Tributo à Stephen Hawking

Waldir L. Roque/Prof. Titular – UFPB*

Nesta quarta-feira 14 de março, aos 76 anos, morreu Stephen Hawking, um dos mais brilhantes e prestigiados cosmologistas do mundo, deixando um grande legado científico para a humanidade.  É, sem sombra de dúvida, uma enorme perda à ciência, em particular à cosmologia – ciência que estuda a origem, estrutura e evolução do universo em sua larga escala.

Em 1961, aos 21 anos de idade, Hawking foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença do sistema nervoso que enfraquece os músculos e afeta as funções físico-motoras. Naquela ocasião, os médicos projetavam que ele sobreviveria apenas por mais dois anos. Mas a vida não quis assim.

A Inglaterra tem longa tradição na pesquisa fundamental, principalmente nas áreas de física-matemática e astronomia. Sir Isaac Newton foi um dos grandes pesquisadores dando origem a conceitos e teorias fundamentais para o progresso da ciência e desenvolvimento tecnológico. A teoria da gravitação de Newton, postulada em 1687, foi um grande passo para a compreensão de uma das forças mais importantes da natureza, a gravidade, responsável pela atração entre os corpos devido às suas massas. É a gravitação a menor entre as forças físicas conhecidas na natureza, mas é a responsável pela harmonia do cosmo.

A força gravitacional se tornou ainda mais importante com as contribuições de Albert Einstein, quando desenvolveu a teoria da relatividade geral e novos modelos cosmológicos passaram a ser desenvolvidos e muitas de suas predições foram comprovadas observacionalmente.

Há uma geração de grandes físico-matemáticos cosmologistas, astrofísicos e astrônomos na Inglaterra. Stephen Hawking, apesar das dificuldades impostas pela ELA, escreveu inúmeros artigos científicos com inovações sobre a origem e expansão do universo, buracos negros, origem das estrelas, planetas e da vida no universo.

O livro “A Estrutura do Universo em Larga Escala”, escrito por S. Hawking e G. F. R. Ellis e publicado pela Universidade de Cambridge em 1973, é considerado como uma bíblia para a cosmologia moderna. Ambos tiveram o mesmo orientador científico, Prof. Dennis Sciama, que os introduziu à beleza da cosmologia.

Mas foi com livro “Uma Breve História do Tempo”, uma contribuição extraordinária à divulgação científica traduzido para 40 idiomas, e com o filme “A Teoria de Tudo”, que conta um pouco da sua vida, que Hawking tornou-se popularmente mais conhecido.

Durante sua vida acadêmica, Hawking recebeu várias homenagens e prêmios, inclusive condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade, por Barak Obama em 2009. Aos trinta e sete anos passou a ocupar a cátedra de Professor Lucasiano de matemática da Universidade de Cambridge, cátedra essa já ocupada por grandes nomes como Isaac Newton, criador da mecânica clássica, Charles Babbage, precursor das ideias de programação computacional e Paul Dirac, um dos criadores da mecânica quântica, entre outros.

Hawking deixa um respeitável legado científico, uma geração de pesquisadores trabalhando em suas ideias e é um exemplo de perseverança; deixa dois filhos, uma filha e três netos. Agora, mais do que nunca, vamos cultuar a sua frase memorável: Lembrem-se de olhar para cima para as estrelas…

*PhD em Cosmologia Relativista, orientado por George F. R. Ellis.

 

Imagem: Wikicommons

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