players agrícolas do mundo, com aumento contínuo de produção e produtividade, além da qualidade de seus alimentos, o Brasil incomoda os europeus, que temem perder mercados e usam o meio ambiente como estratégia para desgastar a sua imagem, observa o parlamentar gaúcho.

“A questão é fundamentalmente comercial. França, Alemanha e Irlanda, por exemplo, ainda têm parte de sua população vivendo do agro. São países com clima definido, uma safra só por ano e um custo de produção muito elevado, que não conseguem mais aumentar as áreas de cultivo e já extinguiram todas as possibilidades tecnológicas de pesquisa, até o momento, para produzir.”

Por isso, acrescenta, o desempenho internacional do agro brasileiro causa receio aos europeus. “O Brasil começou a participar pesadamente da concorrência pelo mercado, tanto em relação ao consumo interno deles, quanto para os países que eles exportam. A comunidade europeia, de um modo geral, vê isso como uma questão de segurança alimentar. Poder negociar com o Mercosul significa para eles dispor de um mercado para vender tecnologia e comprar alimentos da gente, o que é interessante.”

A questão é fundamentalmente comercial. O Brasil começou a participar pesadamente da concorrência pelo mercado” – Alceu Moreira, deputado federal

Soberania

Embora veja essas reações como normais no contexto comercial, Alceu Moreira aponta que agora foi adicionado outro ingrediente: o da soberania. “Eles colocam essa questão porque tem grande eco nas comunidades europeias que pensam que a Amazônia é meio de todo mundo. Então, quando o Brasil fortalece o discurso da soberania, eles certamente ficam incomodados, o que é compreensível.”

O presidente da FPA ressalta que se o problema realmente fosse ambiental, a Europa estaria preocupada com outros biomas, como a Caatinga, com a poluição urbana “irresponsável” e com outras coisas que ocorrem no Brasil. “O que está em discussão é apenas a Amazônia. Como sabemos, nos últimos 15 anos, 2019 é um dos anos que têm, na média, um dos menores índices de queimadas e desmatamentos na região.”

Alceu Moreira espera que essa situação seja revertida durante a viagem que fará, junto com a ministra Tereza Cristina (Agricultura) e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, à Europa, em setembro. “Vamos visitar o Parlamento do Reino Unido para discutir os acordos que deveremos fazer quando eles saírem da Comunidade Europeia. E, como há essa questão da Amazônia, também visitaremos os parlamentos da Alemanha, França e Itália.”

“Vamos levar a eles uma mensagem com fundamentação científica, em resposta às acusações que estamos sofrendo [em consequência das queimadas e desmatamentos da Amazônia]”, pontua o deputado. A delegação brasileira, assinala, também pretende tratar o assunto sob o aspecto jornalístico com os europeus.

Queremos mostrar o que é verdade e o que é mentira [sobre o Brasil] em todos os lugares, principalmente na Europa” – Alceu Moreira, deputado federal

Estratégia

Além disso, informa o deputado, a FPA está discutindo com o governo, por meio do Itamaraty, uma estratégia para o Brasil ser proativo na relação com a imprensa internacional. Uma das ideias, antecipa, é ter um grupo de profissionais em cada uma das embaixadas mais importantes para dar resposta imediata sempre que surgir um fato que possa comprometer a imagem do país.

“Não estamos apenas nos queixando dos nossos concorrentes, mas queremos mostrar o que é verdade e o que é mentira [sobre o Brasil] em todos os lugares, principalmente na Europa, que consegue fazer essa comunicação ter eco em todo o mundo.”

O parlamentar destaca ainda que as ações voltadas aos parceiros internacionais não tiram do Brasil a responsabilidade de proteger a Amazônia. “Não basta rebater as acusações dos países europeus. Também temos que demonstrar, por parte do governo, que estamos preocupados e queremos cada vez mais reduzir as queimadas e os desmatamentos.”

O agronegócio, afirma Alceu Moreira, não é só frontalmente contrário ao desmatamento ilegal como se coloca à disposição do governo para fiscalizá-lo. “Nós temos a compreensão que desmatamento não é caso de política, mas de polícia.”

 

 

 

 

 

 

  

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: