Como se constrói uma guerra desprezando as consequências
Gil Reis*
Estamos vivendo hoje a era da demagogia destrutiva. A grande mídia divulga diuturnamente declarações de cientistas, autoridades e falsos profetas que demonstram enorme preocupação com o futuro do planeta e da humanidade quando na realidade se preparam para destruí-la. Com o iminente fracasso do ambientalismo para controlar o crescimento populacional pela fome através da sabotagem aos meios de produção de alimentos, o mundo começa a se preparar para uma nova fase – a guerra.
Esta abertura serve apenas de introito porque hoje o tema é a guerra. O site ASIA TIMES publicou, em 13/08/2024, o artigo “EUA mal preparados para um confronto nuclear com a China”, assinado por Gabriel Honrada. Transcrevo trechos:
“A expansão nuclear da China colocou em evidência o estado desatualizado do arsenal nuclear dos EUA, forçando uma reformulação crítica da estratégia nuclear dos EUA em meio a um possível limite reduzido de uso de armas nucleares em relação a Taiwan. Este mês, o Centro para uma Nova Segurança Americana (CNAS) divulgou um relatório dizendo que a dinâmica nuclear em evolução na região do Indo-Pacífico, impulsionada pela rápida modernização nuclear da China, aumenta a probabilidade de uso de armas nucleares não estratégicas em tal conflito.
O relatório do CNAS recomenda que os EUA melhorem sua fluência nuclear entre os líderes seniores, aprimorem o diálogo com a China e desenvolvam novos conceitos e capacidades operacionais para integrar melhor as estratégias convencionais e nucleares. Ele também pede um planejamento detalhado com aliados regionais para reforçar a resiliência contra a potencial coerção nuclear chinesa. O relatório também ressalta a necessidade de os EUA adaptarem seu pensamento estratégico e suas capacidades para enfrentar os desafios impostos pela expansão nuclear da China no teatro Indo-Pacífico. Os EUA mantêm o segundo maior arsenal nuclear do mundo, com 5.044 ogivas, e estão passando por um programa abrangente de modernização, apesar da redução substancial de pessoal e dos estouros de custos.
Em um artigo de maio de 2024 para o Bulletin of Atomic Scientists, Hans Kristensen e outros escritores mencionam que os EUA têm atualmente cerca de 3.708 ogivas nucleares, com aproximadamente 1.770 implantadas e 1.938 em reserva. 1.336 ogivas aposentadas aguardam desmantelamento enquanto um programa de modernização está em andamento para atualizar todos os sistemas de lançamento nuclear. Kristensen e outros observam que os EUA estão implementando um programa completo de modernização nuclear para substituir todos os sistemas de lançamento nuclear existentes por versões atualizadas nas próximas décadas.
O programa afetará ogivas armazenadas em 24 locais em 11 estados dos EUA e cinco países europeus, com o maior estoque localizado no Novo México e Washington. O relatório do Boletim de Cientistas Atômicos diz que os EUA parecem estar cumprindo os limites do tratado New START, apesar da suspensão da Rússia, com 1.419 ogivas implantadas relatadas em março de 2023. A Revisão da Postura Nuclear de 2022 mantém o direito de implantar armas nucleares em circunstâncias extremas e continua com os planos de modernização dos EUA, como a aposentadoria da bomba gravitacional B83-1 e o cancelamento do míssil de cruzeiro lançado do mar (SLCM).
Kristensen e outros ressaltam que as crescentes capacidades nucleares da China são uma resposta às ameaças percebidas pelos EUA e seus aliados, e parte de seu objetivo mais amplo de se estabelecer como uma potência militar global até 2035. O mais revelador é que eles observam que os avanços da China, particularmente na tecnologia de mísseis e na produção de ogivas, desafiam o equilíbrio de poder de longa data e levantam preocupações sobre possíveis mudanças na estratégia nuclear, incluindo a possibilidade de um afastamento de sua tradicional política de ‘não primeiro uso’.
Eles observam que a expansão do arsenal nuclear da China ocorre em meio a tensões crescentes na região do Indo-Pacífico, onde a crescente assertividade da China levou a um maior escrutínio da comunidade internacional, particularmente dos EUA, que veem as ambições nucleares da China como uma ameaça estratégica significativa. Gregory Weaver diz em um artigo do Atlantic Council de novembro de 2023 que a China poderia usar armas nucleares em um conflito com Taiwan para impedir a intervenção dos EUA e aliados, impedir a coerção dos EUA ao dissuadir os EUA de usar armas nucleares contra a China continental e dissuadir os EUA de usar armas nucleares de forma limitada para defender Taiwan.
O novo tratado START, previsto para expirar em 2026, aborda inadequadamente os desafios atuais, particularmente o considerável arsenal de curto alcance da Rússia e a não participação da China, observa Miller, enfatizando que a dissuasão, não a paridade, é fundamental. Ele argumenta que o arsenal nuclear dos EUA deve ser capaz de atingir o que seus adversários autocráticos mais valorizam, ou seja, as estruturas burocráticas e de apoio de seus regimes, as forças convencionais e nucleares e as indústrias de apoio à guerra, para evitar agressões.
Ele defende um tratado abrangente que abranja todas as armas nucleares e permita flexibilidade dentro dos limites gerais, garantindo que os EUA possam efetivamente dissuadir ameaças e manter a estabilidade global.”
Mais uma vez as lideranças americanas se comportam como se possuíssem o ‘mandato divino’ de xerifes do mundo e atravessam meio planeta para atingir a China. Será que nos falta visão para discernir que a grande ameaça que representa o país asiático não é a nuclear e sim a econômica?
Mas, vamos abordar o subtítulo do meu artigo- ‘Alguns líderes dizem amar as mulheres e a humanidade enquanto se preparam para destruí-las’. Alguém já parou para refletir que em qualquer tipo de guerra quem mais sofre são as mulheres e seus filhos? Não importa se são as mulheres do país atacante ou atacado. Quanto à humanidade, uma guerra nuclear atingirá todos os povos do planeta. Aí vem a pergunta que não quer calar: Que tipo de amor é esse? Quem ama não mata, seja direta ou indiretamente.
Creio que a melhor forma de impedir guerras é trazer as mulheres para mais próximo dos poderes, elas são pacificadoras natas e não têm qualquer interesse em guerras. Afinal, pagarão a conta, o que impediria que trilhões de dólares dos pagadores de impostos fossem desviados da educação, saúde e segurança para alimentar as guerras. Quem precisa ser alimentados são os seres humanos. A guerra e a violência nunca foram soluções, pelo contrário, representam problemas.
O mundo está prestes a testemunhar a repetição da invasão do Iraque pelos americanos sob a alegação do país ter armas químicas. A invasão teve como uma das principais justificativas o perigo iminente de Saddam com suas armas químicas e outras de destruição em massa. O ditador foi capturado em dezembro de 2003. No meses seguintes, a verdade sobre as armas veio à tona.
“A violência é tão americana quanto a torta de cereja” — Rap (Hubert Gerold) Brown, ativista americano dos direitos civis e separatista negro.
*Consultor em Agronegócio
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

