Tereza Cristina: Corte de crédito com juros subsidiados ameaça agronegócio

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Tereza Cristina: Medida não pode ser tomada de forma abrupta – Carlos Silva/Mapa

“Vamos quebrar a agricultura? É este o propósito? Tenho certeza que não é”, disse a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, ao alertar a área econômica do governo que há risco de prejuízo para a nova safra agrícola se houver corte, de forma abrupta e radical, do crédito aos produtores rurais com taxas subsidiadas pelo Tesouro Nacional.

Não se pode criar pânico no campo e dizer que acabou o dinheiro. Não é assim”, afirmou a ministra em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira (11). Segundo ela, uma redução radical do crédito pode criar pânico entre os produtores e “desarrumar muito o setor”.

A área econômica do governo estuda cortes em todos os subsídios do Tesouro já este ano, e o presidente do Banco do Brasil, Rubens Novaes, afirmou que “o grosso da atividade rural” pode se financiar com taxas de mercado.

Tereza Cristina ressaltou, no entanto, que o assunto ainda está em estudo pelo Ministério da Agricultura e que não pode haver um “desmame radical”: “Será que o presidente Bolsonaro quer que a agropecuária encolha em seu governo? Temos de ter cuidado! Podemos fazer coisas novas, mas passo a passo. Não é de repente dizer que agora mudou a regra do jogo”.

“Eu brinco até que é um desmame. Você pode fazer o desmame radical e o controlado. Ainda está muito no campo das ideias. Nossas equipes (dos ministérios da Economia e da Agricultura) estão sentando agora para discutir”, acrescentou Tereza Cristina, na entrevista ao jornal paulista.

De acordo com a ministra, há espaço de manobra, mas o Mapa defende que não haja redução no volume de crédito para financiar o agronegócio. O atual plano safra destinou R$ 191 bilhões ao crédito e faltou dinheiro, tanto que o governo destinou mais R$ 6 bilhões, e o setor precisava de mais R$ 15 bilhões. “Não se pode baixar deste patamar, porque a agricultura precisa de crédito para crescer.”

Conforme a ministra, pode-se até subir um pouco os juros pagos pelos pequenos produtores, mas é preciso discutir uma nova fonte de financiamento para os grandes produtores, para que eles não sejam obrigados a se financiar com as taxas de juros do mercado livre.

Tereza Cristina reforçou que é preciso discutir qual será a fonte de financiamento dos produtores, que taxa de juros estará disponível e o que os bancos privados vão oferecer ao setor, lembrando que o Banco do Brasil, atualmente, é responsável por 46% do crédito rural.

Ainda segundo a ministra, também é prioridade do ministério melhorar o seguro-safra, diminuindo as taxas de juros e ampliando a oferta, para que o agricultor se sinta mais confortável. O assunto precisa estar pacificado até a reunião de maio do Conselho Monetário Nacional (CMN), mas a ministra espera que tudo esteja resolvido o mais rapidamente possível, para reduzir a insegurança do setor.

Da redação, com Mapa e Estadão

 

 

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