Cepea indica alta de 10% no preço do leite ao produtor em abril; custos pressionam

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Da redação//AGROemDIA

O preço do leite captado em março e pago aos pecuaristas em abril pode subir cerca de 10% na “Média Brasil” líquida. É o que indica a edição de abril do Boletim do Leite do Cepea/Esalq/USP, divulgado nesta semana. Segundo a publicação, a valorização do leite ao produtor é consequência da diminuição da produção no campo, provocada pelo aumento nos custos de produção, que acumula alta de 4,07% no primeiro trimestre de 2022.

“É muito importante ressaltar que o avanço no preço do leite no campo não significa lucro para o produtor. Isso porque o encarecimento dos insumos tem corroído as margens do pecuarista leiteiro, ao mesmo tempo em que limita os investimentos na atividade”, enfatiza o Boletim do Leite de abril.

Ainda segundo a publicação, o leite captado em fevereiro e pago aos produtores em março chegou a R$ 2,2104/litro na “Média Brasil” líquida, elevação de 1,7% em relação ao mês anterior e aumento de 2,5% frente ao mesmo período do ano passado, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de março/22). “Assim, o leite no campo acumula valorização de 1% desde janeiro.”

Já o COE (Custo Operacional Efetivo) da pecuária leiteira registrou avanço de 1,64% na “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP) em março, “porcentagem mais expressiva que a observada no mês anterior (0,76%), mas inferior à do mesmo mês do ano passado (1,99%)”.

Leia, abaixo, as análises de Natália Grigol e de Caio Monteiro, da Equipe Leite do Cepea/Esalq/USP, sobre o cenário do mercado do leite:

Com menor produção e custos em alta, preços no campo seguem avançando

Natália Grigol/Da Equipe Leite do Cepea

O leite captado em fevereiro e pago aos produtores em março chegou a R$ 2,2104/litro na “Média Brasil” líquida, elevação de 1,7% em relação ao mês anterior e aumento de 2,5% frente ao mesmo período do ano passado, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de março/22). Assim, o leite no campo acumula valorização de 1% desde janeiro. Pesquisas em andamento do Cepea apontam intensificação do movimento altista da “Média Brasil” para o próximo mês. Assim, o preço do leite captado em março e pago em abril pode subir cerca de 10%.

A valorização do leite ao produtor é consequência da diminuição da produção no campo, a qual, por sua vez, ocorre diante do aumento nos custos de produção.

O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea mostrou que o volume adquirido pelas indústrias caiu 0,63% de janeiro para fevereiro. Considerando-se o acumulado dos últimos 13 meses, o recuo do ICAP-L foi de 8,4%.

Com menor oferta no campo, as indústrias de laticínios seguiram disputando produtores para assegurar a captação de matéria-prima no primeiro trimestre, uma vez que os estoques de lácteos estiveram limitados. Essa competição sustentou o movimento altista para o produtor e para o mercado do leite spot.

A pesquisa do Cepea mostrou que o preço médio do leite spot (leite negociado entre indústrias) em Minas Gerais saltou de R$ 2,54/litro para R$ 2,95/litro entre a primeira e a segunda quinzena de março, forte avanço de 15,4%. E os preços continuaram subindo em abril: na primeira quinzena do mês, a média chegou a R$ 3,01/litro e, na segunda quinzena, a R$ 3,02/litro.

Consequentemente, a produção dos lácteos seguiu encarecida em março, forçando novos reajustes positivos nos preços dos lácteos negociados entre as indústrias e os canais de distribuição. Pesquisa do Cepea, realizada com o apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que os preços médios dos leites UHT e em pó em São Paulo subiram mais de 13% entre fevereiro e março, e a cotação da muçarela se elevou em 7,5%.

É muito importante ressaltar que o avanço no preço do leite no campo não significa lucro para o produtor. Isso porque o encarecimento dos insumos tem corroído as margens do pecuarista leiteiro, ao mesmo tempo em que limita os investimentos na atividade. De acordo com pesquisa do Cepea, no primeiro trimestre de 2022, o Custo Operacional Efetivo (COE) da produção leiteira acumulou alta de 4,07%.

Custos avançam 4% no primeiro trimestre de 2022

Caio Monteiro/Da Equipe Leite do Cepea

O COE (Custo Operacional Efetivo) da pecuária leiteira registrou avanço de 1,64% na “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP) em março, porcentagem mais expressiva que a observada no mês anterior (0,76%), mas inferior à do mesmo mês do ano passado (1,99%). No primeiro trimestre de 2022, o COE da produção leiteira acumulou alta de 4,07% – no mesmo período de 2021, o avanço foi de fortes 7,32%. No acumulado dos últimos 12 meses, o COE subiu 13,99%.

Os grupos de custos que mais influenciaram o aumento dos custos de produção no mês foram as operações mecânicas, com elevação de 6,08% na “Média Brasil”, devido à valorização de combustíveis e lubrificantes. Em seguida, vieram os grupos dos medicamentos antibióticos (+3,46%), concentrados (+2,08%), adubos e corretivos (+1,73%) e suplementos minerais (+1,33%). Dentre os estados acompanhados pelo Cepea, os avanços mais significativos dos custos foram registrados em Santa Catarina (de 2,88%), Minas Gerais (de 2,12%) e São Paulo (de 1,70%).

O mês de março foi marcado pela forte alta nos preços dos combustíveis em todas as regiões do país, reflexo do aumento das cotações internacionais do petróleo.

Além de impactar diretamente os custos das operações mecânicas dentro da propriedade, o produtor também se deparou com os efeitos indiretos dessa valorização nos suplementos minerais e nos medicamentos. Alguns antibióticos e antiparasitários, por exemplo, tiveram a oferta reduzida em algumas casas agropecuárias no país, devido à falta de matérias-primas para sua produção.

Quanto à valorização do principal item de custo das propriedades leiteiras, o concentrado, também foi reflexo da disparada de preços no mercado de grãos, devido às incertezas provocadas pelo conflito no Leste Europeu. Especificamente para o milho, a guerra entre Rússia e Ucrânia aumentou a procura pelo cereal brasileiro, elevando as cotações. De fevereiro para março, o valor médio da saca de milho avançou 2,9% (Indicador ESALQ/BM&FBovespa – Campinas/SP) e o da soja, 2,3% (Indicador ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá/PR).

Clique aqui para ler o Boletim do Leite de abril do Cepea

AGROemDIA

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