Produtores reclamam do baixo preço do café

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Cafeicultores estão insatisfeitos com o governo – Daniel Medeiros/Embrapa

Os produtores de café estão insatisfeitos com o baixo preço do produto. Eles dizem que o governo federal está descumprindo o Estatuto da Terra (Lei 4.504/64), que estabelece que o preço mínimo dos produtos agrícolas deve levar em consideração o custo efetivo da produção, acrescido das despesas de transporte para o mercado mais próximo e da margem de lucro do produtor, que não poderá ser inferior a 30%.

Neste ano, o governo revisou o preço mínimo do café arábica, variedade superior produzida no país, em 0,84% ou R$ 2,79, ficando o preço em R$ 333,03 a saca de 60 kg. O valor revoltou o setor produtivo.

Em audiência na Câmara dos Deputados nesta semana, o diretor-presidente da Associação dos Cafeicultores do Brasil, Armando Mattiello, afirmou que os produtores enfrentam prejuízos e que o preço mínimo no país é 25% menor do que o valor do café na bolsa de Nova York.

“Nós nunca sequer encostamos na bolsa de Nova York, isso não tem lógica. Um país que tem 35% de market share e não ser protagonista é porque é muito ruim. Quem tem 35% do mercado tem que mandar, não tem que pedir. Hoje, o preço mínimo do café deveria estar em R$ 693. Em 42 milhões de sacas, estamos falando de um prejuízo de R$ 29 bilhões”, disse Mattiello.

Expectativas

O preço mínimo é utilizado como referência para políticas na cafeicultura e nos programas de subvenção. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, informou que o governo não pode aumentar o preço e criar falsas expectativas no setor.

“Sei que esses números podem ser questionados, mas não adianta a gente criar um preço mínimo, que fica muito acima do valor do custo variável, porque não tem orçamento para fazer os mecanismos de comercialização no momento certo. Não adianta dizer que temos R$ 2 bilhões ou R$ 3 bilhões para fazer subvenção, porque, neste momento, orçamentariamente falando, nós não temos”, ressaltou Geller, durante a audiência.

Auditoria

Autor do requerimento para realização da audiência pública, o deputado Carlos Melles (DEM-MG) lamentou o empobrecimento dos produtores de café, principalmente nos municípios pequenos do país. Ele sugeriu a aplicação de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) na contratação de uma auditoria internacional.

“Se o Brasil, através do Funcafé, não contratar uma auditoria internacional para que passe a ter transparência nos números do café, vamos sempre ficar reféns e fazendo bobagens”, enfatizou o parlamentar.

Carlos Melles é coordenador da Frente Parlamentar Mista do Café, que teve atuação importante ao barrar a tentativa do governo federal de importar o produto no início do ano. Em fevereiro, o governo chegou a abrir uma janela de quatro meses para a importação, mas a atuação da frente interrompeu o processo. Essa poderia ter sido a primeira vez que o Brasil, maior produtor mundial de café, recorreria à produção dos concorrentes para compensar a safra pequena deste ano, afetada pela seca.

A audiência sobre o setor cafeeiro foi promovida pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara do Deputados.

*Com informações da Agência Câmara

 

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