Glifosato é seguro para a agricultura, diz Monsanto; Justiça proibiu registros

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Monsanto/Divulgação

“Há mais de 40 anos, os agricultores contam com produtos à base de glifosato para ajudá-los a controlar plantas daninhas de forma eficaz, sustentável e segura. Como todos os produtos herbicidas, o glifosato é revisado rotineiramente pelas autoridades regulatórias para garantir que ele possa ser usado com segurança”, diz nota divulgada nesta terça-feira (7) pela Monsanto, na qual defende o emprego do produto na agricultura brasileira. “Mais de 800 estudos e análises científicas concluíram que o glifosato é seguro para uso”, ressalta a empresa.

Justiça proíbe registro de produtos à base de glifosato, abamectina e tiram em todo o país

O comunicado da Monsanto se contrapõe à decisão da Justiça Federal. Na última sexta-feira (3), a juíza federal substituta Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara do DF, determinou que a União não conceda novos registros de produtos que contenham como ingredientes ativos abamectina, glifosato e tiram. Também suspendeu, por 30 dias, o registro de todos os produtos que utilizam essas substâncias até que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conclua os procedimentos de reavaliação toxicólogica.

“Em avaliações de quatro décadas, a conclusão de especialistas em todo o mundo – incluindo a Anvisa, autoridades reguladoras nacionais nos EUA, Europa, Canadá, Japão e outros países, além de organizações internacionais de ciência e saúde – tem sido que o glifosato pode ser usado com segurança”, destaca a nota da Monsanto.

A empresa conclui a manifestação enfatizando sua observância aos processos científicos. “A Monsanto respeita os rigorosos processos científicos atualmente utilizados pela Anvisa e outras autoridades regulatórias para garantir o uso seguro do glifosato e outros produtos de proteção à lavoura.”

Procedimentos de reavaliação

Luciana de Moura determinou ainda que a Anvisa priorize o andamento dos procedimentos de reavaliação toxicológica de abamectina, glifosato e tiram, devendo conclui-los até 31 de dezembro de 2018, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A juíza requer também que a Anvisa informe qual servidor público é responsável pelo andamento dos procedimentos para fins de responsabilização civil, administrativa e penal, caso resistência no descumprimento da medida.

A ação, ajuizada pelo Ministério Público Federal contra a Anvisa e a União, é contestada judicialmente, além da Monsanto, pela FMC Química do Brasil Ltda, Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), Nortox S/A, Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Cheminova Brasil Ltda, Syngenta Proteção de Cultivos Ltda e a Taminco do Brasil Produtos Químicos Ltda.

Desde a última segunda-feira (6), entidades representativas do agro têm criticada a decisão. “A gente está brincando com o que não conhece. O grande orgulho do Brasil é o plantio direto, a integração lavoura-pecuária, que dependem de alguns insumos”, disse o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho à Agência Reuters.

“É impossível fazer agricultura sem esses produtos”, acrescentou Luiz Lourenço, diretor da Abag e presidente do Conselho Administrativo da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá (PR). “Estamos começando o plantio da próxima safra em 30 dias. Se isso permanecer, vai ser um retrocesso.”

 

 

 

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