Presidente do Fonesa critica suspensão de exportação de animais vivos

Inácio Afonso Kroetz
Inácio Afonso Kroetz (centro), presidente do Fonesa – Foto: Gov. Pará

O presidente do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária (Fonesa), Inácio Afonso Kroetz, divulgou nota neste sábado (3) criticando a decisão da Justiça Federal em São Paulo de proibir a exportação de animais vivos por navio em todo o país. Além de causar prejuízos socioeconômicos, ressalta Kroetz, a medida afeta a credibilidade do serviço veterinário brasileiro.

A proibição impediu o transporte de 27 mil bovinos, pelo Porto de Santos, para a Turquia. O gado, embarcado no navio Nada, pertence ao frigorífico Minerva, e estaria sendo submetido a maus-tratos, segundo a organização não governamental (ONG) Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que ajuizou ação civil pública na Justiça Federal para suspender a exportação.

“É com imensa tristeza e preocupação que tomamos conhecimento dos atos praticados, durante os últimos dias, no Porto de Santos, contra a dignidade de animais, pessoas, trabalhadores, empresários, autoridades e consumidores, protagonizados por ativistas em nome de organizações não governamentais e amparados pelo Poder Judiciário”, destaca Kroetz na nota.

De acordo com ele, “manter 27 mil bovinos retidos em meio de transporte regulamentado em vários países, no qual foram legalmente embarcados, não seria, obviamente, nenhum atentado à “dignidade dos animais” se a finalidade pela qual foram embarcados estivesse sendo cumprida”.

Segundo o presidente do Fonesa, o que afeta os animais é a interrupção de um complexo e muito bem planejado programa de viagem ao seu destino. “[São] ações e atos praticados por pessoas que certamente não têm compreensão da dimensão do sofrimento ora impingido a esses bovinos.”

Forma midiática de arbitrar ações

A decisão, acrescenta, tem consequências ainda mais amplas. “[Há] prejuízos econômicos e de imagem que, mais uma vez, impactam em pessoas, empresas, autoridades, consumidores e na economia do país, na sua forma midiática de arbitrar ações envolvendo ativistas irresponsáveis, com forte conotação ideológica.”

No Brasil, ressalta o presidente do Fonesa, a exportação de bovinos é regulamentada por uma série de atos normativos, que abordam os procedimentos básicos para a preparação de animais vivos para a exportação. As normas, observa, estão alinhadas com os preceitos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), da qual o Brasil é membro fundador, desde 1924.

“Isso inclui a seleção nos estabelecimentos de origem, a aplicação de protocolos sanitários, a aprovação dos Estabelecimentos de Pré-Embarque (EPE), o manejo desses animais nos estabelecimentos, bem como durante o embarque e transporte por via marítima, terrestre e aérea.”

“Uma decisão dessa natureza, em virtude dos prejuízos socioeconômicos à pecuária e à credibilidade do serviço veterinário brasileiro e também pela possibilidade de comprometer as condições de saúde e de bem-estar dos animais já embarcados, deveria considerar as informações técnicas de domínio do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, tendo em vista que o órgão detém a competência legal e realiza rotineiramente a fiscalização e a certificação relativa aos aspectos sanitários e de bem-estar animal nas operações de exportação de animais vivos”, enfatiza.

No nota, Kroetz apela aos demais integrantes do Fonesa, dirigentes e representantes estaduais para que se mobilizem em busca de solução para o impasse criado com a retenção do navio no Porto de Santos e “a absurda e incoerente decisão de desembarcar os animais com a inimaginável possibilidade de retorná-los aos pastos de origem”.

“Apelamos às autoridades competentes para que o bom senso, a legalidade e o conhecimento científico voltem a ser os balizadores de decisões, com urgência, nessa matéria, pois prejuízos totalmente desnecessários e sofrimentos inimagináveis estão sendo impingidos a pessoas e animais, enquanto as medidas legais, com base técnica e de competência, não forem adotadas”, finaliza Kroetz.

