Artigos

E o Ricardo Sales tinha razão

Gil Reis*

Nós vivemos em país em que as manchetes valem mais que os textos, por uma razão muito simples: a maioria não gosta de ler. Caro leitor, deixe sua curiosidade aflorar, leia o texto e analise. Como admirador dos textos de ficção científica passei anos acreditando que seus autores eram videntes que vislumbravam o futuro. Com o tempo fui modificando a opinião e percebi que tais pessoas ajudavam a construir e modificar o mundo. Onde surgiu o primeiro submarino? Na obra de Jules Verne – o Náutilos. Alguém acreditou ser viável e a partir daí – o submarino. Há na literatura uma série de exemplos.

Um pouco de calma, por favor, acompanhe o raciocínio da tese, mera proposta intelectual se não checada pelos pares. Qualquer proposta intelectual para valer como tese precisa passar pelo crivo, inclusive, da controvérsia. O princípio do contraditório é muito importante para validar qualquer tese. É sempre preciso uma ampla discussão sobre entendimentos onde todos discutam argumentos favoráveis ou não principalmente na área na área cientifica.

Não costumo a enaltecer ou criticar pessoas, todavia no caso ex-ministro do Meio Ambiente vale uma reflexão muito importante. Não pretendo explorar as suas opiniões, que ao meu ver, ele não soube expressa-las e nem quais as causas da sua saída do Ministério, isto é uma responsabilidade sua e não nossa. O que pretendo explorar que acho que ele tinha razão foi o fato dele trazer os centros urbanos para discussão do tal aquecimento global. Principalmente os grandes centros, os menores em menor proporção, geram colunas de calor que sobem em direção à atmosfera superior. O calor sobe e influi na temperatura global, mesmo assim os já chamados de pornógrafos climáticos insistem em responsabilizar a produção rural, a produção de alimentos.

Quais as consequências destas grandes colunas de calor? Porque comecei a abordar o assunto falando de ficção científica? Durante as minhas pesquisas acabei assistindo no You Tube o filme de ficção científica “Destruição Total – O Fim do Mundo”, basta que o leitor entre no You Tube e digite o nome. Neste filme o ator principal lança a tese de que se as colunas de calor dos grandes centros urbanos conseguirem atravessar a atmosfera e atingirem o topo onde a as temperaturas chegam a -50 graus ou menos sugará o ar frio e aí teremos tragédias, formação de tufões, ciclones, terremotos e muito mais por todo o planeta.

Naturalmente tal proposta intelectual precisará passar pelo crivo cientifico e se submeter ao princípio do contraditório por cientistas que estudam o assunto. Será uma discussão demorada, porém não invalida o fato que as cidades são fontes inesgotáveis de calor e provocam todo tipo de desiquilíbrio climático como estamos enfrentando hoje e precisam de solução. Ficar responsabilizando a produção de alimentos não resolve nada, apenas serve como sabotagem, o que é trágico.

Os ativistas e pornógrafos climáticos preferem atribuir ao CO2 e ao metano originários de nossos animais de produção. O que me causa grande constrangimento é verificar que no Brasil se separou a pecuária da agricultura que no mundo inteiro chama-se simplesmente agricultura. Aqui não sei porque resolveram complicar sem perceber que o agro é uma cadeia interligada por elos e nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco. Apesar da enorme campanha contra de ativistas de todo tipo o agro tem sobrevivido e contribuído decisivamente para o PIB brasileiro.

Mas voltemos ao ex Ministro, hoje parlamentar, há época quando exercia sua função ministerial foi criticado em várias atuações e falas, todavia quando ele trouxe “à baila” a questão dos grandes centros urbanos houve um silêncio tão grande que chegava a incomodar a audição de qualquer um. Ele estava na contramão da história, o que causa o aquecimento global são ao agricultores, notadamente os pecuaristas, o CO2, o metano dos ruminantes ‘(Ruminantes são artiodáctilos herbívoros pertencentes à subordem Ruminantia que são capazes de adquirir nutrientes de alimentos vegetais, fermentando-os em um estômago especializado antes da digestão, principalmente por meio de ações microbianas. O processo, que ocorre na parte frontal do sistema digestivo e, portanto, é chamado de fermentação anterior, normalmente requer que a ingesta fermentada, conhecida como ruminação, seja regurgitada e mastigada novamente. O processo de remastigar a ruminação para quebrar ainda mais a matéria vegetal e estimular a digestão é chamado de ruminação. A palavra ‘ruminante’ vem do latim ruminare, que significa ‘mastigar novamente’.

Há cerca de duzentas espécies de ruminantes que incluem espécies domésticas e selvagens. Os mamíferos ruminantes incluem gado, todos os bovinos domesticados e selvagens, cabras, ovelhas, girafas, veados, gazelas e antílopes. Também foi sugerido que os notoungulados também dependiam da ruminação, ao contrário de outros atlantogenados que dependem da fermentação mais típica do intestino posterior, embora isso não seja totalmente certo.

Pois é, por isto que este artigo afirma que o Ricardo Sales tinha razão quando apontou como um dos fatores determinantes do ‘aquecimento global’ e ‘alterações climáticas’ seriam justamente os grandes centros urbanos. Ele não chegou a citar as grandes ondas de calor produzidas por nós os moradores das cidades, em maior ou menor proporção, pelo calor que produzimos com os aparelhos de ar refrigerado, pelos nossos veículos automotores, carros de passeio, ônibus, caminhões de entrega, caçambas e etc.

Por isto meu caro leitor, que mora em cidades, você tem ficar consciente que somos nós com a nossa azafama diária que produzimos colunas térmicas, colunas de calor, que jogamos na atmosfera grande quantidade de aquecimento que se distribui por toda a atmosfera do nosso sofrido planetinha. Será que o calor que produzimos não afeta decisivamente o meio ambiente, ou melhor o ambiente inteiro? Nós os articulistas vivemos em meio de grandes serás.

E você que não gosta do ex Ministro e gosta de julgar as personalidades da república, não se sinta ofendido e me desculpe, não estou promovendo-o e sim fazendo justiça por uma posição assumida por ele. Apesar de todas as críticas que possamos fazer aos outros é sempre bom lembrar que o universo é dual, Tudo tem o outro lado.

Afirmei que calor sobe e frio desce, vamos a explicação: “calor sobe e frio desce” descreve o princípio da convecção, um fenômeno natural que ocorre devido às diferenças de densidade entre ar quente e ar frio. O ar quente, sendo menos denso, tende a subir, enquanto o ar frio, mais denso, tende a descer, criando correntes de convecção.

Fique frio, deixe o calor de suas afirmações subir e acolha a descida do frio da tranquilidade.

“Os fatos são como os bonecos dos ventríloquos. Sentados no joelho de um homem sábio articularão palavras de sabedoria; noutros joelhos, não dirão nada ou dirão disparates, ou comprazer-se-ão em puro diabolismo” Aldous Huxley.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre AGROemDIA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading