Não é hora de aumentar área de cultivo de arroz, alerta Federarroz

Os orizicultores gaúchos não devem aumentar a área de produção sem que antes o setor conquiste novos mercados para ter preços mais sustentáveis. O alerta foi feito pelo presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, durante live com a participação do vice-presidente da entidade, Roberto Fagundes, e o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB/RS).

“Não podemos plantar em áreas que não tenham alta produtividade, além de um custo melhor. Por isso, não podemos pensar em aumentar área antes de buscar novos mercados e ter preços mais sustentáveis para o produtor”, disse Velho. A live promovida pela Federarroz tratou de temas como a safra de arroz 2020/2021, as perspectivas de mercado, as exportações e a produção orizícola no RS. Cerca de 230 pessoas acompanharam o evento virtual.

Na abertura do evento virtual, Velho destacou a necessidade de diversificar as culturas para ter equilíbrio de custos e gerar renda ao produtor. Ele também citou a projeção de aumento de 5% no consumo do cereal em 20%. “Falamos de um novo patamar do arroz. Refiro-me não só a um novo patamar de preço ao produtor e ao consumidor, mas em relação à gestão dos nossos negócios e à produtividade, o que está ligado à rotação de culturas.”

Sobre exportações, o dirigente informou que o México já comprou 60 mil toneladas e há a perspectiva de embarcar ainda 200 mil toneladas nos próximos meses. “O México importa 800 mil toneladas anuais, a maior parte dos Estados Unidos. Precisamos aproveitar essa brecha do câmbio e da entressafra americana e ocuparmos parte deste espaço, pois a qualidade do arroz brasileiro é superior à do americano.”

O vice-presidente da Federarroz também reforçou o alerta sobre expansão de área cultivada. Segundo Fagundes, o produtor tem que se conscientizar que um aumento de área pode prejudicar o setor no próximo ano. “Este ano, está sendo positivo. Por isso, é preciso fazer um planejamento melhor de negócio na aquisição dos insumos.”

Plantador de risco

Para o deputado Alceu Moreira, o grande problema da agricultura é o plantador de risco, que não faz conta nenhuma, pega financiamento e planta. “Este, quando chega na época da colheita, já está completamente endividado. Ele não tem condições de fazer nenhum tipo de barganha e precisa entregar o arroz, deixando o preço defasado, prejudicando quem tem o controle do negócio na mão.”

O parlamentar também concordou com o alerta da Federarroz sobre o risco de aumentar a área no próximo período, sem ter garantia da ampliação no mercado global. “Se aumentarmos em 10% a área de arroz na próxima safra, teremos preços abaixo de R$ 60 a saca. Não temos ainda velocidade de exportação. Precisamos criar estrutura para a venda de arroz no mercado internacional.”

O presidente da FPA falou ainda sobre endividamento, citando conversa que teve com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O produtor, assinalou o deputado, se endividou pela circunstância econômica do país, porque o custo de produção dele era maior que o valor de venda do produto.

“O produtor é uma máquina produtiva. Se trazê-lo de volta ao crédito formal e der mecanismos de política agrícola, ele vai gerar emprego e renda”, afirmou. “O agricultou [endividado] só não sobreviveu porque passou quatro anos com custo acima dos preços.”

Um modelo em estuado, de acordo com Moreira, é transformar as dívidas em Cédula de Produto Rural (CPR) e levar ao BNDES, que compraria o débito. “A responsável pela dívida é a revenda ou a cooperativa, porque ela sabe quem é o produtor sério e competente, que está nessa situação por outro motivo.”

Clique aqui para assistir à live.

 

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