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Subsídios federais para o agro e preocupações com os preços

Gil Reis*

Enquanto lutamos no Brasil, juntamente com a maioria dos países que produzem alimentos para o mundo, para defender a agropecuária de todos os tipos de ataques com argumentos falaciosos como aquecimento global e alterações climáticas, na outra ponta nos defrontamos com outros assuntos díspares, como correção de reforma tributária e campanhas de ONGs internacionais que ficam procurando ‘pelo em ovos’, como bem-estar animal, sem que haja qualquer preocupação estrangeira com o nosso bem-estar humano.

Como disse antes, enquanto defendemos o nosso agro, país como os EUA, matreiramente, demonstra como cresceu e se tornou um líder do planeta – protege a sua produção de alimentos. O site AP publicou, em 29 de junho deste ano, artigo assinado por Scott Mcfetridge – “US$ 115 milhões em subsídios federais darão um impulso aos processadores de carne menores em 17 estados”. Transcrevo trechos:

“Operadoras menores de carnes e aves em 17 estados receberão US$ 115 milhões em doações, anunciou o Departamento de Agricultura dos EUA na quinta-feira, enquanto a agência  seus esforços para mudar uma tendência de décadas de consolidação na produção de alimentos.

O secretário de Agricultura, Tom Vilsack, anunciou as doações em um evento em Des Moines com agricultores, processadores de carne e empresários que se beneficiaram da ênfase do USDA em ajudar pequenos agricultores a encontrar novos mercados e adicionar processadores menores a uma indústria de carne agora dominada por um punhado de gigantes empresas.

Vilsack, ex-governador de Iowa, observou que 7,5% das fazendas agora recebem 89% de toda a renda agrícola. Embora Vilsack tenha dito que essas grandes operações são importantes, é vital que os pequenos agricultores recebam uma parcela maior da renda para reverter o declínio da população e da riqueza nas comunidades rurais.

Mudar as tendências de consolidação levará tempo, reconheceu Vilsack, mas disse que sem essa mudança os EUA veriam menos famílias de agricultores, menos clientes para empresas de pequenas cidades e menos crianças em escolas rurais.

‘O pior de tudo é que pais e avós sentados à mesa do café precisam ouvir seus filhos e netos explicando por que estão indo embora’, disse Vilsack.

O financiamento anunciado na quinta-feira inclui 10 prêmios para destinatários em 12 estados, totalizando US$ 77 milhões por meio de um programa que financia a inicialização ou expansão de plantas de processamento de carne e aves. Os prêmios incluem US$ 15 milhões para o Mountain West Economic Development em Montana para expandir as operações de matadouros no estado de Flathead Valley e US$ 800.000 para a Farmers Union Foundation para processadores menores em Minnesota, Montana, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Wisconsin.

O USDA concedeu cinco prêmios, totalizando US$ 38 milhões por meio de um programa de expansão de matadouros que ajudará produtores independentes em cinco estados. Os projetos que recebem financiamento estão no Colorado, Connecticut, Geórgia, Indiana, Iowa, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Montana, Nova York, Dakota do Norte, Ohio, Dakota do Sul, Tennessee, Texas e Wisconsin.”

Mas as preocupações americanas não se limitam aos subsídios para a proteção da produção de alimentos. Vão além e envolvem a proteção ao consumidor do preço dos alimentos. O site BROWNFIELD publicou o artigo “Estudo do USDA adverte que carne bovina dos EUA desencadeia tarifas japonesas”, em 28 de junho de 2023, de Larry Lee, que transcrevo partes:

“Um estudo recente do Serviço de Pesquisa Econômica do USDA mostra que as exportações de carne bovina dos EUA para o Japão podem desencadear tarifas a partir de 2028.

A economista agrícola Brenda Boetel, da Universidade de Wisconsin River Falls, disse à Brownfield que espera que as exportações para o Japão diminuam no curto prazo, à medida que a produção de carne bovina dos EUA diminui. Ela diz que isso é problemático porque reduz o limite para acionamentos tarifários. ‘À medida que começamos a crescer novamente, naturalmente, o Japão começaria a importar mais carne bovina dos EUA e, se chegarmos ao ponto em que importamos mais do que no ano anterior, atingiremos esse gatilho’. As tarifas sobre a carne bovina dos EUA seriam aumentadas para 50% da taxa normal de 38,5%.

Boetel diz que os EUA respondem por cerca de 40% das importações do Japão, portanto, um aumento nas importações japonesas de carne bovina da Austrália também pode desencadear tarifas quando o limite total de importação do Japão for atingido. ‘Esse gatilho, por si só, esse volume agregado, afetará mais adversamente os produtores de carne bovina dos EUA do que diria, por exemplo, os produtores de carne bovina australianos apenas por causa da natureza da quantidade de importações que o Japão recebe dos vários países’. Diz, também, que não é apenas o volume da carne, mas o valor da carne que é importante.

E que os EUA provavelmente continuarão exportando cerca de 12% de sua produção de carne bovina, mesmo com a queda na produção. O acordo comercial bilateral EUA-Japão agora inclui um mecanismo de três gatilhos que deve ser cumprido para que o Japão implemente a salvaguarda e imponha uma tarifa mais alta e temporária sobre a carne bovina dos EUA.

As importações dos Estados Unidos devem exceder o nível original de proteção da carne bovina sob o Acordo Comercial EUA-Japão;

O volume agregado das importações de carne bovina dos Estados Unidos e dos signatários originais do Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP) deve exceder a salvaguarda da carne bovina do CPTPP.”

Pois é, meu caro leitor, enquanto nós aqui no Brasil andamos na contramão da estrada do sucesso que abrimos com a revolução da agricultura tropical, os EUA fazem a escolha correta, apesar da tentativa de invasão das ONGs internacionais. Lá, o agro é protegido como aquele setor que lhes dá o ‘pão de cada dia’. Também se pode perceber que o consumidor lá é bem mais protegido que aqui. Não consigo entender porque diante dos sucessos de alguns países não seguimos os exemplos, mas insistimos em copiar os insucessos. Este é um caso que merece um aprofundado estudo sociológico.

“Fiquei impressionado com a urgência de fazer. Saber não é suficiente; devemos aplicar. Estar disposto não é o suficiente; devemos fazer” – Leonardo Da Vinci

 *Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

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O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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