Manejo de pastagens em áreas de arroz pode reduzir em 50% o uso de insumos

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Francisco Lima/Embrapa

A pesquisa com manejo de pastagens em integração lavoura-pecuária (ILP) tem indicado possibilidade de redução de 50% no uso de fertilizantes para restabelecimento das lavouras de arroz na mesma área. A estratégia consiste na adubação das pastagens e do campo nativo, no ajuste de carga animal e na ressemeadura natural do azevém e das demais leguminosas para rotação com as lavouras após fim do ciclo médio de quatro anos.

O trabalho é desenvolvido desde 2014 pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS) nas propriedades localizadas ao entorno da Estação Ecológica do Taim (Esec Taim), em Santa Vitória do Palmar/RS.

Segundo o pesquisador da Embrapa Jamir Silva, responsável pelo trabalho, a recuperação do solo na fase de pastagens estrutura melhor a área para, posteriormente, receber as lavouras. “A gente defende que a adubação seja de sistema e que venha para o solo na fase de pastagem.”

De acordo com Jamir, a redução de insumos, se atingir 50%, pode resultar em economia em torno de R$ 600 por hectare nas lavouras. Isso, se somado ao plantio de arroz convencional – que utiliza herbicidas com menor fitotoxidade às pastagens – e ao plantio direto – que causa menos impacto no solo –, pode ainda agregar valor ao produto final por meio de certificação nacional de sustentabilidade.

Ganho animal

O trabalho tem gerado incremento produtivo nas propriedades com manejo de pastagens e ajuste de carga animal. Na propriedade de Cláudio Silva, os animais atingem cerca de 310 kg até um ano de idade e 450 kg em torno de 18 a 24 meses. Em sistemas convencionais, a média é de 200 kg neste mesmo período. O ganho de peso vivo gira na média de 500 kg/ha. No sistema convencional a média é de 150 kg/ha.

Desde o início do trabalho, a fazenda abriga uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) para a pesquisa com manejo de pastagens. Com desconfiança no início, seu Cláudio dedicou cinco hectares à experiência. Mas, devido aos bons resultados, destina hoje 140 dos 460 hectares da propriedade às pastagens – azevém, trevo-branco e cornichão – para criação de gado de corte. O restante é dedicado ao campo nativo. A intenção é aumentar mais 60 hectares no ano que vem, chegando a 200 hectares dedicados às pastagens.

Uma das orientações-chave do trabalho é saber quando colocar os animais nas pastagens e qual a carga animal por área. Em recente Dia de Campo, promovido pela Embrapa, foi ressaltada a importância de se colocar os animais mais jovens na melhor alternativa alimentar existente nas propriedades – nas melhores pastagens –, tendo em vista o menor consumo com maior ganho em peso vivo. Os animais mais velhos, prontos para a comercialização, devem ser colocados junto às áreas de pastagens mais antigas, com complementação de grãos.

Na fazenda, a experiência foi realizada com nove animais, gerando menores gastos e retorno mais rápido no engorde do rebanho e na ressemeadura, nos anos seguintes. “Prefiro que sempre sobre um pouquinho de pastagem. A gente tem que estar sempre olhando para frente. É semeadura garantida”, completa o produtor.

Da redação, com Francisco Lima (Embrapa)

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