Aprosoja recebe denúncia de ferrugem asiática em áreas experimentais no vazio sanitário

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) informa que recebeu denúncia anônima de focos de ferrugem asiática da soja em cultivos excepcionais realizados dentro do vazio sanitário, em campos experimentais localizados nos municípios de Lucas do Rio Verde e Sorriso.

Conforme a denúncia, segundo a Aprosoja, as áreas pertenciam às empresas Limagrain, Syngenta e TMG. Esta última, diz a Aprosoja, mantém em seu quadro societário representantes acionistas dos grupos Amaggi e Bom Futuro, pertencentes, respectivamente, ao ex-governador Blairo Maggi e ao seu primo Eraí Maggi, considerado o “Rei da Soja”.

De acordo com a Aprosoja, o período do vazio sanitário é sagrado para os produtores e tem a função de reduzir a presença do fungo causador da ferrugem asiática nas lavouras mato-grossenses. “A própria Embrapa Soja ressalta que o vazio sanitário é o período de no mínimo 60 dias sem a cultura e plantas voluntárias no campo. E que este período proibitivo tem por objetivo reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença na safra”, pontua a entidade.

Por meio do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea-MT), o governo de Mato Grosso, conforme a Instrução Normativa Conjunta Sedec/Indea-MT nº 002/2015, autoriza, no artigo 7º, cultivos excepcionais de soja dentro do vazio sanitário, para fins de melhoramento genético, assinala a Aprosoja. “E, de acordo com a denúncia recebida pela Aprosoja, somente para o cultivo excepcional da TMG foi autorizada uma área de 100 hectares, contrariando a própria instrução normativa, que limita esses cultivos a cinco hectares”, acrescenta a entidade.

Para a Aprosoja, jamais deveria haver cultivos dentro deste período proibitivo, ainda que para fins de pesquisa, já que isso causa a chamada “ponte verde”, que favorece à proliferação e à mutabilidade do fungo da ferrugem asiática. “Esses cultivos experimentais para fins de melhoramento podem perfeitamente ser feitos fora do período proibitivo, já que esta é a ferramenta mais eficaz para reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática, como a própria Embrapa Soja destaca. E mais: antes da implantação da IN nº 002/2015, estes cultivos excepcionais deveriam ser colhidos até 31 de julho, mas, após essa normativa, agora se permite suas colheitas até o mês de setembro, causando proliferação do fungo na safra comercial”, salienta a associação.

“O que causa revolta aos produtores de soja de Mato Grosso, pincipalmente aos pequenos, que representam quase 80% do total no Estado, é o fato destes serem tolhidos de fazerem sua semente para uso próprio em um período mais propício, como está sendo comprovado com os plantios experimentais no mês de fevereiro, os quais são colhidos antes do período do vazio sanitário, possuem menos severidade de ferrugem asiática e contam com significativa redução do número de aplicações de fungicidas, propiciando, desta forma, menos impacto fitossanitário e ambiental. Isto demonstra que somente uma pequena parte privilegiada do Estado, que representa menos de 1% dos produtores, pode realizar cultivos experimentais, inclusive dentro do período proibitivo do vazio sanitário, e autorizados pelo próprio Estado, não importando se causam mais danos ambientais e prejuízos fitossanitários”, afirma a Aprosoja.

Conforme a associação, a diretoria da entidade solicitou duas vezes ao Indea-MT a relação de nomes das instituições e respectivas áreas de plantio excepcional individualizadas por tamanho e  por experimento, de todo e qualquer cultivo de soja autorizado durante o período do vazio sanitário, “bem como sua participação, na pessoa de um representante técnico, para acompanhar as fiscalizações/inspeções do Indea-MT, referentes a esses cultivos excepcionais. Todavia, até o presente momento, a relação não foi fornecida e, ainda, a Aprosoja teve sua participação para o acompanhamento destes plantios negada pelo órgão de defesa agropecuária”, relata a associação.

“Tendo em vista a negativa de sua participação para acompanhar esses cultivos excepcionais, a Aprosoja pergunta: Qual seria o destino dos grãos cultivados dentro do vazio sanitário por essas grandes multinacionais? Seriam destinados à comercialização como sementes?”.

*Com informações da Aprosoja/MT e da Gazeta Digital

 

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