A genética da inteligência

Waldir Leite Roque/Prof. Titular – UFPB

A cada dia mais e mais estudos sobre o DNA humano estão sendo conduzidos em laboratórios de pesquisas das universidades ou mesmo de empresas especializadas. Já há muitas empresas fazendo análise do DNA diretamente de consumidores a custos acessíveis. Em geral, as análises são para detectar anomalias específicas do indivíduo visando terapias individualizadas, o que está sendo chamado de medicina de precisão. Por outro lado, há vários anos, estudos também vêm sendo conduzidos para correlacionar a genética a um atributo humano muito particular: a sua capacidade cognitiva geral, ou seja, a inteligência.

De uma forma bastante ampla, inteligência é a capacidade de um indivíduo raciocinar, aprender e resolver problemas. Estas são habilidades que nos diferenciam dos animais. A inteligência é um traço latente do ser humano que não é diretamente observável, porém ela pode ser inferida por meio de diversos testes cognitivos, os quais produzem a um escore, como o quociente de inteligência (QI). Atualmente já estão identificados e correlacionados cerca de 500 genes à performance no QI.

Como a inteligência é uma das melhores previsoras de sucesso educacional e profissional, embora ainda com pouca acurácia, testes genéticos de QI estão sendo utilizados para estimar a propensão genética de um indivíduo para o aprendizado, raciocínio e resolução de problemas técnicos e sociais. Com isso, projeta-se que será possível delinear métodos de ensino configurado para o indivíduo, uma espécie de “educação de precisão”, semelhante à medicina de precisão. É claro que teste genéticos de inteligência abre discussões éticas profundas relacionadas à eugenia, discriminação e segregação intelectual, especialmente nos dias de hoje onde ainda se luta para que os preconceitos raciais e de gênero sejam abolidos.

As pesquisas também asseguram que a inteligência não é 100% herança genética, há fatores exógenos que influenciam o seu desenvolvimento. Como a inteligência é um atributo maleável, especialmente na infância, ela pode ser aprimorada quando condições ideais de bom suprimento nutricional, educação de boa qualidade e, em termos gerais, vida saudável, estão disponíveis. Os índices de desenvolvimento humano (IDH) dos municípios brasileiros são muito heterogêneos e em sua grande maioria baixos, o que é um indicativo da baixa qualidade de vida dos cidadãos destes municípios. O Brasil precisa cuidar mais e melhor das crianças hoje para garantir um país inteligente no futuro e isso passa inexoravelmente por políticos e governos trabalhando em conjunto pelo estabelecimento de políticas públicas que garantam pelo menos a oferta das necessidades básicas de educação, alimentação, saúde e segurança com qualidade.

 

 

 

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