Projeto desenvolverá cana transgênica resistente a herbicida e a inseto-praga

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Foto: Marcelo Lazzarotto/Embrapa

Cientistas da Embrapa Agroenergia se uniram a uma startup para desenvolver variedades de cana-de-açúcar transgênica para controle biológico da broca-da-cana e facilitar o manejo da cultura com o herbicida glifosato, por meio do projeto “Produção de variedades comerciais de cana-de-açúcar transgênica para aumento da biomassa e da produção de etanol 1G e 2G a partir da transferência de genes que conferem resistência ao herbicida glifosato e a insetos-praga”.

A parceria é resultado entre a Embrapa Agroenergia, a startup PangeiaBiotech, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii ) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Com duração de quatro anos, a cooperação entre a empresa PangeiaBiotech e Embrapa Agroenergia visa a incorporar características de valor agronômico em variedades de importância comercial top de mercado. Depois desse período, os cientistas pretendem disponibilizar no mercado um material com essa dupla transgenia.

“Para chegar com esse produto totalmente inédito no mercado, selecionamos genes com liberdade de uso”, conta Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia e líder do projeto. Além disso, os pesquisadores já iniciaram a transformação genética em laboratório com as variedades previamente selecionadas.

Também estão previstos testes em campo para validar a tecnologia. Após esta etapa de validação, parcerias estratégicas com empresas interessadas poderão ser feitas, o que envolve negociações de desregulamentação do evento transgênico para posterior venda destas variedades no mercado.

Valor agronômico

De acordo com Paulo Cezar De Lucca, sócio fundador da PangeiaBiotech, as características de valor agronômico mencionadas são, na verdade, genes já comumente usados nas culturas da soja, milho e algodão no Brasil e que agora estão sendo adaptados para a cana.

De Lucca lembra que 100% da cana é convencional, enquanto nas outras culturas cerca de 94% são variedades transgênicas. Diante desse panorama, assinala, foi observado um nicho de mercado muito interessante para se trabalhar com cana transgênica do começo ao fim.

“Somos uma startup e jamais conseguiríamos fazer isso sozinho”, acrescenta De Lucca. Para realizar o projeto a empresa entra com 1/3 em parceria com o Sebrae, a Embrapii com 1/3 e a Embrapa Agroenergia com o restante.

“Esse é o fundamento do projeto, que além de disponibilizar recursos para investir nesta iniciativa, está fazendo um elo entre uma startup e a Embrapa, que é a maior empresa de pesquisa em agricultura tropical do mundo”, salienta De Lucca.

Para mais informações sobre como fechar parceria com a Embrapa Agroenergia via Embrapii, acesse www.embrapa.br/agroenergia/embrapii.

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Foto: César José da Silva/Embrapa

Primeiro projeto

Guy de Capdeville, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, destaca que esse foi o primeiro projeto como a Embrapii. “Temos a expectativa de que, com esse modelo de financiamento de pesquisa, tenhamos novas parcerias em prol do setor sucroalcooleiro.”

O acordo foi firmado oficialmente durante o Simpósio “Integração da pesquisa pública com cana-de-açúcar no Brasil”. O evento ocorreu na semana passada, no Centro de Convenções de Cana-de-Açúcar do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em Ribeirão Preto (SP), e contou com cerca de 549 participantes.

Na abertura do simpósio, o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Celso Luiz Moretti, destacou a importância da integração entre a pesquisa pública, a privada e os diferentes stakeholders com a cadeia produtiva de cana.

O diretor ainda enfatizou a relevância da criação do fundo de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o setor sucroalcooleiro energético. “No atual contexto, a criação deste fundo representa uma iniciativa inovadora para mobilizar e aplicar recursos públicos e privados, de forma a dinamizar pesquisas que gerem novos produtos para esse importante setor produtivo.”

Um dos coordenadores do simpósio, Molinari pontuou: “O simpósio foi muito estimulante. Foi um grande dia de reflexão para acreditar que podemos fazer diferente com o apoio do setor. Isso ficou evidente na fala de cada palestrante e nos motiva a seguir em frente para criar um fundo para dar vazão às pesquisas que o setor necessita para avançar e enfrentar os desafios futuros”.

Conforme o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Guimarães, o setor de sucroenergético tem um papel fundamental na economia brasileira, mas para o país se consolidar como grande produtor e fornecedor internacional de etanol precisará investir em melhorias tecnológicas que se adequem às exigências internacionais de produção sustentável ambiental e social.

“Isso envolve a descoberta de novas variedades de cana-de-açúcar e inovações na linha de produções das usinas até a simples expansão da área agrícola. A Embrapii, através de suas unidades, poderá colaborar no desenvolvimento de novas tecnologias que venham a contribuir com o setor.”

Danos

O glifosato é o herbicida mais barato do mundo para controle de ervas-daninhas, o que é muito importante para a cana-de-açúcar, uma vez que elas competem por nutrientes e absorção de água pela planta nas fases iniciais de desenvolvimento. “Uma maneira fácil de controle é você ter um material com resistência ao herbicida”, observa Molinari.

Para ele, isso vai facilitar o manejo no campo, além de gerar um impacto econômico pela redução dos custos de produção e uma diminuição do uso deste herbicida. Além disso, o projeto visa a utilizar dois genes de resistência combinados que podem ampliar a proteção da cana contra a broca.

Atualmente, o controle da broca-da-cana é realizado por meio de inseticidas químicos e estima-se que as perdas causadas pela lagarta cheguem a R$ 4,88 bilhões por ano, se considerar a área total cultivada com cana no país.

Hoje, o mercado tem a variedade transgênica CTC20Bt, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que apresenta resistência à broca-da-cana. No entanto, ainda não estão disponíveis no mercado variedades de cana-de-açúcar combinando dois modos de ação para proteção ampliada contra a broca-da-cana e resistência ao herbicida glifosato.

Da redação, com Embrapa Agroenergia e Embrapa Instrumentação

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