Expansão de cultivos de inverno pode injetar R$ 12 bi na economia gaúcha

Foto: Pedro Scheeren/Embrapa/Divulgação

Os cultivos de inverno no Rio Grande do Sul representam apenas 17% da área plantada no verão. Diante disso, a Farsul e a Embrapa estão propondo alternativas para que os agricultores possam expandir a produção nesse período. O melhor uso do inverno em lavoura e/ou pecuária pode trazer um incremento de R$ 12 bilhões na economia gaúcha, gerando cerca de 24 mil empregos, segundo análises do economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz.

“Estamos perdendo potencial econômico no Rio Grande do Sul”, sentenciou Antônio da Luz, durante reunião promovida pela Farsul, na última quarta-feira (10), para debater as oportunidades para alavancar os cultivos de inverno.

Segundo ele, em grãos, o estado faz uma safra de verão e uma minúscula safra de inverno. Na produção animal, assinalou, o RS diminui o rebanho bovino em -0,5% ao ano, com um tímido crescimento no rebanho suíno de +1,4%/ano e de aves com +2,36%/ano.

“É preciso investir no tripé produção de grãos – produção animal – produção industrial. Não é apenas ter mais grãos ou mais carne. Estamos falando de desenvolvimento econômico, gerando empregos e renda”, enfatizou Antônio da Luz.

Este cenário embasou a elaboração do projeto “Duas Safras”, que conta com a parceria Farsul, Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e Embrapa. Conforme Gedeão Pereira, presidente da Farsul, o objetivo do projeto é “ajudar no crescimento e desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, a partir da produção agrícola em duas safras e a sincronização entre produção agrícola e pecuária, de modo que o estado volte a crescer, no mínimo, às taxas médias do país em produção de proteína animal”. Clique aqui para saber mais sobre o projeto aqui.

Potencializando a renda no inverno

Durante a reunião, a Embrapa Trigo apresentou os trabalhos de pesquisa voltados ao suporte do setor produtivo nos cultivos de inverno. “A Embrapa Trigo trabalha com três metas: aumentar a geração de renda com os cultivos de inverno; aumentar o lucro por hectare para retorno na capitalização do produtor; e garantir a sustentabilidade nas áreas de produção agropecuária”, explicou o engenheiro agrônomo Giovani Faé.

Além de apresentar o portfólio com as diversas opções para cultivo no inverno, tendo por objetivo os mais variados usos no mercado, Faé destacou o trabalho da pesquisa visando reduzir custos na produção de trigo através do manejo eficiente com genética de qualidade.

O experimento, realizado na safra de inverno 2020 em 20 áreas expositivas do Rio Grande do Sul, demonstrou que é possível diminuir a quantidade de sementes por hectare sem perder potencial produtivo de grãos. Na avaliação dos resultados, verificou-se que não houve diferença em produtividade de grãos nas densidades de 200, 300 e 400 plantas por metro quadrado. Além disso, a população final média de plantas de 250 plantas por metro linear pode permitir economizar R$140,00/ha em sementes.

Para validar a tese de que é possível diminuir o número de aplicações de fungicida sem perder potencial produtivo de grãos, foi conduzido um ensaio na Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS) visando avaliar a resposta genética ao manejo fitossanitário em trigo.

O estudo foi realizado em parcelas subdivididas com três repetições e três tratamentos: sem fungicida, uma aplicação de fungicida no espigamento e quatro aplicações calendarizadas de fungicida. Foram utilizadas oito cultivares de trigo de diferentes obtentores. Cultivares com resistência genética a doenças permitiram redução de até R$ 275,00/ha com fungicidas na safra 2020.

Na conclusão do trabalho, foi possível demonstrar que é possível reduzir o custo de produção em aproximadamente R$ 400,00 por hectare sem perder potencial produtivo de grãos.

Outra linha de pesquisa que está andamento na Embrapa Trigo é a avaliação de uma terceira safra no período de outono, além da safra de inverno e de verão. “A ideia é permitir que logo após a saída da cultura de verão possamos semear uma cultura de grãos ou forragem para gerar renda antes da entrada do trigo e outros cereais de inverno. Seriam três safras por ano no Rio Grande do Sul, intensificando as áreas com geração de renda e sustentabilidade do sistema produtivo”, pontoui Faé.

Seguindo o tema proposto para o encontro “Alternativas de desenvolvimento do RS através do agro”, as unidades da Embrapa no Rio Grande do Sul (Pecuária Sul e Clima Temperado) e em Santa Catarina (Suínos e Aves) também apresentaram projetos e estruturas de pesquisa que poderão servir de apoio para gerar resultados na parceria com a Farsul e ABPA. A próxima reunião para definir as ações do projeto Duas Safras ficou agendada para o dia 24 de março.

Da Embrapa Trigo

AGROemDIA

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