Custo de produção do leite em fevereiro sobe 0,76% e preço ao produtor, 0,43%

Foto: Divulgação

O preço do leite captado em janeiro e pago aos produtores em fevereiro chegou a R$ 2,1397/litro na “Média Brasil” líquida, ligeira alta de 0,43% em relação ao mês anterior, mas queda de 2,7% frente ao mesmo período de 2021, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de fevereiro/22). É o que informa a edição de março do Boletim do Leite do Cepea, divulgado nesta sexta-feira (18). Os custos de produção também seguem subindo, com elevação de 2,39% no acumulado do ano (janeiro e fevereiro), o que tem pressionado a margem da atividade leiteira nacional.

“Pesquisas ainda em andamento do Cepea apontam que, para os meses seguintes, o ritmo de alta pode se intensificar, tendo em vista o aumento dos custos de produção e o enxugamento da oferta”, antecipa o Boletim do Leite de março.

Ainda segundo o boletim, o COE (Custo Operacional Efetivo) da pecuária leiteira registrou novo avanço em fevereiro, de 0,76%, na “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP). “Assim, em 2022, os custos de produção já acumulam alta de 2,39%, contexto que segue pressionando a margem da atividade leiteira nacional.”

Sementes forrageiras, suplementos mineiras, adubos e corretivos e concentrados foram os itens que mais pesaram nos custos de produção das propriedades leiteiras.

Leia, abaixo, as análises de Natália Grigol e Caio Monteiro, da Equipe Leite do Cepea, sobre o cenário do setor de leite em fevereiro:

Custos em alta e oferta limitada podem intensificar ritmo de elevação dos preços”

Natália Grigol//Da Equipe Leite do Cepea

O último dado fechado pelo Cepea mostra que o preço do leite captado em janeiro e pago aos produtores em fevereiro chegou a R$ 2,1397/litro na “Média Brasil” líquida, ligeira alta de 0,43% em relação ao mês anterior, mas queda de 2,7% frente ao mesmo período de 2021, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de fevereiro/22). Pesquisas ainda em andamento do Cepea apontam que, para os meses seguintes, o ritmo de alta pode se intensificar, tendo em vista o aumento dos custos de produção e o enxugamento da oferta.

De fevereiro a março, agentes do setor relataram diminuição dos estoques de derivados lácteos e grande competição entre as indústrias para a compra de matéria-prima. O acompanhamento do Cepea do mercado spot (leite negociado entre indústrias) mostrou expressiva alta nos preços nas últimas quinzenas. Em Minas Gerais, o valor médio saltou de R$ 2,13/litro na primeira quinzena de fevereiro para R$ 2,93/litro nesta segunda metade de março, valorização de 37,8%. Quando consideradas as médias mensais, o avanço no preço do leite spot mineiro foi de 20,2% de fevereiro para março.

É importante mencionar que esse contexto de oferta limitada também está relaciona à manutenção, até fevereiro, da tendência de queda nas importações e de aumento nas exportações de lácteos.

A maior disputa pela compra de leite cru, por sua vez, está associada a um conjunto de fatores que vem limitando a produção. De um lado, a retração da demanda no último trimestre do ano passado levou a consecutivas quedas nos preços do leite ao produtor, desencorajando investimentos na atividade. Ao mesmo tempo, os custos de produção permanecem alta, corroendo as margens do produtor. Não se pode deixar de mencionar também que os efeitos do fenômeno La Niña, com fortes chuvas no Sudeste e estiagem no Sul, impactaram negativamente a qualidade das pastagens e da silagem, prejudicando a alimentação do rebanho e adiantando o período de entressafra da produção. Nesse contexto, os investimentos na pecuária leiteira têm sido comprometidos, com perda no potencial produtivo do país.

Com custos de produção em alta, as indústrias de laticínios forçaram o repasse do aumento do preço da matéria-prima nas negociações com os canais de distribuição. A pesquisa do Cepea mostra tendência de valorização dos lácteos negociados pela indústria com o atacado do estado de São Paulo em fevereiro e em março. Apesar de a demanda ter absorvido essas altas no período, os agentes se preocupam com a sustentação desse movimento, tendo em vista a perda no poder de compra do consumidor brasileiro.

Ainda em alta, custos seguem pressionando as margens da atividade leiteira”

Caio Monteiro/Da Equipe Leite do Cepea

O COE (Custo Operacional Efetivo) da pecuária leiteira registrou novo avanço em fevereiro, de 0,76% na “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP). Assim, em 2022, os custos de produção já acumulam alta de 2,39%, contexto que segue pressionando a margem da atividade leiteira nacional.

Os grupos de custos que mais pesaram sobre os custos no segundo mês do ano foram os de “sementes forrageiras”, com elevação de 2,69%, de “suplementos mineiras” (+1,58%), de “adubos e corretivos” (+1,34%) e os de “concentrados” (+0,87%).

Entre os estados acompanhados pelo Cepea, os maiores incrementos nos custos foram registrados em São Paulo (de 3,42%) e no Rio Grande do Sul (de 2,39%).

Para os suplementos minerais, que podem representar até 4% dos custos de produção das propriedades leiteiras, os aumentos sucessivos nos preços dos fretes e dos fosfatos continuam sendo os responsáveis pelos reajustes nas cotações do insumo nas casas agropecuárias. Nos estados pesquisados, a Bahia apresentou maior valorização da suplementação mineral, com alta de 8,65%, seguido por Santa Catarina, com elevação de 5,53%, e pelo Paraná, com aumento de 2,13%.

Os adubos e corretivos tiveram valorização de 1,34% em fevereiro na “Média Brasil”, destaque para as bacias leiteiras dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde os ajustes foram de expressivos 11,62% e 9,82%, respectivamente. A alta generalizada dos fertilizantes é resultado da contínua restrição de oferta das matérias-primas essenciais (como potássio, fosfato e ureia). Após o início da invasão militar russa na Ucrânia e as severas restrições econômicas impostas à Rússia, parte dos colaboradores suspendeu suas listas de preços para esses insumos.

Para os concentrados a alta observada na “Média Brasil” foi de 0,87% em fevereiro, impulsionada sobretudo pelo movimento observado em São Paulo. A instabilidade mundial, devido ao recente conflito, fez com que os preços internacionais dos grãos se elevassem em 2022, apesar dos avanços na colheita da safra brasileira. De janeiro para fevereiro, o valor médio da saca de soja avançou 8,5% (Indicador ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá/PR) e o do milho, 0,8% (Indicador ESALQ/ BM&FBovespa, Campinas/SP).

 

AGROemDIA

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