Sucessão nas empresas do agronegócio exige muito tempo de preparação

lide vale
Rodrigues: avanço tecnológico requer renovação – Gustavo Rampini/Mecânica de Comunicação 

Uma transição harmoniosa na sucessão nas empresas do agronegócio, que na maioria dos casos é um empreendimento familiar, exige muito tempo de preparação, disse o professor da FGV Fábio Mizumoto, especializado no estudo de processos sucessórios, durante o 6º Fórum Nacional de Agronegócios, promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais.

“O que é preciso é conversar mais, deixar mais claro os critérios ligados a competências e cargos de cada um dos integrantes da família dentro da organização e também intensificar os esclarecimentos sobre o que é o negócio onde a família está atuando, coisa que nem sempre é feita”, enfatizou Mizumoto, um dos painelistas do fórum.

Para ele, melhorar a comunicação sobre as expectativas de cada membro da família em relação ao futuro pode definir mais adequadamente as funções. Mizumoto lembrou, por exemplo, que numa sucessão que envolva dois irmãos, pode ser que um tenha maior identificação com a rotina da fazenda e possa ficar na condução do negócio, enquanto o outro, que tenha outros planos profissionais, fique só como sócio investidor.

“Penso que a sucessão hoje passa mais por esses dois pontos: o do integrante que cuida da governança e o outro que está mais interessado na manutenção do patrimônio e que atua mais como se fosse um acionista. Ele não é mais o patrão, mas sim um sócio”, comentou João Adrien, diretor do núcleo jovem da Sociedade Rural Brasileira e debatedor de um dos painéis do evento, realizado no sábado (30), em Campinas (SP).

Mudanças tecnológicas

O tema central do fórum foi sucessão e governança no agronegócio brasileiro. Presidente do LIDE Agronegócios, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues destacou a importância do debate: “As profundas mudanças tecnológicas e também de gestão do agronegócio exigem uma renovação total tanto das empresas quanto dos empresários que atuam na área e até das entidades representativas do setor.”

Chairman do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, o ex-ministro de Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan acrescentou que tecnologia pode ser uma ferramenta facilitadora nos processos de sucessão no campo. “Hoje há um movimento de volta dos jovens ao campo, pois eles constatam que lá já existem todas as tecnologias com as quais estão acostumados na cidade, como internet, além de uma melhor qualidade de vida.”

Também participaram dos painéis, entre outros, Shiro Nishimura, presidente do Conselho de Administração da Jacto; Luiz Lourenço, presidente do Conselho da Cocamar; o consultor José Paschoal Rossetti; Denis Arroyo, diretor Agrícola da Zilor Energia e Alimentos; Arlindo Moura, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa); Marcos da Rosa, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja);  e Rui Prado, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato).

Mais de 300 pessoas, entre lideranças políticas, empresariais e setoriais, estiveram no 6º Fórum Nacional de Agronegócios. Na abertura do evento estiveram presentes o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim; o prefeito de Campinas, Jonas Donizette; o deputado Nilson Leitão, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária; o presidente da Embrapa, Maurício Lopes; e o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Marcelo Vieira.

 

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: