Uma França real

Gil Reis*

Existe um mundo real que passa bem distante das lideranças contaminadas pelo ideário do ecoterrorismo. As pessoas do campo que se dedicam à produção agropecuária, por exemplo, centram sua preocupação na lida do dia a dia para produzir os alimentos que garantem a sobrevivência de todos nós. O povo rural está acostumado, desde a mais tenra infância, a enfrentar as intempéries provocadas por mudanças climáticas inesperadas sem lamúrias, com a consciência de que é preciso trabalhar para recuperar o que foi perdido.

As mudanças climáticas são um constante impacto nas vidas dos produtores, desde que plantam a primeira lavoura ou iniciam a criação de animais de produção. Aliás, neste aspecto, o povo do agro é igual mundo afora. Hoje, há uma campanha mundial de desencorajamento da produção, como se os seus mentores se alimentassem apenas do vento e dos raios solares. Precisamos entender que os seres humanos não se alimentam da fotossíntese, como as plantas.

Escrevi este artigo sem saber qual a conclusão final da COP26. Baseio-me apenas nas informações que obtive sobre alguns acordos de intenção que governantes e empresários assinaram. Uma coisa ficou evidente: trata-se de um movimento das elites governantes, empresariais e ativistas que nunca plantaram nada, além de discórdia. Ou que nunca criaram nada além de seus pets, sem ouvir ou cheirar os produtores rurais de seus próprios países. Todos alimentados pelos agropecuaristas esquecidos e denegridos.

O que todos puderam presenciar foi a enorme produção de CO2, tão condenada pelos ecoterroristas travestidos de ambientalistas, de seus jatos e veículos movidos a combustíveis fosseis. A reunião mostrou que a ONU, criada para promover a união dos países e pacificação do planeta, hoje também se dedica a incentivar a discórdia, apoiada por um continente afeito à devastação, à escravidão, à eugenia e ao colonialismo, que nos últimos séculos nos deu guerras mundiais, ideologias destrutivas e colonialismo explorador.

Este artigo foi inspirado e teve sua gênese no envio gracioso do amigo Dalton Miranda de uma matéria publicada no diário francês Le Monde, de 25 de outubro de 2021 e de autoria de Esther Michon, com este título: “Quais são os sonhos dos jovens rurais na França?

“Seis meses antes da eleição presidencial, o Le Monde pinta um retrato único do país. 100 jornalistas e 100 fotógrafos cruzaram o campo em setembro para retratar a França de hoje. Uma imagem cheia de nuances, às vezes terna, às vezes dura, sempre longe de preconceitos.

Quais são as aspirações, mas também os medos, de um jovem rural que não estamos acostumados a ouvir? No quadro da operação especial do Mundo “Fragmentos da França”, para a qual cem jornalistas, acompanhados por cem fotógrafos, pintam um retrato inédito do país, nosso grande repórter Luc Bronner foi a uma escola agrícola para conhecer esses jovens uns.

Qual é sua relação com o trabalho em uma profissão particularmente difícil? Eles têm medo de ver seu modo de vida e sua profissão questionados pelos debates em torno do impacto da agricultura no meio ambiente?

Charles Elgoyhen tem o riso deslumbrante de sua idade (16) e os planos de um adulto: um dia assumir a fazenda da família de 650 ovelhas e 80 cavalos no vale de Aspe. Margot Labourdette, 17, filha de mãe confeiteira e pai criador de gado, mostra seu quarto no colégio interno onde os enfeites coloridos respiram a infância fugitiva. Seu sonho é assumir a fazenda de seu pai (120 cabeças) para continuar a fazer crescer o rebanho, aprimorando, repetidamente, o trabalho de seleção genética de seus animais. “Como meu avô, meu pai, meu tio”, disse ela.

Na escola agrícola de Pau-Montardon, floresce um jovem rural cujo horizonte muitas vezes é a retomada da agricultura familiar. Um destino traçado que garante o futuro, mas que também inclui sua parcela de preocupações.

” Vocês estão felizes? “

Uma vez, dez, vinte vezes, a resposta é a mesma, sem hesitação e com um sorriso vagamente surpreso: “Sim, sim!” Vizinhos em um dormitório no colégio interno conversando antes de as luzes se apagarem. Amigos de formatura que terminam o almoço na cantina. Alunos da BTS participando de uma aula prática de trabalho para aprender como imobilizar uma vaca sem machucá-la ou se colocar em perigo.”

Este é o mundo rural real da França, onde, como já disse antes, os produtores rurais são iguais aos de todo o planeta e a nova geração tem exatamente os mesmos anseios. Já a geração mais antiga não concorda com as bandeiras ambientais e as providências que estão sendo tomadas para cumpri-las. Pelo menos é o que se constata em entrevista de Joëlle ao Le Monde:

“Joëlle Villa, uma ex-pastora de 70 anos, gosta de passear com as cabras nas colinas que circundam a sua casa, em Artigues, no Var. Mas seu prazer não é o mesmo. Enormes turbinas eólicas agora obstruem seu horizonte. Vinte e dois mastros de 80 metros, equipados com pás de 45 metros de comprimento, brilham sob o sol provençal. “À noite, pisca e perturba os meus animais, e quando é o vento leste, ouvimos o barulho das suas lâminas”, irrita – se ela. Instalada com Gilbert, seu marido, de 82 anos, ela sabia muito bem que a ameaça existia, mas realmente não queria acreditar. “As pessoas não são incomodadas enquanto estiverem longe. Mas quando eles passam e os veem, dizem “meu deus, que horror, que feio”. ”

Este é o topo do “iceberg” e o verdadeiro meio rural da França, muito distante do que Emmanuel Macron. Hoje quase ex-presidente do país, ele diz e prega com o seu discurso acusatório ambientalista, enquanto, sob sua gestão, a França transgride as normas ambientais do ideário que ele mesmo prega e tenta impor ao Brasil. Caso tivesse dedicado seu tempo para melhor governar, provavelmente a França estivesse mais bem posicionada economicamente. Tentar creditar os seus próprios erros no comando do país a outros não resolve nada e os problemas serão herdados por quem o suceder.

Os governantes do mundo inteiro precisam entender o que o Manual de Identidade Verbal, publicado pelo Sistema CNA/Senar, diz e que vale a pena ser gravado na memória de todos – o produtor alimenta o futuro. Uma verdade inconteste, apesar de tudo o que propalam os ambientalistas e colaboracionistas.

*Consultor em Agronegócio

 

 

AGROemDIA

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