Gadolando cobra medidas contra importação de leite e alta dos insumos

As recentes resoluções aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para apoiar o setor de leite não reduziram as preocupações da base produtora com as importações de lácteos e alta dos custos de produção. Em nota divulgada nesta terça-feira (2), a Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) reforça o pedido para que o governo federal tome medidas para frear a alta das compras de lácteos de outros países e dos preços internos dos insumos.
“A Gadolando se junta a outras entidades e solicita que sejam tomadas medidas para frear a alta importação do leite. Todos os elementos dos últimos anos trouxeram prejuízos ao produtor, que amargaram com alta dos custos, especialmente após as estiagens da temporada passada e no início desta safra”, diz a nota.
Segundo o presidente da Gadolando, Marcos Tang, diversas situações fizeram com que o produtor chegasse a uma encruzilhada. “Tivemos estiagens repetidas, alta de importações e principalmente a elevação dos insumos para tratar os animais e produzir nosso produto.”
Diante deste cenário, Tang cobra uma medida emergencial de proteção ao setor. “Ou que se possa trazer o milho para alimentação mais barato. O produtor não quer chorar e ganhar coisas de graça, mas precisamos ter um mínimo de margem de lucro.”
Para Tang, o apoio ao setor leiteiro é uma questão de soberania nacional. “Precisamos de uma atitude momentânea para não corrermos o risco de novamente milhares de pessoas pararem as atividades e sobrecarregar o desemprego nas cidades, porque esta é a atividade que mais mantém o homem no campo.”
Embora reconheça a dificuldade do governo em taxar ou liminar as importações de lácteos do Mercosul, por causa da legislação, o presidente da Gadolando considera a medida necessária, sob pena de prejudicar enormemente o produtor. “Algo precisa algo ser feito para manter o nosso produtor vivo.”
Na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou duas medidas para apoiar o setor lácteo: crédito de custeio com prazo de até dois anos para retenção de matrizes bovinas de leite e Financiamento para Garantia de Preços ao Produtor (FGPP) para beneficiamento ou industrialização de leite, com limite de crédito de até R$ 65 milhões, taxa de juros de 6% ao ano e prazo de reembolso de até 240 dias.

