Crise no setor de leite: Produtores reforçam pedido de apoio ao governo
Da redação/AGROemDIA
O segundo semestre nem bem se anunciava, e os produtores de leite já avistavam mais um capítulo da crise sistêmica que atinge o setor há pelo menos cinco anos. Nos últimos seis meses do ano, os preços ao produtor sempre têm caído acentuadamente, como começa a ocorrer neste momento. Revoltados com a situação, os produtores espalharam, nesta semana, via grupos de WhatsApp, vídeos para pedir apoio ao governo e reforçar aos laticínios a necessidade de dialogar para buscar o equilíbrio dentro do segmento, a fim de que eles deixem de ter prejuízos que ameaçam à sobrevivência da atividade leiteira.
A indignação dos produtores está ecoando de norte a sul do país. Organizados nas mídias sociais nos grupos Movimento Construindo Leite Brasil e Inconfidência Leiteira, eles formaram uma rede de relacionamento com milhares de pessoas. Além dos próprios pecuaristas, de seus familiares e colaboradores, esses grupos têm seguidores de outras áreas, de donas de casa veterinários e zootecnistas, passando por técnicos agrícolas, revendedores de insumos e outras agentes da cadeia leiteira.
Eles também estão se fazendo ouvir entre os parlamentares, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), governos estaduais e entidades representativas do setor, como sindicatos rurais, associações como a Abraleite, federações e Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Indignação generalizada
O pedido de socorro que enviaram via WhatsApp, nesta semana, faz parte das ações que vêm desenvolvendo para sensibilizar o governo federal, os governos estaduais e municipais, a indústria e até o comércio sobre a necessidade de assegurar sustentabilidade à cadeia leiteira.
“Nos últimos anos, as propriedades leiteiras vêm perdendo rentabilidade na atividade, a carga tributário, aumentando e o lucro por litro de leite, diminuindo. Temos produtores com dívidas atrasadas e outro com débitos ajuizados. Agora, com nova queda de preço ao produtor, pode ter uma desistência em massa da atividade, porque ninguém aguenta mais cobranças judiciais e investir para trabalhar de graça”, diz um dos participantes do movimento, com propriedade no Rio Grande do Sul.
“Há um sentimento generalizado de indignação no setor. Mas, ao mesmo tempo, houve um empoderamento do produtor de leite, que está reconhecendo seu próprio valor para a economia brasileira e para a segurança alimentar do país, especialmente para as camadas mais pobres. Por isso, queremos ser tratados com dignidade, o que passa pela valorização do nosso trabalho e do nosso produto”, acrescento um produtor goiano, que também preferiu não se identificar. “Somos um movimento sem lideranças personalistas. O que nos único é a causa do leite.”
Há um sentimento generalizado de indignação no setor. Mas, ao mesmo tempo, houve um empoderamento do produtor de leite, que está reconhecendo seu próprio valor para a economia brasileira e para a segurança alimentar do país” – Produtor de leite de Goiás
Preços baixos e fim da tarifa antidumping
Além dos preços baixos (a queda já varia entre R$ 0,20 e R$ 0,30), os produtores reclamam da alta carga tributária, do fim da tarifa antidumping na importação do produto, da falta de previsibilidade no pagamento do leite vendido aos laticínios – eles recebem entre 30 dias até 50 dias após a entrega –, das assimetrias do Mercosul, que favorece a Argentina, o Uruguai e o Paraguai na concorrência no mercado interno, e da carência de infraestrutura (estradas em boas condições) para escoamento da produção, além da deficiência no fornecimento de energia elétrica.
Os produtores temem que o setor encolha ainda mais. Hoje, 1,2 milhão de propriedades rurais, onde trabalham cerca de 3,6 milhões de pessoas, se dedicam à produção de leite. O abandono da atividade por um expressivo número de produtores pode não só agravar a crise setorial, mas também a situação do país, com mais desemprego, menos geração de renda e forte enfraquecimento das economias locais. A cadeia do leite é considera a de maior importância socioeconômica do agro.


mas ficar subsidiando produtor e vantajoso?