Parceria com governo da Nova Zelândia apoia agricultura familiar no Maranhão

arroz_maranhão embrapa
Projeto da Embrapa visa melhorar qualidade do arroz do estado – Adriano Bernardes/Embrapa

Os agricultores familiares do Maranhão terão, em breve, apoio para aumentar a produtividade de grãos e melhorar a qualidade do arroz que cultivam. Projeto de parceria entre a Embrapa e o governo da Nova Zelândia prevê a divulgação e transferência de tecnologias sustentáveis de plantio nas áreas ocupadas pela agricultura familiar em três municípios do estado.

O projeto tem duração de um ano e prevê a instalação de unidades demonstrativas (UDs) nos municípios maranhenses de Igarapé do Meio, Itapecuru Mirim e Codó. Segundo a Embrapa, a parceria com as prefeituras desses municípios e outras instituições, como o MST e associações de produtores, são essenciais para o andamento do projeto.

“Nessas unidades demonstrativas os agricultores familiares da região terão acesso às principais inovações tecnológicas relacionadas à cultura do arroz de terras altas, como as novas cultivares, às técnicas de plantio e ao controle de pragas, doenças e plantas daninhas”, diz o coordenador técnico do projeto, Adriano Stephan Nascente, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás/GO).

O projeto também prevê cursos de capacitação de técnicos no manejo integrado da cultura de arroz. “Os treinamentos servirão para que os assistentes técnicos e extensionistas conheçam as novas tecnologias para orientar os agricultores familiares sobre as principais inovações de manejo da cultura, permitindo a condução sustentável das lavouras”, ressalta o analista Carlos Martins Santiago, da área de transferência de tecnologia da Embrapa Cocais (MA).

Já o pesquisador Guilherme Barbosa Abreu, da Embrapa Cocais, destaca o emprego de algumas técnicas, como a aplicação de sulfato de zinco foliar para aumentar os teores do arroz e melhorar a qualidade alimentar do grão colhido.

Áreas de unidades demonstrativas

Na semana de 18 a 22 de setembro, Nascente, Santiago e Guilherme viajaram para o interior do estado do Maranhão para escolher as áreas para instalação de unidades demonstrativas, coletar amostras de solo para análise física e química e contatar autoridades locais.

Nessas visitas, eles conversaram com os secretários de agricultura dos municípios de Igarapé do Meio, Itapecuru Mirim e de Codó, que se mostraram receptivos com a parceria para a condução das atividades nas comunidades de agricultores familiares e ressaltaram a importância de garantir a segurança alimentar para as famílias rurais dos municípios.

No Maranhão, o arroz é um produto de grande importância socioeconômica, fortalecendo a segurança alimentar potencial e contribuindo para a geração de renda. O estado tem 217 municípios. Desses, 213 produziram arroz na safra 2015/16.

Quase todo o arroz produzido (98,8%) em terras maranhenses se encontra em lavouras com menos de 50 hectares, o que mostra a importância social da cultura para o estado. Em 2016, a produtividade média do arroz foi de 1.356 kg/ha, muito inferior à média nacional, de 4.690 kg/ha.

Baixa produtividade no estado

A baixa produtividade se deve principalmente ao pouco uso de tecnologias como cultivares melhoradas, adubação, controle de pragas, doenças e plantas daninhas. O projeto é uma oportunidade para a incorporação e adoção de tecnologias já disponíveis para a melhoria na produtividade e na qualidade do arroz produzido no estado.

A equipe do projeto redigirá documento técnico todas as ações para implantar uma lavoura de arroz de terras altas utilizando técnicas sustentáveis de cultivo, de modo a permitir que sejam reproduzidas em outros municípios do Maranhão.

Em cada região será oferecido um curso de manejo integrado da cultura do arroz de terras altas para, aproximadamente, 30 técnicos que atuem no município ou cidades vizinhas.

Em dezembro, os técnicos da Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Cocais vão retornar aos municípios do Maranhão para acompanhar o preparo do solo das áreas demonstrativas.

Eles retornarão em janeiro de 2018, durante o plantio do arroz. Em todas as ações, os agricultores familiares terão acesso as tecnologias desenvolvidas nas unidades demonstrativas.

Comunidades contempladas

Igarapé do Meio: Serão instaladas e conduzidas as unidades demonstrativas no Projeto de Assentamento Diamante Negro, onde serão beneficiadas mais de 130 famílias assentadas e organizadas em associações pelo MST – Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terras.

Itapecuru Mirim: Serão instaladas e conduzidas as unidades demonstrativas no Projeto de Assentamento Cristina Alves, onde serão beneficiadas mais de 100 famílias assentadas e organizadas em associações pelo MST.

Codó: Serão instaladas e conduzidas as unidades demonstrativas no Projeto de Assentamento do Iterma: Montevideo, onde serão beneficiadas mais de 40 famílias assentadas e organizadas em associação.

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: