Vídeo: Ministra garante a deputado gaúcho apoio aos produtores de leite
“Temos que dar previsibilidade aos produtores de leite para que eles saibam que estão recebendo o custo [de produção] mais alguma coisa para viver”, disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, nesta quarta-feira 26, durante audiência com o deputado federal Ronaldo Santini (PTB-RS). O parlamentar gaúcho entregou à ministra um ofício com as reivindicações dos pecuaristas do setor leiteiro do Rio Grande do Sul, elaborado em conjunto com o Movimento Construindo Leite Brasil e com o aval da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do RS).
“Para que se tenha uma economia com eficácia, transparência e confiável, precisamos dialogar a respeito da relação comercial da cadeia produtiva de leite, na qual as indústrias de laticínios e supermercados, usando de sua força econômica e alta concentração, vêm submetendo os produtores de leite a um rebaixamento nas suas relações comerciais”, diz oficio encaminhado pelo deputado, que também já foi entregue ao governador do RS, Eduardo Leite e ao secretário de Agricultura do estado, Covatti Filho.
Os produtores gaúchos reivindicam a eliminação da vulnerabilidade à flutuação de preços; efetivação das INs 76 e 77, que tratam da qualidade do leite, a fim de que o país possa passar a exportar em maiores volumes; infraestrutura (principalmente estradas de acesso às propriedades em boas condições e fornecimento de energia elétrica sem interrupções); inclusão do leite na merenda escolar; reanálise dos benefícios fiscais concedidos às empresas importadoras de lácteos; e marketing positivo para o consumo de leite e derivados.
Além disso, os produtores de leite do RS pedem novas regras para licitações do setor; plano estadual para desenvolvimento da cadeia láctea – sem ônus para o produtor de leite; e desoneração da cadeia produtiva do leite. Reivindicam ainda que países que exportam lácteos para o Brasil cumpram exigências econômicas e socioambientais semelhantes às que são seguidas pelos produtores brasileiros.
“Ninguém pode pagar para trabalhar”
Tereza Cristina ressaltou que o Ministério da Agricultura está trabalhando para construir um melhor ambiente de negócios para os produtores de leite. “Começamos com a abertura de novos mercados, que está se estruturando.” Ao enfatizar a necessidade de dar previsibilidade de preço aos produtores, a ministra afirmou: “Ninguém pode pagar para trabalhar. E hoje o produtor de leite paga para trabalhar.”
A ministra destacou ainda que conhece a situação enfrentada pelos produtores de leite do RS e do restante do país. “A gente sabe dos vários problemas estruturais, mas vamos fazer algumas ações juntos para que possamos tentar, enquanto esse mercado não se estabiliza, melhorar um pouco a vida dos produtores de leite, que trabalham 365 dias por ano.”
Segundo ela, o Mapa avaliará quais as ações que podem ser tomadas agora. “Podem ter certeza que vamos ver o que é possível [fazer] neste primeiro momento e ir trabalhando numa perspectiva de mais longo prazo para que este setor saia fortalecido como outros da agropecuária brasileira”, declarou a ministra, que gravou um vídeo com Ronaldo Santini.
Abaixo, a integrado do ofício do deputado Santini:

Of.Gab.Par. 258/2019
A Sua Excelência a Senhora
Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias
Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil
Esplanada dos Ministérios
Bloco D, 8º andar, Sala 816
Brasília-DF
Assunto: Manifesto do movimento dos produtores de leite.
Senhora Ministra,
Cumprimentando-a Vossa Excelência cordialmente, encaminho pauta do movimento Construindo Leite Brasil, para formalizar o posicionamento e os encaminhamentos dos produtores de leite.
Cabe informar que somos favoráveis a mudanças para o avanço da economia gaúcha e brasileira, porém, entendemos, para que se tenha uma economia com eficácia, transparência e confiável precisamos dialogar a respeito da relação comercial da Cadeia Produtiva de Leite, a qual as indústrias de laticínios e supermercados, usando de sua força econômica e alta concentração, vem submetendo os produtores de leite a um rebaixamento nas suas relações comerciais.
Portanto, vimos para começarmos um diálogo conforme pauta:
- Preço do Leite -> Medidas para eliminação da vulnerabilidade à flutuação de preços;
- IN’s 76 e 77 -> Efetivação -> Exportação;
- Infraestrutura -> Energia Elétrica -> Estradas;
- Políticas públicas -> Produção de Leite -> Merenda escolar;
- Benefícios fiscais das empresas importadoras de leite (reanalisar);
- Marketing positivo -> Consumo leite derivados;
- Licitações -> Novas regras;
- Plano estadual para desenvolvimento da cadeia láctea – sem ônus para o produtor de leite;
- Desoneração da cadeia produtiva do leite;
- Importação -> Similaridade às exigências mercado interno.
Certo da compreensão e aquiescência ao exposto, renovamos nossos votos de elevada estima e consideração.
Atenciosamente,
Joel Dalcin Alberto Rafael Hermann Leonel Fonseca
Produtor de Leite Produtor de Leite Produtor de Leite
SANTINI
Deputado Federal – PTB/RS

