Compras de arroz e preço atingem recorde nominal, diz Cepea

Foto: Irga/Gov.RS

Ao longo de abril, os preços de arroz em casca seguiram em alta no Rio Grande do Sul, maior estado produtor do Brasil, renovando os patamares recordes nominais da série histórica do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, iniciada em 2005. Nem mesmo a proximidade da finalização da colheita foi suficiente para segurar as reações positivas de preços.

“O fato é que, diante dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, desde março, consumidores do produto beneficiado passaram a adquirir volumes maiores, forçando o varejo a se abastecer do atacado e, por sua vez, dos engenhos beneficiadores”, destaca a quarta edição especial temática “Coronavírus e o Agronegócio”, do Cepea, divulgada nesta quarta-feira 29.

Pesquisadores do Cepea indicam que, em alguns casos, agentes apontaram vendas sendo triplicadas no período, com o atacado e o varejo visando formar estoques. “Os preços obtidos com as exportações também estavam em elevação, impulsionados pela maior taxa de câmbio, o que mantém o interesse de vendedores. Porém, produtores se mostraram retraídos, apostando na continuidade dos aumentos nos preços. A postergação de pagamentos de dívidas, anunciada pelo governo, favoreceu as ações vendedoras”, informa a nota.

Apesar deste cenário, a compra do arroz beneficiado pode se desacelerar no médio prazo, por conta do aumento nos estoques, inclusive por parte dos consumidores finais, o que resultaria em desaquecimento da demanda pelo casca, alertam pesquisadores do Cepea.

Indicador

“O Indicador do arroz em casca ESALQ/SENAR-RS atingiu o maior patamar nominal neste mês de abril de 2020. Já em termos reais (ou seja, considerando-se a inflação para o período, com base no IGP-DI até março/20), o Indicador atual é apenas o maior desde fevereiro/17, sendo que, naquele período, havia baixo estoque de passagem, após a redução da oferta na safra anterior. A maior média real, de R$ 68,09/sc, foi registrada em maio de 2008”, observa o Cepea.

Conjuntura

No agregado do Brasil, assinala o centro de pesquisas da Esalq/USP, a área com arroz decresce desde o ano-safra 2004/05. Na temporada atual, a área de cerca de 1,8 milhão de hectares é equivalente a 43% daquela que foi cultivada em 2004/05. Desde então, a oferta total teve redução de 21,3%, conforme dados da Conab.

“A redução da área com arroz certamente tem relação com a perda de competitividade perante outras culturas concorrentes em terras para plantio. Segundo dados da equipe de custos agrícolas do Cepea, o patrimônio investido em arroz no Rio Grande do Sul não foi remunerado ao longo das safras 2009/10 e 2018/19”, pontua a quarta edição temática do “Coronavírus e o Agronegócio”.

Quanto ao consumo per capita, tomando-se como base dados do IBGE, verifica-se forte redução no volume relacionado ao consumo domiciliar entre os dados da POF 2007-2008 e a POF 2017-2018, diz o Cepea. “Enquanto no primeiro período eram consumidos 26,5 kg per capita anual de arroz no domicílio, em 2017-2018, caiu para 19,76 kg per capita anual, redução de mais de 25% no período (IBGE)”, ressalta o Cepea.

Clique aqui e confira o relatório completo.

Do Cepea

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