Revelados os bastidores da Comissão Europeia
Gil Reis*
Novamente sou obrigado a dizer àqueles que endeusam os países ricos que escândalos não ocorrem apenas nos pobres. No caso da colonialista União Europeia o escândalo desnuda como tem sido construída a política ambiental para o mundo, notadamente o Green Deal. A UE está indefesa perante as ONGs internacionais que capturaram as decisões da Comissão Europeia. Um jornal holandês, através de reportagem investigativa descobriu todas as conquistas das ONGs comprando membros da Comissão para impor ao mundo uma legislação ambiental draconiana, que nós brasileiros temos sido atrapalhados na produção rural.
O escândalo chegou ao mundo dito livre nos textos do site BrusselsMorning que publicou, em 29 de janeiro de 2025, a matéria “A Comissão Europeia enfrenta seu maior escândalo em 20 anos”, assinada por Tomáš Zdechovský, deputado do Parlamento Europeu, que vale a pena ser lida e transcrevo trechos desse escândalo seríssimo.
“Há alguns dias, o jornal holandês De Telegraaf fez descobertas que agora estão abalando toda a União Europeia. A Comissão Europeia há muito apoia financeiramente organizações não governamentais (ONGs) que fazem lobby pelas políticas verdes do ex-comissário da UE Frans Timmermans. Os lobistas, financiados pelo orçamento da UE, foram encarregados de influenciar os políticos a aprovar o Green Deal. Isso é evidenciado por contratos secretos obtidos pelo jornal holandês.
Essa foi a principal razão pela qual a história chegou ao De Telegraaf, provocando um debate público há muito esperado sobre esses contratos. Como resultado, a atual Comissão Europeia não teve escolha a não ser iniciar uma investigação sobre o escândalo.
De acordo com os documentos, essas organizações foram encarregadas de persuadir os membros do Parlamento Europeu (MEPs) e os estados membros da UE a apoiar medidas verdes ainda mais ambiciosas, particularmente no âmbito do Green Deal. A Comissão Europeia financiou organizações ambientais para fazer lobby pela adoção de regulamentos mais rígidos, como a Lei de Restauração da Natureza.
Uma dessas organizações foi o European Environmental Bureau, que serve como um grupo guarda-chuva para ONGs ambientais em toda a Europa. Foi explicitamente encarregado de fornecer pelo menos 16 exemplos de como, graças aos seus esforços de lobbying, o Parlamento Europeu tornou os textos legislativos sobre questões ambientais mais ambiciosos.
De acordo com o De Telegraaf, essas organizações desempenharam um papel fundamental na aprovação da controversa Lei de Restauração da Natureza defendida pelo ex-comissário Timmermans. Um dos contratos citados pelo jornal revela que uma doação de € 700.000 foi especificamente destinada a direcionar o debate agrícola para uma agenda verde. Todos os anos, € 2,6 bilhões foram gastos em estudos questionáveis projetados para justificar a necessidade do Green Deal. Não é de surpreender que esse escândalo esteja ligado ao nome de Frans Timmermans. Salientei repetidamente que ele não forneceu estudos de impacto adequados sobre as consequências do Green Deal.
Timmermans frequentemente prometia avaliações de impacto, mas não as entregava ou acabou produzindo estudos baseados em dados fornecidos por ONGs. Esses relatórios careciam de dados sólidos, análises completas e fontes confiáveis. Lendo nas entrelinhas, podia-se sentir claramente a forte agenda verde ideológica que o arquiteto do Green Deal estava promovendo dentro da Comissão – apesar das repetidas objeções. Sua influência era simplesmente grande demais. Ele procurou impor suas políticas verdes a todo custo, sem levar em conta seu impacto na economia europeia e nos padrões de vida.
A questão foi agora levantada no Parlamento Europeu, e até a atual Comissão condenou estas práticas. O novo comissário da UE para o Orçamento da Polônia, Piotr Serafin, disse ao De Telegraaf: ‘Infelizmente, tais práticas ocorreram no passado e devem ser erradicadas. Medidas já foram tomadas para resolver esse problema e posso garantir a todos que elas não se repetirão’. ‘Foi inapropriado… obrigar as ONGs a fazer lobby junto aos deputados do Parlamento Europeu’.
Acredito que esse escândalo afetará particularmente os socialistas e os verdes – partidos que frequentemente defendem a transparência, mas agora estão resistindo à investigação. Eles afirmam que isso é um ataque às ONGs, o que simplesmente não é verdade. A transparência não é negociável para qualquer organização não governamental que opere nas instituições da UE.
Após o escândalo Qatargate, nenhuma pessoa razoável pode argumentar que as ONGs – especialmente aquelas criadas pelos serviços de inteligência russos, catarianos, iranianos ou chineses – devem ter permissão para manipular o processo legislativo, paralisar a indústria europeia e justificá-lo sob o disfarce de ideologia verde. Estas organizações não devem ser autorizadas a apoiar extremistas que, sob o pretexto do Green Deal, pretendem destruir as empresas europeias.
Exigimos mudanças e uma investigação completa. Este pode ser o maior escândalo que a Comissão Europeia enfrentou nos últimos 20 anos. Tais ações provavelmente violaram o princípio da separação de poderes. O dinheiro dos contribuintes da UE nunca deve ser utilizado para financiar esforços de representação de grupos de interesses noutras instituições da UE.
É evidente que as ONG representam interesses específicos. Por conseguinte, a transparência é essencial — como é que são exatamente financiados pela UE e para onde vai esse dinheiro? Surpreendentemente, um terço das ONGs atualmente não divulga quem as financia, como são financiadas ou quem as estabelece.
Também exigimos transparência das ONGs verdes. A Comissão Europeia não deve utilizar o dinheiro dos contribuintes para financiar estudos de ONG afiliadas que produzam convenientemente resultados adaptados à agenda da Comissão. Isso é simplesmente errado. Os estudos devem ser profissionais e independentes. Os fundos europeus nunca devem ser utilizados para servir uma facção ou ideologia política, nem para manipular os deputados ou o público. Como podem os cidadãos europeus confiar nas instituições da UE se essas práticas continuarem?”
O mundo de boa-fé vem acreditando nas providências da União Europeia em relação às políticas ambientais sem perceber que tais políticas que nos afetam enormente foram compradas por ONGs ambientalistas por meio de corrupção. E agora José? Como vamos nos comportar daqui pra frente já que as nossas políticas ambientais são fruto das da Europa. As mesmas ONGs atuam no Brasil. Será que aqui são comportadas e honestas ou estão adotando as mesmas práticas que vem usando na Comissão Europeia. Na minha opinião depois do ocorrido no outro lado do Atlântico todas elas devem ficar sob suspeição. Talvez fosse bom seguirmos o Evangelho apócrifo de Pedro.
“Pois Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas os lançou ao inferno e os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo…” — Pedro 2:4
*Consultor em Agronegócio
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

