Covid-19: Governador de Goiás critica Bolsonaro e anuncia rompimento

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Ronaldo Caiado durante pronunciamento – Reprodução/Facebook

O governador Goiás, Ronaldo Caiado, fez duras críticas, em pronunciamento nesta quarta-feira 25, ao discurso do presidente Jair Bolsonaro, veiculado em cadeia nacional na noite dessa terça-feira 24. Pouco depois, em entrevista à jornalista Natuza Neri, da GloboNews, o governador anunciou o rompimento com o Bolsonaro, de quem foi um dos primeiros apoiadores: “Não tem mais diálogo com este homem. As coisas têm que ter um ponto final.”

Assiste ao vídeo do pronunciamento do governador goiano:

Caiado garantiu que prevalecerá em Goiás – um dos principais polos agrícolas do Brasil – o decreto que fecha comércio, indústrias, escolas e outras atividades não essenciais, independentemente da posição do Palácio do Planalto, neste momento de pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

“O estado de Goiás e os 7,2 milhões de goianos cumprirão o decreto”, disse Caiado. “As decisões do presidente da República não irão alcançar o estado de Goiás. Seguiremos as recomendações da OMS [Organização Mundial da Saúde] e do corpo técnico do Ministério da Saúde”, reiterou, durante pronunciamento no Palácio Pedro Ludovico Teixeira.

Caiado citou dispositivos constitucionais e disse que, caso haja posição contrária do governo federal, recorrerá aos outros poderes para que sejam cumpridas as decisões do estado de Goiás. “Se tiver que tomar decisões a nível nacional, tomarei com STF e Congresso.”

Colapso econômico e preservação das vidas

O governador ainda criticou o pronunciamento de Bolsonaro. Segundo Caiado, a fala do presidente coloca a economia à frente das vidas das pessoas. “Usar a tese que teremos colapso econômico de grandes proporções é querer colocar na balança a vida e a sobrevivência da economia. Podemos fazer as duas coisas e cabe um líder criar condições de diminuir as dificuldades.”

“Eu, como médico e governador do estado, não posso concordar com um presidente que vem a público, sem ter consideração com os seus aliados, sem ter respeito com os seus aliados. Fui aliado de primeira hora, fui aliado durante todo o tempo, mas não posso admitir que venha agora um presidente da República lavar as mãos e responsabilizar outras pessoas por um colapso econômico ou uma falência de empregos que amanhã venha acontecer. Não faz parte da postura de um governante”, disparou Caiado.

Questionado sobre como fica a relação com o presidente, Caiado se resumiu a dizer: “Falarei por comunicados oficiais”.

Da redação, com Diário de Goiás e G1

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