CNA divulga nota de repúdio ao embargo da UE à carne de frango brasileiro

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou, nesta sexta-feira (20), nota repúdio à decisão da União Europeia de embargar 20 plantas exportadores de carne de frango, sob a alegação de problemas sanitários. A entidade também cobra medidas urgentes do governo federal para reverter a situação.
O Brasil é um maior exportador mundial de frangos, e o setor gera 4,1 milhões de empregos diretos e indiretos. As restrições impostas pelos europeus devem ter reflexo na cadeia produtiva, com o fechamento temporário – ou até definitivo – de plantas processadoras e desemprego.
Abaixo, a nota da CNA:
“Frente à decisão tomada ontem pelo bloco europeu de embargar 20 plantas exportadoras de carne de frango brasileira, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil manifesta indignação pela arbitrariedade da medida e cobra ações rápidas do governo brasileiro para minimizar os já enormes danos causados aos nossos avicultores.
130 mil famílias de produtores rurais dedicam suas vidas à produção nacional de carne de frango, a mais consumida no nosso país. O Brasil é o segundo maior produtor e o primeiro exportador mundial do produto, atividade que gera 4,1 milhões de empregos diretos e indiretos para a nossa economia, e que supre os lares de bilhões de consumidores em todo o planeta.
É o único grande produtor global de aves que nunca reportou casos influenza aviária. Essa realidade demonstra a excelência dos controles sanitários aplicados pelos produtores brasileiros. Por outro lado, nossos concorrentes, como a própria União Europeia e os Estados Unidos, enfrentam dificuldades para manter o mesmo padrão de sanidade animal.
Hoje, devido à qualidade do nosso produto, exportamos para mais de 160 países. Só para se ter uma ideia da importância comercial do setor, a carne de frango é o sexto principal produto da nossa balança comercial.
Com a suspensão, esse cenário está ameaçado. É preciso atuar em várias frentes para reduzir o impacto para as famílias envolvidas na cadeia de produção avícola. Em primeiro plano, o governo brasileiro precisa agir de forma enérgica para garantir uma comunicação eficiente a todos os demais parceiros comerciais, explicando os motivos discriminatórios da suspensão europeia e garantindo a qualidade dos produtos brasileiros.
Paralelamente, torna-se imperativo rever a relação bilateral com a União Europeia. Decisões arbitrárias como a em questão podem prejudicar a continuidade das negociações de um possível acordo de livre comércio com o bloco. Não há confiança num parceiro que cria normas sanitárias para disfarçar barreiras ao comércio.
Já sabemos que a prática é comum na União Europeia e atinge diversos produtos brasileiros, como carne suína e laticínios. Essa posição diferenciada da União Europeia apenas com os produtos agropecuários do Brasil não pode continuar regendo o relacionamento comercial. Por isso, apoiamos a decisão de abrir contencioso contra o bloco europeu, que deverá responder mais uma vez por suas práticas discriminatórias perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).
O produtor sabe que temos capacidade para vender carne de frango para qualquer mercado internacional. É imperativo neste momento que o resto do mundo também tenha essa certeza.
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA”