ABAIXO, A ÍNTEGRA DA NOTA DO PRESIDENTE DO FONESA:

“É com imensa tristeza e preocupação que tomamos conhecimento dos atos praticados, durante os últimos dias, no Porto de Santos-SP, contra a dignidade de animais, pessoas, trabalhadores, empresários, autoridades e consumidores, protagonizados por ativistas em nome de Organizações Não Governamentais e amparados pelo Poder Judiciário.

Manter 27 mil bovinos retidos em meio de transporte regulamentado em vários países, no qual foram legalmente embarcados, não seria, obviamente, nenhum atentado à “dignidade dos animais”, se a finalidade pela qual foram embarcados estivesse sendo cumprida.

O que afeta esses animais é a interrupção de um complexo e muito bem planejado programa de viagem ao destino desses animais, com ações e atos praticados por pessoas que certamente não têm compreensão da dimensão do sofrimento ora impingido aos animais, prejuízos econômicos e de imagem que, mais uma vez, impacta em pessoas, empresas, autoridades, consumidores e na economia do país, na sua forma midiática de arbitrar ações envolvendo ativistas irresponsáveis, com forte conotação ideológica, sem considerar os irreversíveis prejuízos a toda a cadeia produtora de alimentos. 

No Brasil, a exportação de bovinos é regulamentada por uma série de atos normativos, que abordam os procedimentos básicos para a preparação de animais vivos para a exportação, o que inclui a seleção nos estabelecimentos de origem, aplicação de protocolos sanitários, a aprovação dos Estabelecimentos de Pré-Embarque (EPE), o manejo desses animais nesses estabelecimentos, bem como durante o embarque e transporte por via marítima, terrestre e aérea. Estas normas se encontram perfeitamente alinhadas com os preceitos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), da qual o Brasil é membro fundador, desde 1924.

Entendemos que uma decisão desta natureza, em virtude dos prejuízos socioeconômicos promovidos à pecuária e à credibilidade do Serviço Veterinário Brasileiro e também pela possibilidade de comprometer as condições de saúde e de bem-estar dos animais já embarcados, deveria considerar as informações técnicas de domínio do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, tendo em vista que o mesmo é que detém a competência legal e realiza rotineiramente a Fiscalização e a Certificação relativa aos aspectos sanitários e de bem-estar animal nas operações de exportação de animais vivos.

A Diretoria deste Fórum Nacional de Executores-FONESA solicita a todos os seus membros, dirigentes e representantes estaduais que se mobilizem no âmbito de suas competências e relações com a sociedade em favor de solução do impasse criado com a retenção do navio carregado no Porto de Santos e a absurda e incoerente decisão de desembarcar esses animais com a inimaginável possibilidade de retornar os mesmos “aos pastos de origem”. 

  É imperioso que a controvérsia seja sanada o mais rápido possível e, independente de quaisquer que sejam os interesses espúrios que tenham levado a esta situação, que os bovinos faltantes sejam embarcados, que não se prolongue mais essa condição angustiante para todos os envolvidos e que os animais sigam imediatamente seu caminho, com a merecida dignidade conforme previsto nos regulamentos para a operação.

As consequências conhecidas por todos nós sobre nossos controles oficiais de trânsito e saúde animal, sem adentrar na dimensão dos problemas em outras esferas, nos movem para que tal demonstração de falta de conhecimento da situação não venha a prosperar como consta nas decisões e matérias veiculadas em contrário às exportações de animais vivos, pois abalará de modo contundente e negativo as relações internacionais, em matéria de saúde e bem-estar de animais, com o Setor Produtivo e os  consumidores nacionais e internacionais.

Apelamos às Autoridades Competentes para que o bom senso, a legalidade e o conhecimento científico voltem a ser os balizadores de decisões, com URGÊNCIA, nessa matéria, pois prejuízos totalmente desnecessários e sofrimentos inimagináveis estão sendo impingidos a pessoas e animais, enquanto as medidas legais, com base técnica e de competência não forem adotadas.

Inácio Afonso Kroetz,

Presidente”

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

2 comentários em “Presidente do Fonesa critica suspensão de exportação de animais vivos

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: