Campanha mundial defende o fim das exportações de animais vivos

Foto: Fórum Animal/Divulgação

O Fórum Animal está aderindo a uma campanha internacional proposta pela Compassion in World Farming (CWF). A entidade de proteção animal britânica defender que “todos se juntem para apoiar iniciativas pela proibição das exportações de animais vivos no próximo dia 14 de junho, como parte das ações da sétima edição do Dia Internacional de Conscientização pelo Fim da Exportação de Animais Vivos”, informa o Fórum Animal.

Desde 2016, lembra o Fórum Animal, a CWF realiza no dia 14 de junho inúmeras ações e reúne pessoas de todo o mundo para protestar contra a continuação desse tipo de comércio. Este ano, será lançado um novo vídeo para pressionar a União Europeia a rever os regulamentos da prática.

“Todas as pessoas podem agir e ajudar nesta luta de diferentes maneiras. Podem se juntar a nós em um “Twitterstorm” ou assinar a petição proposta com o objetivo de propor que a UE proíba este comércio cruel e desnecessário”, diz o Fórum Animal.

Em nota, a instituição acrescenta: “Todos os anos, milhões de animais vivos, incluindo bezerros, ovelhas e porcos são transportados por via rodoviária, ferroviária, marítima ou aérea através dos continentes. Mais de três milhões são exportados somente da UE”.

Ainda de acordo com o Fórum Animal, anualmente, 11 milhões de bovinos são exportados vivos para abate em navios por longas distâncias, sendo que 18% desses animais partem de portos na Oceania e na América do Sul.

Austrália e Brasil lideram mercado

“A Austrália segue sendo o maior exportador de bovinos vivos por via marítima do mundo e o Brasil ocupa a 2ª posição no ranking. Em 2019, o Brasil foi o maior exportador de bovinos vivos para o Oriente Médio e o segundo para o Norte da África. Durante esse tempo, eles sofrem condições horríveis, como superlotação e temperaturas extremas que causam enorme dor e angústia”, pontua o Fórum Animal.

O transporte fluvial de animais vivos no Brasil iniciou em 2002. Apenas três estados concentram quase 95% das exportações marítimas de bovinos vivos. Hoje, os animais são embarcados dos Portos de Vila do Conde (PA) – 66,4%; Rio Grande (RS) (20%); e São Sebastião (SP) (8,3%) (período de 2012 a 2020).

“Entre os anos de 2016 a 2020, a participação da atividade nas exportações dos três estados foi insignificante, representando apenas 1,15% das exportações do Pará (em US$ FOB), 0,34% das exportações do Rio Grande do Sul e 0,06% das exportações do estado de São Paulo, mostrando que, no aspecto econômico, a prática também não agrega para o país”, sublinha o Fórum Animal.

Segundo dados obtidos no site do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (extinto no governo Bolsonaro e incorporado ao Ministério da Economia), em 2018, o total de exportações atingiu mais de 700 mil animais. Desde então, vem apresentando um expressivo declínio. Em 2019 foram 473.925 animais, seguido por 328.654 em 2020 e 59.908 em 2021.

União Europeia e Reino Unido

“Banir a exportação marítima de animais vivos para abate faz parte do plano nacional de bem-estar animal do Reino Unido após deixar a União Europeia e o Governo da Nova Zelândia (NZ) anunciou o fim da exportação marítima de bovinos vivos com um prazo de transição”, relata o Fórum Animal.

“Este ano, há uma chance crucial de influenciar a legislação da UE, pois as comissões farão revisões legislativas em regulamentos de transporte. Portanto, há possibilidade de pedir aos ministros da agricultura nacionais para incluir a exportação de animais vivos nas pautas de discussão. Mudanças nos mercados internacionais são um importante termômetro e forçam modificações no comércio internacional como um todo, incluindo o Brasil”, enfatiza o Fórum Animal.

A instituição brasileira informa ainda: “Nós que estamos fora da UE podemos assinar a petição da Compassion organizada em conjunto com a Four Paws e WeMove Europa que até hoje já recolheu mais de 900.000 assinaturas. No Brasil, o Fórum Animal periodicamente realiza ações de conscientização pública, busca o engajamento de apoiadores e se envolve em ações judiciais pedindo a interrupção dessas operações”.

Conforme o Fórum Animal, as duas edições passadas da manifestação foram realizadas virtualmente devido às restrições impostas pelo covid-19, mas receberam grande apoio e mobilização em mais de 40 países e por mais de 150 ONGs que se juntaram ao Twitterstorm para conscientizar sobre este comércio horrível com tweets contendo a hashtag #BanLiveExports.

Atuação pioneira e questão ética e moral

“O Fórum Animal é, entre as organizações de proteção animal brasileiras, pioneira na atuação contra a exportação marítima de animais vivos, participando de debates públicos e expondo em ambientes políticos, acadêmicos e nos meios de comunicação, a crueldade intrínseca dessa prática condenável que desrespeita a ciência e o bem-estar animal. Nossa atuação busca ampliar a consideração ética e moral dos animais e garantir que atividades puramente comerciais e desnecessárias como esta sejam eliminadas, pois envolvem intenso sofrimento animal. O Brasil está na contramão dos países mais desenvolvidos que avançaram em políticas públicas e comerciais para proibir ou estão em vias de proibição da prática, entendendo que a sociedade não aceita mais argumentos que em nada justificam o sofrimento intrínseco da exportação de animais vivos”, afirma a diretora técnica do Fórum Animal, a médica veterinária Vania Plaza Nunes.

A exportação de animais vivos no Brasil consiste em exportar bovinos vivos em grandes embarcações, por via marítima. Os principais destinos são os países do Oriente Médio, principalmente a Turquia e o Norte da África, onde os animais serão abatidos conforme o preceito da religião muçulmana (método Halal).

 

AGROemDIA

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