Gulfood 2022: Oportunidade para o Brasil ampliar negócios com países árabes

Da esquerda para direita: Khalaf Khalaf, Osmar Chahine, Nabil Molla e H.E. Saud Al- Askar na Gulfood 2020 – Divulgação

O mercado árabe é cada vez mais atrativo para o agronegócio brasileiro. Embora já seja o maior exportador de alimentos halal do mundo, o Brasil ainda tem espaço para expandir os negócios com os países do eixo árabe-muçulmano, e as empresas brasileiras veem este potencial em diversos setores, como os dos produtos de maior valor agregado. Uma oportunidade para ampliar as vendas do agro para região é a Gulfood Dubai 2022, maior feira mundial de alimentos halal, que será realizada de 13 e 17 de fevereiro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Os números comprovam o cenário promissor para o Brasil no mercado árabe-muçulmano, de acordo com a certificadora Cdial Halal. Em 2021, ela teve aumento de 53% entre as empresas brasileiras certificadas. Com isso, as certificações das empresas alimentos industrializados tiveram destaque, com 80% de crescimento no ano passado.

As expectativas são otimistas para o mercado halal, que representa quase 1/3 da população mundial e deve movimentar cerca de US$ 5,74 trilhões até 2024, segundo projeções do State of the Global Islamic Economy.

Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apontam que, em 2021, as exportações brasileiras para os 22 países da Liga Árabe somaram mais de US$ 14 bilhões, aumento de 26% em relação a 2020. Só no setor de alimentos, os envios brasileiros somaram US$ 8,92 bilhões em 2021, alta de 9,52% sobre 2020.

A participação na Gulfood é uma forma prospectar novas oportunidades e ampliar as vendas de produtos de valor agregado. “Temos destaque na exportação de proteína animal. Somos líderes na venda de carne de frango halal”, diz o CEO da Cdial Halal, Ali Saifi. “As indústrias brasileiras de diversos setores, como fármacos e cosméticos, entre outros, têm enorme potencial para explorar esse mercado em ascensão. As portas desse mercado estão abertas, porque o Brasil conquistou a confiança dos consumidores de produtos halal.”

Conceito brasileiro

O gerente de Relações Internacionais da Cdial Halal, Omar Chahine, acrescenta que o Brasil ganhou conceito nesse mercado devido à qualidade e o rigor na legislação e produção brasileira, requisitos que contribuem para que as empresas brasileiras obtenham a certificação halal. “O processo de certificação analisa toda a cadeia, como a matéria-prima, insumos, transporte e armazenamento, para garantir, entre outras coisas, que não haja contaminação cruzada com produtos ilícitos, como a carne suína”.

O presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Osmar Chohfi, ressalta que este ano a instituição terá um stand na Gulfood com mais variedade de produtos de alto valor agregado. “Alguns desses produtos são o açaí processado e os molhos saborizados, segundo as preferências do consumidor árabe. Antes vendidos à granel, agora têm certificação halal, como resultado do esforço para estimular as empresas a ofertar cada vez mais produtos processados aos mercados islâmicos.”

Num primeiro momento, o Brasil certificava apenas proteínas, mas hoje há oportunidade para commodities, produtos lácteos, aditivos alimentares, cosméticos, fármacos, entre outros.

“O selo halal não é destinado somente à comunidade muçulmana, mas a toda população que busca por alimentos seguros e com rastreabilidade”, assinala Chanine.

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