Sempre aos Domingos: Roberto Rodrigues, as palestras e o prazer de cantar (OUÇA)

Tito Matos*//Da redação AGROemDIA

Sempre que convidado, ele raramente se recusava em fazer palestras para os interessados em entender o crescimento vertiginoso do agronegócio brasileiro. Sua motivação era visível quando o distinto público era formado por jovens estudantes de agronomia, veterinária, zootecnia e cursos que tais. Quando se tratava de aula inaugural, então, nem é bom falar do entusiasmo dele. Sem qualquer apontamento, sem qualquer papel escrito, o palestrante discorria por uma hora ou mais sobre “As perspectivas do agronegócio brasileiro”.

Em sua exposição ninguém dormia, nem mesmo os desinteressados pelo tema. Quand

o ele fazia uma ligeira pausa, dava para se “ouvir” o silêncio do auditório. Às vezes, ele começava assim: “Saibam vocês que no campo da nossa agropecuária, a maior mentira da história do Brasil está escrita na carta de Pêro Vaz de Caminha endereçada ao rei de Portugal Dom Manoel. Nesse documento, está dito que “nessa terra em se plantando tudo dá”. O escrivão estava redondamente enganado. E por muitos anos esta declaração foi aceita, ninguém protestou, ninguém desmentiu esta falácia. Porém, afirmo para esta simpática plateia que se não usar tecnologia não dá mesmo. E temos hoje a mais avançada tecnologia tropical do mundo, fruto das pesquisas de nossos institutos e da nossa Embrapa, que se somam à capacidade, o empenho e os investimentos dos nossos produtores, que dia e noite, chova ou faça sol, estão lá no campo para tornar o nosso agronegócio o setor mais exitoso da economia brasileira. Veja o que aconteceu com a nossa produção de grãos. Os dados da Conab são impressionantes: o exponencial crescimento que se verificou nas últimas safras se deu pelos altos índices de produtividade e não pelo aumento da área plantada. Milhões de hectares de nossas matas foram preservados. Isso tem nome: sustentabilidade, resultante das tecnologias aqui desenvolvidas”.

Lá pelas tantas, depois de meia hora da concorrida aula, o nosso professor provocou os “alunos” com a seguinte pergunta provocativa: “Quem aqui vez por outra não gosta de frequentar um restaurante ou um barzinho para comer ou tomar uma bebidinha? Pois saibam vocês que a nossa cachaça vem do agro, mais precisamente da nossa cana-de-açúcar. O lúpulo e a cevada para a nossa apreciável cerveja também vêm da terra, vêm do agro. Nesses estabelecimentos, vocês serão atendimentos por dedicados e atenciosos garçons. Tudo nele vem do agronegócio, desde a meia, a gravata, a camisa, a calça, o paletó, até o sapato. E a roupa de vocês vem também do agro. Vem da cadeia produtiva do algodão ou do bicho da seda, de cujo tecido no passado se fazia belas peças íntimas. A propósito, será que neste auditório tem alguma jovem que ainda hoje veste a invisível combinação?”

Nesta hora, a plateia desabou em gostosas gargalhadas e em demoradas palmas; e ele seguia citando os números auspiciosos da nossa agropecuária, dando, assim, por encerrada a palestra, com a seguinte observação: a profissão de vocês tem um presente e um futuro promissores. Sucesso é o que desejo a todos vocês (palmas).

À noite, como ninguém é de ferro, principalmente em se tratando de jovens estudantes, o seminário terminava em jantar, em noite festiva, sempre com um show de um cantor de sucesso. Em algumas mesas do salão, alguns cochichos que aquele palestrante também era um excelente cantor. Os comensais gritavam incontidamente: canta! canta! canta! Muitos deles tinham visto Roberto Rodrigues, ministro da Agricultura do governo Lula, dar uma “canja” no programa do Jô Soares. Ele tinha “Prazer de cantar”.  Por sinal, este era o título do seu CD com músicas românticas, como Lá vie en rose, Fascinação, Eu sonhei que tu estavas tão linda, entre outras românticas canções. Meio constrangido, aceitou o desafio é deu um show.

*Jornalista

Nota da redação: O CD Prazer de Cantar foi gravado pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e Marcelo Prado. Ambos são engenheiros agrônomos.  

AGROemDIA

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