Estudo inédito mostra cenário da cultura de feijão em Mato Grosso

Foto: Cenio Araujo/Embrapa

Mato Grosso é hoje o quarto maior produtor brasileiro de feijão, atrás PR, MG e GO.  O estado cultiva as variedades carioca, caupi e preto em uma área de 156 mil hectares. A leguminosa tem um ciclo curto, de 75 a 95 dias, e até três safras ao ano. A terceira, entre maio e julho, é feita em lavoura irrigada. É o que mostra estudo inédito feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e a Associação dos Produtores de Feijão, Trigo e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir).

Lançado durante o “Pulse Day”, realizado nesta semana em Brasília, o estudo “A importância da produção de feijão em Mato Grosso” traz informações sobre o mercado da cultura, avaliando os seus impactos sociais e econômicos em Mato Grosso.

Conforme o estudo, o Valor Bruto da Produção (VBP) de feijões em MT alcançou cerca de R$ 1 bilhão na safra 2020/2021. O setor é responsável pela geração de mais de 2.371 empregos diretos, com salário médio de R$ 2.735,41, contribuindo para a formação R$ 84,31 milhões de renda anual para a economia local. Além disso, a cadeia arrecada R$ 34,36 milhões para o estado.

Até então, não havia sido feita no país uma pesquisa dessa magnitude sobre a cadeia do feijão. O documento traz dados sobre o setor nas áreas econômica e social, geração de emprego e renda em Mato Grosso, no Brasil e no mundo”, diz o superintendente do Imea, Cleiton Gauer.

“Com o estudo, conseguimos mostrar para o segmento o quão importante é a cadeia do feijão, enquanto atividade econômica do meio rural, tanto para Mato Grosso como para todo o Brasil”, assinala o diretor executivo da Aprofir, Afrânio Cesar Migliari.

“Mostramos a necessidade de investimentos, visto que o setor não tem e faltam incentivos diretos por parte do governo para continuar a produção dessa cultura que vai parar diretamente na mesa do consumidor. O Brasil é um grande consumidor de feijão. A leguminosa faz parte da cultura dos brasileiros”, acrescenta Migliari.

Segundo a coordenadora de Desenvolvimento Regional do Imea e responsável pelo estudo, Vanessa Marina Gasch Harris, de modo geral, esses indicadores contribuem para melhores índices de desenvolvimento social e econômico nos principais municípios produtores.

“Verificamos que Mato Grosso pode fechar a temporada 2020/2021 como maior exportador da leguminosa, respondendo por 63% dos embarques nacionais totais do produto rumo ao exterior”, estima a coordenadora.

A expectativa é que o consumo mundial de pulses cresça 21,2% até 2030, alcançando 111 milhões de toneladas. Atualmente, a exportação absorve 54% da produção mato-grossense, estimada pelo IBGE em 232,77 mil t no ciclo 2020/2021. O consumo interno representa 19% do feijão cultivado em MT, sendo que 27% são comercializados para outros estados brasileiros.

Irrigação

O ciclo curto do feijão permite que o produtor tenha mais opções do período do cultivo, aproveitando os pivôs usados em outras culturas e, consequentemente, consegue aumentar a rentabilidade.

De acordo com o Atlas da Irrigação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), estima-se que MT é o estado com maior percentual de área adicional irrigável, o que pode contribuir para a expansão do cultivo de terceira safra de feijão estado.

Apesar do potencial produtivo, ainda há alguns gargalos que precisam ser superados, como o acesso à energia elétrica em algumas regiões do estado para possibilitar o avanço da irrigação, enfatiza a Aprofir.

“A cultura do feijão tem grandes desafios para se desenvolver no futuro. Ela vem crescendo nos últimos anos, chegou a perder um pouco de espaço nas últimas safras, mas tem uma relevância muito grande para as áreas irrigáveis”, sublinha Cleiton Gauer.

“Os desafios que observamos dentro da porteira”, prossegue o superintendente do Imea, “são o aumento de produtividade e de competitividade com outras culturas para que realmente o produtor fomente as áreas cultivadas de feijão nas propriedades.  Fora da porteira, ainda temos o gargalo logístico, mercado consumidor e saber quais são as tendências deste mercado.”

Clique aqui para ler a íntegra do estudo “A importância da produção de feijão em Mato Grosso”

 

AGROemDIA

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