O recado de Paulinelli para o agro brasileiro não perder chance histórica

Ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli: Brasil deve se preparar para ser o maior fornecedor global de alimentos – Youtube

Da redação//AGROemDIA

A se confirmarem as projeções de organismos internacionais como a ONU e a FAO, o planeta terá cerca de 10 bilhões pessoas em 2050. Para atender a demanda global por alimentos, a produção agrícola precisará crescer 61%. A expectativa é que o Brasil responda por 41% desse aumento, elevando a safra de grãos para 620 milhões de toneladas, o que representará um faturamento de US$ 1,3 trilhões. Porém, o agro brasileiro terá que mudar a mentalidade para não perder essa chance histórica, alerta o ex-ministro da Agricultura e engenheiro agrônomo Alysson Paulinelli, um dos criadores da Embrapa.

Um dos nomes mais conceituados da agropecuária brasileira e atual presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Paulinelli diz que o agro brasileiro precisa dar cada vez mais atenção às exigências dos consumidores e investir em inovação e bioeconomia. “Temos que deixar de ser turrões. Precisamos inovar e criar situações novas. Já fomos capazes de ganhar o mercado mundial na agricultura de commodities – soja, café, milho e suco de laranja – e não podemos parar de crescer. Agora, devemos olhar para as mudanças de hábitos alimentares dos consumidores.”

Paulinelli ressalta que os países desenvolvidos querem cada vez mais alimentos saudáveis e naturais. “Naturais, explica, “não significa que sejam produzidos sem fertilizantes, mas que sejam seguros. A nova demanda, acrescenta, “quer saber onde o alimento foi produzido, como foi produzido, como foi colhido, como foi manipulado, como foi processado, onde foi armazenado, quem transportou, como transportou, quem embarcou, em qual porto e como chegou ao seu país e ao seu prato. Então, temos que estar preocupados com isso.”

A produção de alimentos seguros com certificação de origem, assinala Paulinelli, exigirá mais inovação, abrirá espaço à bioeconomia e impulsionará a geração de emprego no agro brasileiro. “Por isso, o Brasil precisará trabalhar bem o mercado”. Segundo ele, será necessário aliar a pesquisa à extensão rural, à assistência técnica, ao crédito rural orientado e à modernização na gestão.  “Precisamos criar essa fase para que surjam no Brasil novas oportunidades e competências para ocupar esse mercado.”

Empreendedorismo e inovação

“Quem tem capacidade gerencial e é inovador, deve acordar para isso e empreender, porque teremos muitas oportunidades na cadeia do agro”, enfatiza o ex-ministro, citando as áreas de processamento de alimentos e embalagens como potenciais geradoras de emprego e renda. “A embalagem desses produtos já exige uma fabulosa modificação no processo de manejo, e a industrialização tem que ser altamente tecnificada.” Na sua opinião, é preciso agregar valor aos produtos e não exportar apenas commodities. “Não podemos pensar, por exemplo, em exportar leite em pó e somente café verde.”

Conforme Paulinelli, a chance de se tornar o maior fornecedor mundial de alimentos também permitirá ao Brasil promover uma forte inclusão social no campo.  A revolução verde promovida no país nos últimos 50 anos, iniciada com a Embrapa e com a recuperação de áreas degradadas do Cerrado, envolveu apenas 842 mil propriedades rurais, lembra o ex-ministro. “Mas ainda temos 4,5 milhões de propriedades que precisam ser incluídas no mercado para que possamos ser um país desenvolvido.”

O cenário, avalia o ex-ministro da Agricultura, impõe ao agronegócio brasileiro o desafio de crescer para garantir alimentos para a população mundial. “A segurança alimentar tem dois aspectos. Um está relacionado à qualidade e à sanidade dos alimentos. O outro diz respeito à quantidade.  Em volume, o Brasil é imbatível”. Não por acaso, os organismos internacionais apontam frequentemente o Brasil como o único país capaz de impulsionar a produção de alimentos para atender o aumente da demanda global.

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