Crise no setor leiteiro: Fetag-RS rompe com o Conseleite

A Fetag-RS anunciou nesta quarta-feira (17), por meio de nota, o rompimento com o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite-RS). Por isso, não participará das reuniões do Conseleite-RS “enquanto a metodologia de formação e divulgação do preço de referência não for modificada.”

Segundo a Fetag-RS, o preço de referência do leite definido pelo Conseleite está muito defasado em relação aos custos dos produtores para se manter na atividade.  “Os produtores cumprem as exigências de qualidade do leite do Ministério da Agricultura para comercializarem o seu produto. Entretanto, são remunerados de forma extremamente desigual pelas indústrias”, diz a nota.

De acordo com a Fetag-RS, a “prática de remuneração por quantidade, e não por qualidade, é um dos principais fatores de exclusão de famílias da atividade e que beneficia apenas as indústrias que impulsionam a concentração da produção.”

Leia, abaixo, a íntegra da nota da Fetag-RS:

“A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) vem a público externar a todos os produtores de leite os motivos pelo qual não irá mais participar das reuniões do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite-RS), enquanto a metodologia de formação e divulgação do preço de referência não for modificada.

É público e notório que o Conseleite vem perdendo a sua credibilidade ao divulgar um preço de referência extremamente defasado do que realmente é praticado no campo. Há muito tempo, as entidades que representam os produtores vêm alertando para que isso seja revisto. A divulgação do preço de referência, nos patamares de hoje, não contribui em nada para a manutenção de uma cadeia produtiva tão relevante como a pecuária leiteira.

Outro ponto que é necessário ressaltar é que todos os produtores cumprem as exigências de qualidade do leite do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para comercializarem o seu produto. Entretanto, são remunerados de forma extremamente desigual pelas indústrias. Há uma diferença média de R$ 0,40 que em alguns municípios pode chegar até R$ 0,90. Esta prática de remuneração por quantidade e não por qualidade é um dos principais fatores de exclusão de famílias da atividade e que beneficia apenas as indústrias que impulsionam a concentração da produção.

Além deste tratamento desigual, o produtor de leite não estabelece preço para o seu produto. Depois de entregar o leite para a indústria, a família irá saber por quanto foi comercializado apenas 45 dias depois. Prática que deixa os produtores em extrema insegurança para adquirir os insumos para produzir e para saber se sobrará alguma renda naquele mês.

A posição da Fetag-RS, ratificada pela Comissão Estadual do Leite da Federação, é por todos os produtores que desempenham uma das atividades mais penosas da agricultura e da pecuária. Estes produtores que não têm feriado, final de semana e muito menos folga durante os 365 dias do ano e que agora visualizam sua renda esvair-se frente ao maior custo de produção da história do setor.

Desde o início do ano de 2020, o preço da ureia foi reajustado em torno de 200%, o do adubo em 180%, o da ração em 60% e vários defensivos para formação de pastagens e silagem em torno de 250%. Frente a isto, nos meses de outubro e novembro vários produtores tiveram uma redução de até R$ 0,40 por litro, tornando insustentável a permanência na atividade.

A Fetag-RS alertou sobre o problema e pediu soluções diversas vezes, porém não foi atendida. Sendo assim, não nos resta outra alternativa além de deixar as reuniões do Conseleite.

Salientamos ainda que no próximo dia 22, às 14h, no auditório da Fetag-RS, estaremos discutindo juntamente com a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e com a Frente Parlamentar da Agropecuária da Assembleia Legislativa a forte alta nos custos de produção da cadeia produtiva, que atinge todas as culturas, dentre elas o leite.”

 

AGROemDIA

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