Exportação de café do Brasil recua 11,8% em janeiro, mas receita é recorde

Foto: Paulo Lanzetta/Embrapa

As exportações de café do Brasil totalizaram 3,226 milhões de sacas de 60 kg em janeiro deste ano, queda de 11,8% em relação às 3,659 milhões de sacas embarcadas no mesmo período do ano passado. Os dados constam do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Em receita cambial, entretanto, o primeiro mês deste ano apresentou crescimento de 47,5% ante idêntico intervalo de 2021, alcançando US$ 700,1 milhões, o maior valor da história para janeiro.

O presidente da entidade, Nicolas Rueda, pontua que a queda no volume embarcado reflete a continuidade dos gargalos logísticos no comércio marítimo global, cenário sem previsão para correção no curto prazo, e o menor volume de café disponível no atual período.

“Observamos uma leve melhora na oferta de contêineres em janeiro e houve novo registro de embarque via break bulk, em big bags, que segue contribuindo para melhorar o fluxo, mas os espaços nos navios continuam sendo um grande desafio”, assinala.

Ele acrescenta que, além disso, “entramos na entressafra de uma colheita baixa, com redução dos estoques e menor disponibilidade de café, o que é compreensível até que cheguem os grãos da nova safra, entre maio e junho”.

No que se refere à receita cambial recorde para janeiro, o presidente do Cecafé explica que resulta das altas cotações internacionais do grão, que operam em níveis elevados há mais de um ano e puxam os valores no mercado interno.

Além disso, os atuais patamares da taxa de câmbio contribuem para esse desempenho positivo, gerando mais divisas e ampliando a distribuição de renda, uma vez que o Brasil é o país que mais repassa o preço Free on Board (FOB) das exportações aos produtores, segundo cálculos do IPEP-Cecafé.

“O preço médio dos embarques foi de US$ 216,98 por saca, o segundo maior da história para o primeiro mês do ano (US$ 272,36 em janeiro de 2012 é o recorde). Isso é excelente quando pensamos no ingresso de divisas ao Brasil, mas também entra na seara de desafios, além dos logísticos, que os exportadores precisam enfrentar e adequar seus caixas”, pondera.

Ano-safra

De julho de 2021 a janeiro deste ano, as exportações de café do Brasil totalizam 22,872 milhões de sacas, apresentando recuo de 19,4% na comparação com as 28,391 milhões de sacas registradas nos sete primeiros meses da temporada 2020/21.

A receita, contudo, avançou 18,5% na mesma comparação, atingindo US$ 4,173 bilhões ao refletir as elevadas cotações globais. O preço médio nesse período da safra 2021/22 é de US$ 182,43 por saca, 47% superior ao aferido em idêntico intervalo antecedente.

Principais destinos

Em janeiro de 2022, os Estados Unidos mantiveram o posto de principal comprador dos cafés do Brasil. Os norte-americanos adquiriram 710.285 sacas, volume 5,6% inferior ao aferido no mesmo período de 2021, mas que representou 22% dos embarques totais brasileiros no mês passado.

A Alemanha, com representatividade de 16,1%, adquiriu 518.017 sacas (-15,8%) e ocupou o segundo lugar na lista. Na sequência, vêm Bélgica, com a compra de 344.703 sacas (-2,5%); Itália, com 186.154 sacas (-27,3%); e Japão, com a importação de 176.335 sacas (-3,7%).

Portos

O complexo marítimo de Santos (SP) foi o principal exportador dos cafés do Brasil em janeiro de 2022, com a remessa de 2,687 milhões de sacas ao exterior, o que equivale a 83,3% do total. Na sequência, vêm os portos do Rio de Janeiro, que respondem por 13,9% dos embarques ao remeterem 447.466 sacas, e Paranaguá (PR), com a exportação de 20.613 sacas e representatividade de 0,6%.

Tipos de café

O café arábica foi o mais exportado em janeiro de 2022, com o despacho de 2,816 milhões de sacas ao exterior, o que correspondeu a 87,3% do total. O segmento do solúvel teve 318.000 sacas embarcadas, com representatividade de 9,9%, seguido pela variedade canéfora (robusta + conilon), com 89.093 sacas (2,8%) e pelo café torrado e moído, com 3.099 sacas (0,1%).

Cafés diferenciados

Os cafés diferenciados — que possuem qualidade superior ou algum tipo de certificado de práticas sustentáveis — responderam por 17,4% das exportações totais brasileiras do produto em janeiro, com o envio de 559.851 sacas ao exterior. Esse volume, por sua vez, representa crescimento de 11,9% na comparação com as 500.521 sacas embarcadas pelo país no primeiro mês de 2020.

O preço médio desse produto foi de US$ 292,44 por saca, proporcionando uma receita de US$ 163,7 milhões, o que corresponde a 23,4% do total obtido com os embarques no mês passado. No comparativo com janeiro de 2021, o valor é 95,8% superior.

 

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