Relatório aponta uso no Brasil de pesticidas proibidos na União Europeia

Foto: Divulgação/Embrapa

O Brasil é destaque de um novo relatório de grupos ambientalistas alemães sobre uso de pesticidas no mundo e suas consequências para a saúde humana e o meio ambiente.  Segundo o texto, desde 1990, a utilização mundial de agrotóxicos cresceu 80%. “Um dos pontos abordados é o uso por países em desenvolvimento, como o Brasil, de pesticidas com substâncias consideradas altamente tóxicas e proibidas na União Europeia (UE)”, informa a agência de notícias alemã DW.

“O Brasil, país que está em terceiro lugar no mundo em utilização de defensivos agrícolas, importa a maioria dos ingredientes ativos de pesticidas do exterior, inclusive de países da UE”, diz o relatório, de acordo com a reportagem da DW Brasil.

“Em 2019, estiveram entre eles pelo menos 14 ingredientes ativos altamente perigosos que não são mais permitidos na UE, como, por exemplo, Fipronil da Basf, altamente prejudicial a abelhas, e o clorpirifós, da portuguesa Ascenza Agro, altamente tóxico por seus efeitos neurológicos.”

O relatório aponta ainda o uso no país “da perigosa cianamida, da alemã Alzchem, e a propineb, que prejudica a função sexual e a fertilidade, da Bayer. Outra substância que chega ao Brasil é o epoxiconazol, da Basf, que desde abril de 2020 não é permitido na UE”.

O texto, de 50 páginas, aponta como uma das causas do uso dessas substâncias o fato de a legislação brasileira ser branda em relação aos limites de toxicidade nos resíduos em alimentos.

“O Brasil impõe à sua população limites para resíduos tóxicos em alimentos que às vezes estão duas ou três vezes, e em alguns casos 100 vezes acima dos valores máximos permitidos na UE”, enfatiza o estudo. “Em 2019, segundo dados oficiais brasileiros, 23% das amostras excederam os valores máximos permitidos de resíduos, que já são altos.”

“Também resíduos de substâncias proibidas na UE, mas permitidas no Brasil foram encontrados em grãos, frutas e vegetais brasileiros. Através da exportação, esses resíduos chegam também a outros países”, acrescenta o trabalho.

Crescimento da safra

O alto uso de defensivos na agricultura brasileira nem sempre se traduz em crescimento da safra, conforme os autores do relatório. “No Brasil, o uso de herbicidas (especialmente do glifosato) triplicou no cultivo de soja entre 2002 e 2012, chegando a até 230 mil toneladas por ano. Mas, apesar do aumento na quantidade de agrotóxico aplicado, os rendimentos por hectare aumentaram apenas cerca de 10%”, ressalta o texto.

O trabalho, intitulado Pestizidatlas 2022 (Atlas dos pesticidas 2022), foi apresentado nessa quarta-feira (12), em Berlim, pela Fundação Heinrich Böll, entidade próxima ao Partido Verde, em cooperação com a filial alemã do grupo ambientalista Amigos da Terra e o jornal Le Monde Diplomatique.

Ventos alastram pesticidas

Segundo o Atlas, os pesticidas são espalhados pelo vento, chegando a percorrer centenas de quilômetros. O uso de pesticidas tem consequências para todos: as toxinas afetam rios e lençóis freáticos. Insetos, pássaros e animais aquáticos morrem intoxicados, e a biodiversidade fica ameaçada. Além disso, muitas vezes resíduos são encontrados nos alimentos. Os pesticidas já podem ser detectados na urina de muitas pessoas.

Os pesticidas, conforme o estudo, causam doenças crônicas. “Estudos mostram, por exemplo, uma conexão com doença de Parkinson, diabetes tipo dois ou certos tipos de câncer”, diz a engenheira agrônoma Susan Haffmans, da rede Pestizid Aktions-Netzwerk, que desempenhou um papel de liderança no desenvolvimento do relatório.

“Eles [os pesticidas] também estão associados a asma, alergias, obesidade e distúrbios das glândulas endócrinas, bem como abortos e deformidades em regiões particularmente afetadas”, acrescenta Susan Haffmans.

Clique aqui para ler na íntegra da reportagem da DW Brasil

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