Pesquisadora alerta: Crise hídrica e desmatamento podem afetar agricultura

Foto: Agência Brasil

O desmatamento de florestas, especialmente da Amazônia, agrava a crise hídrica enfrentada no Brasil e pode afetar a agricultura, ao provocar falta de chuva e gerar estiagens prolongadas. O alerta é da pesquisadora e professora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Laura de Simone Borma, e feito durante o 35º Encontro Estadual de Professores e 8º Congresso Nacional de Ensino Agrícola.

Em formato virtual, o evento foi promovido pela Associação Gaúcha dos Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea) em parceria com o Programa de Inovação Pedagógica (Proipe), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Em painel realizado na última quinta-feira 26, Laura abordou o papel das matas na regulação das águas e do clima no país. Ele explicou ocorre a absorção e escoamento da chuva nessas áreas, a fim de manter um equilíbrio entre os períodos de seca e os mais úmidos.

Com o desmatamento, enfatizou, o solo fica nu e desprotegido, mais sensível à erosão e sem poder de absorver a mesma quantidade de água. Isso, assinalou, interfere nos lençóis freáticos e no volume dos rios, bem como na fertilidade da terra. Enfatizou ainda que, sem as árvores, o vapor d’água não volta para a atmosfera, o que reduz as chuvas e aumenta a temperatura do ambiente.

“A aceleração do ciclo hidrológico como resultado vem sendo discutido não só na comunidade científica. Quem trabalha com agricultura sabe bem o que significa um mês a mais de seca para as lavouras”, ponderou, reforçando que, no caso da Amazônia, os efeitos da estiagem são e serão sentidos nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

A pesquisadora ainda comentou que, mesmo quando há reflorestamento, é preciso estudar e criar uma biodiversidade. “Uma grande preocupação com as monoculturas é que elas não são resistentes a nenhum evento extremo. Na revegetação, devemos pensar em como combinar as espécies para termos melhor reserva de água, criar um sistema integrado.”

Segundo ela, ao se buscar resolver um único problema, outros podem surgir. “Sempre que se mexe na terra, temos que entender que há componentes ambientais e humanos. A equação envolve muitas variáveis. As agroflorestas são uma alternativa interessante.”

Sobre a crise hídrica, Laura enfatizou que é difícil estabelecer uma relação completa de causa e efeito, uma vez que o país tem muita água e distribuição desigual. “Há também muito desperdício e contaminação. Falamos aqui de quantidade e qualidade do que temos e consumimos.”

Apesar das perspectivas futuras não serem otimistas, pontuou, o olhar global para o tema está mudando. “Temos que criar modelos bons o suficiente para não precisarmos desmatar, a fim de termos atividades econômicas sustentáveis. Até mesmo porque, com ainda mais seca, nenhuma atividade se torna viável. Temos todos que encontrar juntos uma solução, inclusive com os agricultores.”

 

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