MT: “É fake”, reage Galvan sobre apoio de Bolsonaro à candidata ao Senado

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Galvan (D): Bolsonaro dará tiro no pé se apoiar a tenente-coronel Rúbia Oliveira na disputa ao Senado, na vaga da senadora cassada Telma Arruda – Foto montagem: Aprosoja/MT e ABr

João Carlos Rodrigues//AGROemDIA

“Pra mim, isso é fake. Se eu vir um vídeo do presidente falando, vou passar a acreditar.” Assim, Antônio Galvan, presidente da Aprosoja/MT, reagiu à notícia de que Bolsonaro anunciou apoio a uma mulher na eleição suplementar para o Senado em Mato Grosso, marcada para 26 de abril. Para Galvão, se a informação for verdadeira, o presidente pode não ter o apoio do setor rural na disputa eleitoral. “Ele vai dar um tiro no pé.”

Produtor rural e filiado ao PRTB, Galvan é um dos nomes cotados para entrar na disputa, como um dos representantes do agronegócio do estado – principal polo agrícola do país –, na vaga da ex-senadora Selma Arruda (Podemos), cassada pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE), no fim de 2019, sob a acusação de caixa 2 e abuso de poder econômico.

Bolsonaro disse, na sexta-feira 6, no Palácio do Planalto, que terá uma candidata na eleição de MT. “Eu não posso falar o nome agora, porque seria propaganda antecipada. Mas como hoje é dia da mulher: será uma mulher”, afirmou o Bolsonaro, segundo a Agência O Globo.

Em entrevista por telefone ao AGROemDIA, nesse sábado 7, o presidente da Aprosoja/MT manifestou não só a sua incredulidade com a notícia, mas também uma enorme frustração, caso se confirme o anúncio feito por Bolsonaro, que teve apoio majoritário do agro para se eleger em 2018.

A imprensa de MT informa que a candidata de Bolsonaro seria a tenente-coronel PM Rúbia Fernanda de Oliveira Santos (Patriota), casada com o coronel PM Wanderson Nunes de Siqueira, que disputou uma vaga à Câmara dos Deputados pelo Partido Verde (PV), em 2018, mas não se elegeu.

A indicação de Rúbia, noticia o Diário de Cuiabá, seria uma “criação do deputado Eduardo Bolsonaro”. A candidatura teria sido articulada por empresários e evangélicos, como o ex-deputado federal Victório Galli, que comanda o partido em MT e é ligado ao grupo político de Bolsonaro.

Mesmo que o apoio venha a ocorrer, Galvan acha que Bolsonaro não conseguirá transferir o voto do eleitor mato-grossense, principalmente o do produtor rural, para a Rúbia.  “Duvido que ele [presidente] vá conseguir transferir voto, nesse caso específico.”

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Galvan: Bolsonaro não conseguirá transferir votos do produtor rural – Foto: Divulgação

A seguir, os principais trechos da entrevista de Galvão ao AGROemDIA:

“Só acredito vendo”

“Quanto a essa declaração, eu não ouvi o Bolsonaro fazer. Se ele fizer um vídeo, falando, eu vou passar a acreditar, porque eu, primeiro, não acredito que ele iria se manifestar antes das convenções partidárias. A gente já tinha a informações de que ele se manifestaria somente depois de decidir realmente o candidato.”

“Possível candidata”

“Eu o vejo com muito mais proximidade de outros candidatos, por mais que o Galli também seja próximo dele e tenha seu nome cotado para primeiro suplente dessa possível candidata a senadora. Ela apareceu agora no cenário político, sem conhecimento de ninguém.”

“Não passa de invenção”

“Duvido que ele [Bolsonaro] tenha feito essa declaração. Se ele fizer um vídeo, eu vou passar a acreditar. Para mim, não passa de fake news, uma invenção, porque sabe-se que o apoio dele é importante, com certeza absoluta, para qualquer candidatura, mas não é chamando um nome assim, porque tem pessoas bem próximas dele que também são candidatas. A gente mesmo o apoiou abertamente na eleição de 2018 para presidente.”

“Tiro no pé”

“Se isso vier a ocorrer, não acredito que o povo de Mato Grosso, em especial os nossos produtores rurais, acompanhe esse voto pelo fato de ter o apoio de Bolsonaro.  Para mim, o presidente dará um tiro no pé em relação a sua credibilidade, porque ele tem pessoas muito próximas dele que são candidatas [ao Senado por MT] e que trabalharam abertamente para ele na eleição de 2018.”

“Quero ver pra crer”

“Há diferença entre o poder e o fazer. O Bolsonaro pode ter dito que pode vir a fazer isso [apoiar a candidatura da tenente-coronel]. Eu continuo dizendo que duvido que ele vá fazer isso, mas eu quero enxergar para crer. Acho que não será aleatoriamente, por pressão, que ele vá apoiar A ou B. Se tem uma pessoa que não admite pressão, é o Bolsonaro. A gente tem um estilo parecido. Se vier me fazer pressão sem me convencer, é perda de tempo. Pode vir o Papa…”

“Só acredito com vídeo”

“Acredito que ele talvez nem conheça a candidata. Conhece o Galli. Não duvido que o Galli tenha tentado fazer essa aproximação, mas entre dizer e fazer há uma distância longa. Por isso, só vou acreditar quando ouvi-lo falando em um vídeo: ‘Vou dar apoio para A ou para B’.”

“Transferência de voto”

“De uma coisa eu tenho certeza: duvido que ele vá conseguir transferir voto, nesse caso específico. Se fosse o Galli na cabeça [da chapa para o Senado], que está lá próximo dele, foi deputado federal e sempre o acompanhou, aí sim. Mas acho difícil [transferir votos] para essa pessoa, que não é conhecida. Não tenho nada contra ela, não a conheço e respeito a candidatura dela, caso ela realmente venha a ser candidata, porque é um direito de qualquer pessoa.”

“Frustração”

“Para mim, será uma frustração, porque ele não vai conseguir transferir votos para que uma pessoa desconhecida seja eleita senadora. Embora o presidente tenha grande popularidade em Mato Grosso, acho que ele também vai ser frustrar, ao deixar de apoiar pessoas que foram apoiadoras dele na campanha passada.”

“Candidato do PV”   

“Tem mais: o esposo dela foi candidato a deputado federal pelo PV em 2018. Um partido de oposição ao Bolsonaro. Se foi candidato pelo PV, a tendência de ele ser de esquerda é grande. Então, tem mais esse agravante. É muito coisa muito complicada. Por isso, é difícil acreditar numa situação dessas, mas nada é impossível.”

AGROemDIA

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