“Não existe mais lugar para amadorismo na suinocultura”, diz palestrante

“Não existe mais lugar para amadorismo na suinocultura”, diz Iuri Pinheiro Machado, presidente da Comissão de Suinocultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e da Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ao avaliar o potencial de crescimento de Goiás no setor. Segundo ele, para o estado avançar no segmento é preciso que o produtor fique atento ao mercado de grãos, porque 70% dos custos de produção estão relacionados à alimentação dos animais.
Iuri será um dos palestrantes na 3ª edição da Exposição de novas tecnologias voltadas ao desenvolvimento da pecuária (Expopec), de 22 a 25 deste mês, em Porangatu (GO). No dia 24, das 8h40 às 9h20, ele falará sobre suinocultura para os produtores e demais interessados. O objetivo, adianta, é mostrar a situação da suinocultura no Brasil e em Goiás e quais as características e peculiaridades da atividade para quem pretende investir nela.
“O Brasil é o quarto maior produtor e exportador de suínos do mundo, e Goiás é o sétimo estado produtor e quarto exportador. A carne suína ainda é pouco consumida em relação a outras no nosso país e tem grande potencial de crescimento. Não somente pela qualidade e sabor, mas também pelo preço competitivo, fruto da eficiência de produção que alcançamos”, ressalta.
Avanços e desafios
De acordo com Iuri, houve avanços no setor nos últimos anos, principalmente com a desmistificação da carne. “A derrubada de preconceitos infundados tem sido um dos maiores avanços na melhoria do mercado da carne suína. A produtividade dos rebanhos também experimentou grande salto na última década. O produtor tem que se profissionalizar, o que inclui planejamento estratégico na aquisição de insumos, como milho e farelo de soja.”
O presidente das comissões da Faeg e CNA reforça que os produtores, por meio de associações e cooperativas e com o apoio da federação, têm se organizado para buscar melhorias nas condições de produção e comercialização. “Isso tanto na eficiência de produção ou no desenvolvimento do varejo, com oferecimento de cortes práticos e atrativos ao consumidor.”
O palestrante enfatiza, entretanto, que são grandes os desafios, especialmente em relação ao acesso ao crédito. “Ainda é o principal gargalo. É uma atividade de ciclo relativamente longo que exige alto investimento em instalações e capital de giro. Sem incentivos específicos são poucos os produtores que entram na atividade.”

Produção integrada e independente
Goiás tem dois tipos de suinoculturas, observa Iuri. A maior representa mais de 70% do rebanho do estado, que é a integrada à BRF, na região de Rio Verde. “A outra suinocultura, independente, tem crescido e mudado seu perfil nos últimos anos para produtores com maiores escalas e perfil mais empresarial que no passado recente. Goiás não é autossuficiente em produção de carne suína e, em torno de 40% do produto in natura consumido no estado vem de fora, principalmente de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, ou seja, há muito mercado a ser conquistado.”
Expopec 2018
A novidade deste ano da Expopec 2018 é o espaço para aves. O evento, considerado um dos principais do Centro-Oeste voltado para à cadeia produtiva da carne, tem o objetivo de divulgar e apresentar as tecnologias direcionadas ao aprimoramento da produção de carne bovina, de aves, ovina/caprina e suína, além de discutir e apresentar o que há de mais novo no mercado nacional e internacional.
A expectativa é que a edição de 2018 receba mais de 20 mil pessoas, com volume de negócios superior a R$ 50 milhões. A realização do evento é da Faeg, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/GO), do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/GO) e do Sindicato Rural de Porangatu.
SERVIÇO
3ª Expopec
Data: 22 a 25 de março de 2018 (quinta a domingo)
Local: Parque de Exposições Agropecuárias ‘Hilton Monteiro da Rocha’
Endereço: Av. Brasília, Vila Rosa, Porangatu (GO)
Informações e inscrições: www.expopec.com.br

